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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Por que é que há doentes de Parkinson com problemas no andar?

Nas fases mais avançadas da doença de Parkinson, a estimulação cerebral profunda melhora a qualidade de vida dos doentes. Contudo, alguns que fazem esse tratamento acabam por ficar com o andar afectado. Ana Raquel Barbosa, médica interna, quer perceber quem são esses doentes, quais as suas características e como se poderá reverter as complicações na sua marcha. Com este projecto de investigação, a médica venceu o Prémio João Lobo Antunes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no valor de 40 mil euros. A cerimónia de entrega desta distinção é esta quarta-feira de manhã no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
Ana Raquel Barbosa é médica interna de neurologia no Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, e a sua área específica é a das doenças de movimento. “Dentro das doenças de movimento, a doença de Parkinson é aquela em que temos mais doentes nas consultas”, diz a médica de 31 anos. Como tal, observou quais eram as dificuldades com que esses doentes se deparavam e como poderia intervir. “A investigação surge das necessidades que vão surgindo aos doentes”, salienta.
E que necessidades são essas? Nas fases avançadas da doença de Parkinson – a segunda doença neurodegenerativa mais comum, a seguir à Alzheimer –, a estimulação cerebral profunda é um tratamento eficaz para melhorar a qualidade de vida dos doentes. Para essa estimulação, através de uma cirurgia, são colocados eléctrodos em regiões profundas do cérebro dos doentes que estão ligados a uma espécie de bateria que está por baixo da pele, na região torácica. Essa bateria vai enviar energia para estimular o cérebro e controlar os sintomas da doença.
“No entanto, há um subgrupo de doentes que desenvolve algumas complicações na marcha”, refere Ana Raquel Barbosa. “Nesses doentes, a qualidade de vida piora bastante com a perturbação da marcha.” Os doentes ficam com os pés colados ao chão sem conseguir dar o próximo passo. Nalguns doentes isto pode acontecer esporadicamente ao longo do dia e noutros em toda a marcha.
Ana Raquel Barbosa quer então perceber se a forma como a estimulação é induzida pode ter influência na marcha, como as diferentes frequências em que é realizada. Quer saber ainda que doentes vão desenvolver essa perturbação, quais são as suas características e como pode ser revertida.
Para tal, juntamente com uma equipa do Hospital de Santa Maria e da Fundação Champalimaud (ambos em Lisboa), vai estudar doentes do Hospital de Santa Maria a partir de Janeiro de 2020. Este trabalho divide-se em dois estudos: um retrospectivo, em que se vão identificar cerca de 30 doentes que já têm essa perturbação e alterar os padrões da estimulação cerebral profunda; e outro prospectivo, em que vão seguir doentes que serão operados e identificar os que desenvolveram complicações na marcha.
Ao longo dos dois estudos, irão colocar-se nos doentes sensores de movimento – nomeadamente, sensores inerciais –, que permitem caracterizar e perceber quais são as alterações na marcha. Utilizar-se-á também a ressonância magnética para se saber quais são as alterações a nível das redes neuronais induzidas na estimulação cerebral. “Ao utilizarmos diferentes voltagens e frequências nos parâmetros de estimulação, vamos ver se conseguimos melhor a marcha dos doentes”, explica a médica.
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terça-feira, 4 de junho de 2019

Ciência para diferentes públicos alvos - 10º ano

Projecto realizado no âmbito da Unidade Curricular Projecto em Ciências Biomédicas do mestrado em Ciências Biomédicas da FCS/UBI, coordenação do Prof. Doutor Eduardo Cavaco, apoio da Prof. Doutora Ana Isabel Rodrigues Gouveia e Dr.ª Maria João Lima.
Este é um projecto que visa ir ao encontra das comunidades, onde os alunos são desafiados a pensar ciência para diferentes públicos desde os 3 aos 100 anos de idade.
Esta actividade decorreu com um turma do 10º ano na Escola Quinta das Palmeiras onde fomos muito bem recebidos. A actividade preparada e desenvolvida intitulou-se: “Aprender com a Ciência” organizada pelos alunos Aida Raposo, Mónica da Silva, Flávia Costa Ferreira e Miguel Moreira. A actividade passou por três estações com Dendrites de Estanho, Difusão: Um Movimento Misterioso e Velocidade das Reacções.
O nosso obrigado aos participantes, à Prof. Ernesta Parreira e à Escola Quinta das Palmeiras, estão todos de parabéns, pois as actividades foram um sucesso. MAIO 2019

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domingo, 2 de junho de 2019

Descoberto antídoto para um dos seres vivos mais venenosos do mundo: Através de um medicamento usado para o colesterol, conseguiu-se parar a necrose e atenuar a dor provocada pela picada da vespa-do-mar em ratinhos.
Ninguém se deixe encantar pela beleza da medusa Chironex fleckeri: ela tem veneno suficiente para matar mais de 60 pessoas. Conhecida como vespa-do-mar, esta medusa é assim um dos seres vivos mais venenosos do mundo. Portanto, a ambição para encontrar um antídoto que a afrontasse era grande. Agora, em testes com células humanas e de ratinhos, uma equipa de cientistas da Austrália e da China descobriu um medicamento que consegue bloquear os sintomas da picada desta medusa se for aplicado 15 minutos depois do ataque. No futuro, o objectivo é desenvolver um produto de uso tópico para humanos.
A vespa-do-mar tem cerca de 60 tentáculos que podem chegar aos três metros de comprimento. Vive nas águas costeiras da Austrália, da Papuásia-Nova Guiné, do Vietname e das Filipinas e é uma autêntica predadora. Quando está a caçar, pode nadar activamente 7,5 quilómetros por hora. Geralmente, caça pequenos peixes e camarões em águas superficiais.
Mas esta medusa também pode “caçar” humanos. O seu veneno – suficiente para matar mais de 60 pessoas – está escondido em milhões de “ganchos” microscópicos nos seus tentáculos. Se picar uma pessoa, a vespa-do-mar pode causar necrose na sua pele, dor e – se a dose de veneno for muita – pode provocar paragem cardíaca ou até mesmo a morte dessa pessoa em poucos minutos.
Estima-se que mais de 40 pessoas morram por ano devido aos ataques de medusas, segundo o site da revista Science. Contudo, Angel Yanagihara, bioquímica da Universidade do Havai e que não fez parte do recente estudo, refere que o número de mortes é bastante subestimado, assinalou à mesma revista. “As pessoas morrem e não há registos públicos”, afirmou a cientista, acrescentando que devem morrer cerca de 500 pessoas por ano devido a picadas de medusas.
Até agora, de acordo com o jornal espanhol ABC, o tratamento para as picadas consistia em aplicar vinagre ou água muito quente na zona afectada. Também, até ao momento, não se sabia como o veneno da vespa-do-mar atingia e entrava nas células humanas. Como se refere na Science, em estudos anteriores apenas se tinha percebido que toxinas no veneno podiam destruir os glóbulos vermelhos e danificar as membranas celulares, o que resultaria em dor ou até mesmo na morte. Percebeu-se ainda que haveria outros danos no corpo humano.
Agora, a forma como o veneno funciona foi desvendada através da tecnologia de edição genética CRISPR, uma ferramenta que permite editar o genoma através de tesouras moleculares. Neste estudo, esta ferramenta foi usada para bloquear genes humanos, para que se pudesse saber qual deles tinha uma função relacionada com o mecanismo de acção do veneno da medusa. Identificaram-se assim os factores humanos necessários para o veneno funcionar.
“A via do veneno que identificámos neste estudo precisa de colesterol, e visto que há vários medicamentos disponíveis que têm como alvo o colesterol, pudemos bloquear esta via para se ver qual era o seu impacto na actividade do veneno”, conta Raymond Lau, da Universidade de Sydney, na Austrália, e um dos autores do artigo publicado na revista Nature Communications, num comunicado da sua instituição. A equipa testou então medicamentos contra o colesterol em células humanas e em ratinhos.
Primeiro, usaram-se dois medicamentos (o metil-beta-ciclodextrina, ou MbCD, e o hidroxipropílico-beta-ciclodextrina, ou HPbCD) para evitar que o veneno da medusa matasse células mielóides humanas e glóbulos vermelhos de ratinhos. A equipa utilizou ainda o HPbCD – que é seguro para humanos – em ratinhos que tinham sido injectados com veneno da vespa-do-mar. “Em 15 minutos, o medicamento parou a dor e a morte dos tecidos”, lê-se no comunicado.
Creme ou spray?
“É um antídoto molecular. É a primeira vez que se percebe, a nível molecular, como este tipo de veneno funciona e possivelmente como qualquer veneno funciona”, diz Raymond Lau. Já Gregory Neely, também da Universidade de Sydney e autor do trabalho, refere: “Sabemos que o medicamento pára completamente a necrose e a dor e cicatriza a pele quando é aplicado. Mas não sabemos ainda se previne o ataque cardíaco. Precisaremos de investigar mais.”

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sábado, 1 de junho de 2019

O que liga a orquídea ao cancro? Regeneração de tecidos e imunoterapia

Segundo uma investigação pioneira, poderá ter um impacto previsível na regeneração de tecido ósseo e em futuros tratamentos do cancro.
Uma equipa da Universidade de Macau está a realizar uma investigação pioneira a partir de uma orquídea com previsível impacto na regeneração de tecido ósseo e em futuros tratamentos do cancro.
"Há um caminho longo a percorrer", mas duas das aplicações médicas da descoberta podem passar pela "regeneração de tecido e imunoterapia para tratamento do cancro", sublinhou o professor Wang Chunming em declarações à Lusa.
A 17 de abril, a Universidade de Macau tinha anunciado que a equipa liderada por Wang era "a primeira no mundo a desenvolver com sucesso um novo tipo de substituto de tecido baseado em fatores bioativos isolados de uma erva medicinal chinesa", a 'Bletilla Striata', espécie de orquídea do Sudeste Asiático.
A equipa concluiu testes de laboratório e explora agora a possibilidade de avançar com estudos pré-clínicos em colaboração com médicos, depois de a pesquisa, que durou cinco anos, ter sido publicada em revistas internacionais da especialidade.
"Muitos acidentes podem causar fraturas nos nossos ósseos e cartilagens, danos que muito dificilmente podem ser curados pelo próprio organismo, por isso queremos fornecer este tipo de polissacarídeos nas partes danificadas para curar o corpo", explicou o professor, doutorado em Engenharia Biomédica pela Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.
"Este é um tipo de aplicação (...). No nosso processo inicial [de estudo] da interação entre estas moléculas e as nossas células imunitárias também descobrimos que estes podem ativar as células imunitárias para um estado que pode ser benéfico para o tratamento o cancro", adiantou.
Durante a investigação, Wang disse ter sido percebido que "as moléculas de açúcar podem ativar o corpo e curar, seja um osso ou pele danificada, pelo poder das [células] macrófagos".
"Nós concebemos este tipo de 'açucares' e acreditamos que no futuro podem ser utilizados através da aplicação de diferentes tipos de membranas, películas e géis (...) no tecido danificado ou usados como hospedeiro, como um veículo, como um carro para distribuir células vivas no corpo", sustentou.
Os investigadores, ressalvou o professor, são químicos e não botânicos, mas ainda assim apostaram na análise de 21 tipos de ervas medicinais chinesas e acabaram por encontrar um tipo de polissacarídeos bioativos capaz de estimular o crescimento de células pela ativação de citocinas, que são proteínas produzidas pelas células.

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quarta-feira, 29 de maio de 2019

Plástico pode estar a afetar os espermatozoides

Equipa de cientistas britânicos realizou os testes tanto em homens como em cães.
A exposição dos espermatozoides a substâncias químicas presentes no plástico reduziu a capacidade dos mesmos e fragmentou o seu ADN.
Quer em homens quer em cães. Um estudo recente da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, mostra como as substâncias químicas no ambiente estão a afetar a qualidade e a quantidade de espermatozoides em ambos. Nomeadamente dois principais produtos químicos comuns, utilizados em ambientes domésticos. São eles o dietilhexilftalato (ou ftalato, derivado do ácido ftálico e utilizado como aditivo para deixar o plástico mais maleável) e o bifenilo policlorado 153 (PCB153), que podem ser encontrados em plásticos e equipamentos elétricos mais antigos. Apesar da relação direta que este estudo expõe entre o nível de espermatozoides e estes químicos, não é o primeiro que alerta para o facto de os espermatozoides dos homens estarem em declínio, de acordo com o The Guardian.
São já vários os relatórios de investigação que mostram como a quantidade caiu para metade nos últimos 50 anos ou mais, aponta o jornal britânico. Mas a causa exata deste declínio nunca foi avançada. Ao longo dos anos, alguns cientistas têm vindo a culpar os estilos de vida, cada vez mais sedentários e stressantes, bem como o uso de drogas recreativas e a ingestão de álcool e tabaco. Quanto aos cães, um estudo de 2016 mostrou que o número de bons nadadores diminuiu em 30% em apenas 26 anos.
Mas esta equipa de investigadores da Universidade de Nottingham suspeita mesmo que há também uma quota de responsabilidade por atribuir aos resíduos químicos no meio ambiente circundante.
"É claro que temos de ser cautelosos com base nestes números. Mas os nossos dados aumentam o peso da evidência de que os produtos químicos no ambiente doméstico degradam o espermatozoide"
A investigação envolveu a recolha de amostras de sémen de nove homens e de 11 cães, posteriormente expostos a produtos químicos fabricados, com flalato e PCB153. E, de acordo com os cientistas, os resultados não deixaram espaço para dúvidas: a exposição dos espermatozoides a substâncias químicas reduziu a capacidade dos mesmos e fragmentou o seu ADN.
Apesar da descoberta, o coordenador do estudo acredita que é preciso ter cautela com as conclusões precipitadas. Richard Lea, também ele professor de biologia reprodutiva da Universidade de Nottingham, explicou que o número de amostras é, na verdade, muito reduzido. "É claro que temos de ser cautelosos com base nestes números", disse. "Mas os nossos dados aumentam o peso da evidência de que os produtos químicos no ambiente doméstico degradam o espermatozoide".
O componente químico PCB153 foi excluído do mercado no final dos anos 70, por força dos riscos que se comprovou estarem associados à saúde, como o aumento do risco de cancro, mas também de perturbações hormonais, danos ao fígado e alterações comportamentais ou cognitivas em crianças. Contudo, a substância continua presente no meio ambiente.
E Richard Lea alerta mesmo que "só foram estudados dois produtos químicos, mas vivemos numa imensidão de poluentes".

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Leite de camelo reduz inflamação celular associada à diabetes tipo 2

Foi descoberto que o leite de camelo, que tem sido proposto por muitos como um “superalimento”, tem a capacidade de reduzir a inflamação celular associada à diabetes tipo 2.
Ao longo dos anos, algumas evidências foram surgindo de que o consumo de leite de camelo poderia prevenir a diabetes. No entanto, a veracidade destes benefícios é pouco compreendida e poucos estudos investigaram qual o componente ou componentes presentes no leite de camelo que transmitem benefícios antidiabéticos.
Um estudo recentemente publicado na revista Functional Foods in Health & Disease concluiu que a ingestão de leite de camelo ajuda a reduzir a inflamação celular, condição tipicamente associada à diabetes tipo 2.
O leite é constituído por lípidos e proteínas, incluindo imunoglobulinas e vesículas, além de vitaminas e minerais. Dada essa complexidade, os cientistas optaram por investigar apenas os lípidos no leite de camelo e o seu efeito num aspeto da diabetes conhecido como inflamação celular.
Um dos maiores problemas de saúde no mundo. Sabe-se que a inflamação na gordura abdominal é uma característica perigosa da mais comum diabetes tipo 2. Normalmente, a inflamação é uma maneira de lidar com infeções, como vírus. No entanto, indivíduos obesos e diabéticos têm inflamação crónica contínua que não envolve infeções.
Uma célula chamada macrófago, presente na gordura abdominal, é um ator importante no desenvolvimento dessa inflamação. Por isso, os cientistas estudaram se os lípidos do leite de camelo poderiam impedir que os macrófagos semelhantes aos encontrados na gordura se inflamassem na presença das proteínas encontradas nos diabéticos.
Manteiga, iogurte e leite de camelo são alimentos altamente nutritivos com alto teor de vitamina C, ferro, cálcio, insulina e proteína. A presença de gordura no leite é muitas vezes a base para evitar produtos lácteos, mas essa gordura é um componente importante, dado o seu alto valor nutricional.
O leite de camelo tem um menor teor de gordura comparado com o leite de vaca e os seus ácidos gordos são principalmente ácidos gordos poliinsaturados. Estes são geralmente considerados ácidos gordos saudáveis.
As experiências conduzidas pelos cientistas comprovaram que os ácidos gordos do leite de camelo reduzem a inflamação produzida pelos macrófagos. Além disso, um complexo de proteínas conhecido como inflamassoma (um fator central da inflamação celular) foi reduzido por esse lípidos do leite de camelo.
Contudo, ainda não foram feitos testes em humanos, mas caso se verificassem os mesmo efeitos, isso mostraria que o leite pode prevenir a inflamação associada à diabetes. Adicionalmente, podem também explicar alguns dos benefícios pressupostos do consumo de leite de camelo na prevenção do diabetes.
Keith Morris, um dos cientistas responsável pelo estudo, reconhece que ainda não é possível dizer ao certo que o leite de camelo “cura” o diabetes ou se reduziria a inflamação se uma pessoa com diabetes tipo 2 o consumisse regularmente.
Os resultados do estudo apenas sugerem que o leite deste animal pode desempenhar um papel na redução da inflamação celular, que é uma parte importante do diabetes tipo 2.

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terça-feira, 28 de maio de 2019

Ciência para diferentes Públicos - Lar S.José

Projecto realizado no âmbito da Unidade Curricular Projecto em Ciências Biomédicas do mestrado em Ciências Biomédicas da FCS/UBI, coordenação do Prof. Doutor Eduardo Cavaco, apoio da Prof. Doutora Ana Isabel Rodrigues Gouveia e Dr.ª Maria João Lima.
Este é um projecto que visa ir ao encontra das comunidades, onde os alunos são desafiados a pensar ciência para diferentes públicos desde os 3 aos 100 anos de idade.
Esta actividade decorreu no Lar de S. José da Covilhã onde fomos muito bem recebidos. A actividade preparada e desenvolvida intitulou-se: “Para os Mais Sábios” organizada pelos alunos Izamara Maocha, Joana Pinto e Rafaela Guimarães. A actividade passou por várias regiões de Portugal associadas a neve, sal, vulcões, etc..
O nosso obrigado aos participantes, presidente, técnicos e demais colaboradores do Lar de S. José da Covilhã, estão todos de parabéns, pois as actividades foram um sucesso. MAIO 2019

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Armadilha para a vespa-asiática funciona como um cavalo de Tróia

A vespa-asiática tem vindo a conquistar terreno em Portugal, mas também está prestes a ganhar uma nova inimiga. Perto das colmeias, a Vespa velutina poderá vir a encontrar pequenas esferas. Como as confundirá com o tórax de abelhas – que tanto aprecia –, levá-las-á para o seu ninho. Aquilo que a vespa-asiática não sabe é que esse petisco é, afinal, um “cavalo de Tróia” que libertará um biocida e matará as vespas no ninho. Criadas por cientistas do Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), em Braga, estas cápsulas vão entrar na última fase de desenvolvimento e ser testadas numa zona aberta (mas ainda num ambiente controlado) a partir de Junho. Os resultados e potencialidades desta armadilha foram discutidos esta sexta-feira no INL.

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domingo, 26 de maio de 2019

Três milhões sofrem de alergias: saiba como proteger-se

Em casa e na rua, saiba mais sobre as vacinas que já se fazem e conheça os tratamentos disponíveis em Portugal e leia as histórias de quem "convive" diariamente com o problema.
Carla Zibreira, 46 anos, podia ter sido veterinária. Mas como, se bastava aproximar-se de um dos boxers da família para o corpo reagir?! As alergias a animais, cão e cavalo, e também aos ácaros, desmotivaram-na. Não queria sentir todos os dias o nariz a fungar, os olhos lacrimejantes, aquelas comichões na pele e no couro cabeludo que a faziam desesperar – sobretudo na primavera e no início do outono. Desistiu da ideia e optou por Engenharia Eletrotécnica. "Os componentes dos circuitos sempre são mais limpinhos", diz à SÁBADO, em tom de brincadeira.
Os primeiros sinais de rinite alérgica surgiram na infância. Depois vieram as manifestações na pele. Foi mantendo a situação controlada até que, em 2015, passou a ter de viajar mais e o convívio com aviões e quartos alcatifados de hotel agravou subitamente – e de forma severa – os sintomas. "Estava permanentemente em crise. Todos os dias tomava dois anti-histamínicos, mas já nada fazia efeito. Tinha os olhos congestionados, o nariz a pingar, espirrava e tinha dores de cabeça, chegava a ter de me meter na cama para o corpo acalmar", explica.
Os sintomas descritos por Carla Zibreira são partilhados por quase um terço da população portuguesa: ao todo, cerca de três milhões de pessoas sofrem com alergias. Ou seja, o seu sistema imunológico reage de forma excessiva a alergénios, substâncias estranhas ao organismo, mas habitualmente inócuas. Basicamente, sempre que deteta uma substância interpretada como nociva, o organismo defende-se, produzindo em quantidade anticorpos da imunoglobulina (IgE) e libertando substâncias inflamatórias, nomeadamente a histamina, para os combater. E é nos locais onde se trava essa luta que a reação se mostra mais forte: nariz, garganta, olhos, brônquios, pele ou intestinos.
Na primavera, as atenções recaem sobretudo nas alergias respiratórias ou dermatológicas e o efeito dos pólenes (em Portugal, sobretudo gramíneas, parietária e oliveira) e doenças alérgicas como o eczema, a conjuntivite, a rinite ou a asma. No entanto, é importante ter a noção de que tão ou mais graves podem ser as alergias ao veneno de insetos, a medicamentos ou alimentos. A reação à picada de uma abelha ou ao contacto com a proteína da clara de ovo, por exemplo, pode ser de anafilaxia – um quadro reativo que leva à asfixia e pode ser mortal, se não for imediatamente contrariado com uma injeção de adrenalina. Esta realidade tem vindo a agravar-se, sobretudo nos países desenvolvidos – os sintomas de asma, por exemplo, afetam 20% das crianças de 6 anos do Reino Unido e da Irlanda, 10% das portuguesas e menos de 5% das albanesas, segundo dados do ISAAC, International Study of Asthma and Allergies in Childhood. E as perspetivas não são animadoras: a Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica estima que, em 2025, o problema afete metade da população europeia. "O número de alergias está de facto a aumentar, provavelmente devido ao nosso meio ambiente, exterior e interior", diz à SÁBADO Antero Palma Carlos, professor jubilado de Medicina Interna e especialista em Imunoalergologia. A crescente higienização da sociedade e o consequente desequilíbrio do sistema imunitário, o recurso excessivo a antibióticos, aditivos alimentares e o aumento da poluição são algumas das justificações. Contudo, não é por acaso que o responsável pela criação da primeira consulta de alergia em Portugal, em 1962, no Hospital de Santa Maria, depois de décadas de prática clínica e mais de 800 artigos publicados, escolhe a palavra "provavelmente". A explosão de alergias das últimas décadas não está ainda inteiramente explicada.
O que está em causa
A base é genética – o risco de rinite alérgica aumenta 50% quando um dos pais é alérgico e ultrapassa os 80% quando ambos o são – mas a progressão rápida das alergias resulta de um complexo novelo de fatores. Já nos anos 90, os investigadores alertavam para o facto de os níveis de alergias na Alemanha Oriental terem disparado após a reunificação do país. E desde então diversos estudos têm vindo a apontar na direção da "teoria higienista" e a corroborar a ideia do aumento das alergias como uma consequência da poluição, um "preço do progresso" nas sociedades desenvolvidas.
As variáveis são tantas que a maioria dos estudos são muito parcelares. Mas, em 2016, a The New England Journal of Medicine, publicou um artigo que parecia conseguir ultrapassar alguns desses constrangimentos. Cientistas da Universidade de Chicago apresentavam uma possível explicação para as diferenças entre a prevalência de asma de apenas 5% das crianças amish do Indiana, que vivem em quintas unifamiliares, onde ainda se usam cavalos nos trabalhos agrícolas, e os valores anormalmente altos da doença (23%) entre os miúdos huteritas do Dakota do Sul, outra comunidade fechada, com a mesma base genética, mas que vive em grandes fazendas comunitárias muito mecanizadas. Segundo o estudo, a explicação estaria nas partículas de pó no ar e dentro das casas. Pela proximidade com os estábulos e celeiros, a poeira invisível em casas amish era "muito mais rica em produtos microbianos", o que estaria a ajudar o sistema imunológico inato das crianças a combater a asma. A relação desta doença com a poluição é também uma evidência. Em 2013, um estudo europeu cruzou dados sobre a proximidade das habitações de redes viárias com a prevalência de asma, e concluiu que a percentagem de casos de asma associados à poluição é muitíssimo elevada em Barcelona (23%) e bem mais baixa em cidades como Granada ou Estocolmo, na Suécia.
A "marcha alérgica"
O resultado infindável desse puzzle é ainda mutável ao longo da vida. E esse exacerbar dos sintomas e a progressiva alteração do padrão da doença deu origem ao conceito de "marcha alérgica". "Sabe-se que a dermatite atópica pesa na probabilidade de vir a ter asma, tal como quem tem eczema grave mais facilmente poderá ter uma alergia alimentar", explica o imunoalergologista Pedro Martins, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC).
Carla Zibreira toma desde 2016 uma vacina contra um determinado tipo de ácaros, os do armazenamento, um tratamento prescrito para cinco anos cujos efeitos são já notórios. Deixou os anti-histamínicos, já não se lembra de quando precisou de pôr gotas nos olhos e a entrada na primavera também deixou de a assustar. Mas em casa continua a não ter tapetes, a limpar o pó com um pano húmido e a ter todo o tipo de cuidados (ver caixa Proteger e Prevenir) – até por causa do gato.
Exemplo do que pode significar o conceito de "marcha alérgica" – que os médicos tentam travar a todo o custo –, Carla deixou a Fera entrar em casa e três meses depois teve uma primeira crise asmática.
Quando há dois anos os filhos lhe pediram um cão e ela sugeriu um gato, confiante no resultado de anteriores testes de alergias, estava longe de imaginar que escolher um animal de raça bengal pudesse fazer a diferença. Mas foi precisamente o que aconteceu. "Não sou alérgica a todos os gatos, mas sou alérgica ao meu! Tem a ver com a constituição química da saliva...", explica. Experimentou três testes, de laboratórios diferentes, teve confirmação do diagnóstico e já tentou tomar a vacina, mas o corpo não reagiu bem e vai esperar pelo fim da que está a fazer de momento.
Reações imprevisíveis
A alergia aos animais é precisamente o exemplo escolhido por Mário Morais de Almeida, presidente da Associação Portuguesa dos Asmáticos e coordenador do Centro de Alergia CUF, para explicar que a importância da avaliação clínica no diagnóstico das alergias. "Não faz sentido – e acontece – avançar com a retirada de animais de casa com base em resultados de exames, sem haver sintomas", diz à SÁBADO. A reação inversa à de Carla também se verifica – é comum a pessoa reagir a outros animais, mas não ao seu.
"Tem a sensibilização ao alergénio, mas ao mesmo tempo tem anticorpos de tolerância", explica o especialista em imunoalergologia. É por isso que Mário Morais de Almeida desaconselha a estas pessoas longos períodos sem animais. "Os donos de gatos gostam de fazer o luto e não ter logo outro, mas a minha sugestão é que assim que o gato começar a ficar velhinho, arranjar-lhe uma companhia. Se não o fizerem, depois pode não correr bem", explica.
Bom senso é essencial na gestão das alergias, defende o clínico. "Convém ver as etiquetas da roupa antes de decidir lavar tudo a 60%!", alerta. No que toca a prevenção, tomar todos os anos a vacina da gripe e evitar o fumo do tabaco podem ser as medidas que, de facto, fazem a diferença. Trata -se de controlar os fatores de agravamento e minimizar os sintomas. "Há coisas que não se conseguem evitar, mas se a pessoa é alérgica aos pólenes, ainda por cima fuma, e nesse dia está constipada... aí pode mesmo ir para ao hospital", exemplifica.
Os cuidados dependem da realidade de cada um. Filipe Martins, alérgico a ácaros e a pós, asmático, começou aos 8 anos a tomar uma vacina antialérgica. Parou há seis meses e com 14 anos faz uma vida normal. Joga hóquei em patins, tem sempre no saco "a bomba da asma", mas nunca sequer precisou. Foi aprendendo com a experiência a proteger-se. Os sintomas surgiam quando ficava constipado e essa passou a ser uma das suas preocupações: "comecei a ficar mais responsável e a ter mais cuidado, mudava de roupa assim que chegava a casa do treino, para não ficar suado, evitava correntes de ar", explica.
Controlar os sintomas
Não existe uma cura para as doenças alérgicas, são doenças crónicas. Travar a "marcha alérgica", controlar os sintomas e evitar crises é o poder que a medicina tem ao seu alcance – e é com esse objetivo que os médicos determinam o que fazer, entre uma panóplia de opções, em que se incluem medidas ambientais, recurso a fármacos e tratamentos de imunoterapia com vista à dessensibilização ao alergénio. É sempre um acompanhamento a longo prazo, individualizado. "Não existem doenças, existem doentes", sublinha Antero da Palma Carlos.
Entre os medicamentos mais utilizados estão os corticosteroides, potentes anti-inflamatórios tópicos ou nasais, mas sobretudo os anti-histamínicos, fármacos que bloqueiam a ação inflamatória da histamina. De acordo com o Infarmed, ao longo de 2017, foram vendidas mais de seis milhões de embalagens (6.127.288) e registaram -se dois picos de procura, em janeiro e maio, meses que, como o próprio relatório indica, "apresentam um maior nível de consumo, resultado respetivamente de síndromas gripais e alergias".
Os casos mais graves de asma ou urticária têm indicação para internamento e tratamento com medicamentos usados apenas nesse contexto e produzidos a partir de células vivas, como plantas e micro-organismos – soluções eficazes, mas que, "como acontece com todos os medicamentos biológicos implicam riscos, de reação local e anafilaxia", explica o imunoalergologista Pedro Martins. Além disso são caros, o que os torna desaconselhados para um sem -número de situações, já que "existem opções mais baratas e muito eficazes", explica Pedro Martins.
Vacinas para alimentos
A imunoterapia continua a ser o caminho mais utilizado e também o mais promissor. As chamadas "vacinas antialérgicas", injetáveis ou sublinguais, produzidas em laboratório, podem combinar quase a la carte vários alergénios – ácaros, polénes, gato, látex, etc. – e, apesar de aconselhar a toma por um período de três a cinco anos, começam a fazer efeito ao fim dos primeiros seis meses. Existem há mais de 30 anos para as alergias respiratórias e, apesar de ainda não estarem tão estudadas e generalizadas noutras áreas, para a imunoalergologista Sofia Luz, uma das criadoras da página Senhora Alergia, não há qualquer dúvida de que "nas alergias alimentares, esse é o futuro também".
Disponível no mercado, feita em fábrica, existe para já apenas a vacina para o pêssego. No entanto, nos hospitais centrais e algumas unidades privadas, os tratamentos de dessensibilização que são feitos para alergias aos medicamentos – que consistem numa exposição progressiva ao alergénio, em ambiente clínico vigiado – são também já feitos para algumas alergias alimentares.
"É como se estivéssemos a vacinar as crianças com leite, a reeducar o seu sistema imunitário a não reagir às proteínas do leite", explica Susana Piedade, imunoalergologista no Hospital CUF Descobertas. Os tratamentos demoram em média três a seis meses, e implicam além das visitas de algumas horas ao hospital de dia, a ingestão diária de uma pequena dose do alimento em causa. A especialista explica a abordagem que exige equipas muito especializadas e experientes, sendo esse é um dos motivos por que não está mais generalizada. Apesar disso, no seu hospital, conta, já foram dessensibilizadas ao leite dezenas de crianças e alguns adultos, tendo também sido já experimentada a dessensibilização de alérgicos ao ovo, ao trigo e ao peixe.
O objetivo é a dessensibilização total, a permitir uma dieta livre, mas mesmo quando não é atingido, e as doses toleradas são muito pequenas, as vantagens são evidentes. "Deixar de ter medo da reação por contacto acidental já é fantástico", comenta.
Deixar de ler os rótulos à procura da indicação ‘pode conter vestígios de’ faz a diferença. Além disso, estão a decorrer ensaios, nomeadamente na universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que combinam estes tratamentos de dessensibilização com um dos medicamentos biológicos usados no tratamento da asma, o Omalizumab, um anticorpo monoclonal usado para reduzir a sensibilidade a alergénios e travar a cascata de sintomas alérgicos. Os investigadores estão otimistas, até porque o medicamento se tem mostrado eficaz no aceleramento da dessensibilização com amendoim, um dos mais poderosos alergénios.
Custos de 1.300 euros
As vacinas antialérgicas chegaram a ser comparticipadas a 50%, contra receita e através de reembolso, mas em 2010 isso deixou de acontecer e nenhum dos médicos ouvidos pela SÁBADO tem dúvidas do efeito dissuasor da medida. "Já foi reconhecido que se tratou de um erro, mas ainda não foi corrigido", diz Mário Morais de Almeida. O custo vai de 300 a 400 euros anuais (preço das vacinas sublinguais para as alergias respiratórias) até aos 1.300 euros uma vacina para o pêssego.
Apesar de eficaz, além de cara, a imunoterapia também não serve a todos. Mariana Vital, de 31 anos, tem asma, sofre de eczema atópico e é alérgica ao ovo e aos laticínios. "Aos 16 ou 17 anos, comecei uma vacina para as alergias respiratórias, mas não reagi bem e tive de interromper o tratamento", conta. Desde o primeiro diagnóstico, que a levou a um coma hospitalar induzido ainda antes de fazer 2 anos, Mariana tem pas- sado por diferentes fases. Corticoides, imunossupressores e sessões com radiação ultravioleta fazem parte de uma longa lista de tratamentos por que já passou. "Quando estava melhor da asma, piorava da pele", desabafa.
A última grande crise de alergias, aos 27 anos, coincidiu com uma promoção e o aumentar das responsabilidades – o stress é um dos seus piores inimigos. No mundo das alergias, ainda há muito por explicar e cada história é única. No seu caso, "não é UM alimento, não há UMA causa única, UM tratamento, o problema vai estar comigo a vida toda", explica com serenidade. Faz profilaxia diária, uma avaliação da função respiratória semestral e vai continuar a "apanhar frio" para evitar as comichões que lhe dão o calor e a ser acompanhada na consulta de imunoalergologia. Foi mãe há três meses e não interrompeu a medicação. A bebé, inteiramente saudável, chama-se Maria do Carmo.

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sábado, 25 de maio de 2019

Os nossos dentes podem ajudar na ciência

Depois de perder um dente ao cair enquanto brincava, a professora Tamiris de Souza Rodrigues, na época com 12 anos, recebeu atendimento na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ao ser avaliada, os dentistas informaram à menina que o dente não poderia ser recolocado e seria substituído por um de resina.
"Os dentistas me explicaram, então, que eu poderia doar meu dente para pesquisas na universidade, e eu o doei", lembra Tamiris.
O dente permanente da professora infantil foi para um Banco de Dentes Humanos, uma instituição sem fins lucrativos vinculada às universidades, que utilizam dentes humanos para desenvolverem estudos como parte de cursos de graduação, mestrado e doutorado.
"Inúmeras pesquisas utilizam dentes em seus estudos. As mais comuns são: endodontia (tratamentos de doenças e lesões da polpa dentária), dentística (odontologia estética e restauração), ortodontia (alinhamento dos dentes), odontopediatria, próteses e implantes", explica o professor José Carlos Imparato, da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo.
"Nos dentes dos Bancos de Dentes Humanos, aprimoramos técnicas com os alunos e pesquisadores para tratar canais, testamos materiais, como as massinhas para cobrir buracos deixados por cárie e etc", prossegue Imparato. "São graças às pesquisas com dentes cariados, por exemplo, que hoje é muito menos invasivo retirar uma cárie."
Atualmente, Tamiris é mãe de um menino de cinco anos que acabou de perder o primeiro dente de leite. Em vez de jogar o dente no lixo ou deixá-lo para a "fada do dente", Tamiris mais uma vez doará o dente às pesquisas.
A iniciativa pode ser repetida por qualquer pessoa, explica Imparato - que é coordenador do BioBanco de Dentes da Faculdade de Odontologia da USP.
"Quaisquer dentes são aproveitados nos Bancos de Dentes Humanos tanto para a pesquisa como para o ensino: dentes sadios, restaurados, cariados, fraturados, permanentes ou decíduos (dentes de leite). Até o dente do siso serve para pesquisas e pode ser doado", explica Imparato.
Além das pesquisas odontológicas, nos anos 1990 a comunidade científica mundial descobriu que a polpa dentária era rica em células-tronco e, desde então, os dentes também têm sido usados em pesquisas sobre regeneração óssea e doenças genéticas, como o autismo.
No momento, o BioBanco da USP faz uma campanha nacional de doações de dentes de leite chamada O Endereço da Fada de Dente. Os dentes podem ser levados pessoalmente à Faculdade de Odontologia, em São Paulo, ou enviados pelo correio, acompanhados de um termo legal de autorização assinado pelo responsável do doador.
"Além de precisarmos desses dentes de leite para continuarmos nossas pesquisas, gostaríamos que as famílias estimulassem os filhos a doarem seus dentes e enfatizar a eles que isso é o mesmo que doar órgãos", afirma Imparato. "Quem sabe um dia nós teremos uma geração mais sensível à doação de órgãos."
Ao saber da campanha do BioBanco de dentes da USP, a jornalista Juliana Procópio lembrou que tem guardado um de seus dentes de leite há 20 anos. "Me surpreendi ao saber que, mesmo depois de décadas e sem armazenamento especial, o meu dente de leite ainda serve para as pesquisas".
A mãe da jornalista é quem guardava os dentes de leite junto com outras lembranças da infância da filha, mas, tempos atrás, a mãe resolveu jogar os dentes de Juliana fora. "Eu fiquei com dó, apenas pela memória emocional, de ver os meus primeiros dentes irem para o lixo. Daí eu peguei um e guardei-o comigo, mas agora vou doá-lo ao BioBanco da USP", conta a jornalista.
O coordenador Imparato explica que qualquer dente humano, independentemente do tempo e do modo como foi guardado, pode ser doado a um Banco. "Não há limite de tempo para um dente. A única coisa que chamamos atenção é que um dente de leite, por ser menor e frequentemente não ter raiz, tem maior chance de fraturar do que um dente permanente quando está fora da boca".
Segundo a tese de doutorado Levantamento dos Bancos de Dentes Humanos dos Cursos de Odontologia no Brasil, existem cerca de 64 bancos do tipo em todo o país vinculados às principais faculdades de odontologia do país, que são mantidos exclusivamente por meio da doação de dentes, já que o comércio do órgão é ilegal.
"É importante lembrar que o dente é um órgão humano como qualquer outro", explica a professora da Universidade Estadual de Feira de Santana Dayliz Quinto Pereira, coordenadora do Banco de Dentes Humanos da UEFS. "Por isso, pesquisas que envolvem dentes humanos, assim como pesquisas com outros órgãos, só podem ser publicadas em revistas científicas após aprovação do Conselho de Ética e com a autorização legal do doador do dente".
A remoção, manipulação e doação do dente humano está submetida à Lei 9.434/97, Lei de Transplantes, que dispõe sobre todas as partes do corpo humano utilizadas em transplantes, estudos e tratamentos. De acordo com a Lei, quem remove órgãos e tecidos inclusive após a morte de pessoas de maneira não identificada pode ser condenado à pena de três a oito anos de prisão.
No Brasil, desde os anos 2000, os dentes humanos também são utilizados em alguns laboratórios que desenvolvem pesquisas com células-tronco da polpa dentária. É o caso do BDH da UEFS.
"Nosso BDH tem bolsistas que iniciaram pesquisas sobre as vantagens e desvantagens em utilizar células-tronco encontradas na polpa dos dentes, uma vez que temos uma estrutura física que favorece a retirada e armazenamento das células-tronco dentária", explica Pereira.
Uma vantagem de se utilizar a célula-tronco da polpa dentária está na facilidade e no procedimento minimamente invasivo em remover dos dentes estas células quando comparada às outras fontes de células-tronco, como o tecido adiposo, cordão umbilical e medula óssea.
Em 2005, a professora do Instituto de Biociência da USP Maria Rita dos Santos e Passos-Bueno, começou a desenvolver as primeiras pesquisas brasileiras em células-tronco retiradas dos dentes de leite.
"Os objetivos iniciais eram avaliar o uso das células-tronco dos dentes de leite para reconstrução óssea do tecido craniano", afirma Passos-Bueno, explicando que foi comprovado nos primeiros estudos que essas células eram capazes de acelerar o processo de regeneração óssea do crânio. Atualmente, as células-tronco da polpa dentária têm sido usadas nos estudos sobre doenças genéticas como fissuras lábio-palatinas (FLP) e autismo.
"A partir das células-tronco da polpa dentária, buscamos novos caminhos para a compreensão de doenças genéticas", explica a pesquisadora. "Em relação às fissuras lábio-palatinas, descobrimos que o mau funcionamento de genes de reparo de DNA, como BRCA1, pode contribuir para o nascimento de uma criança com FLP. Já em autismo, o uso dessas células foi importante para demonstrarmos a associação de um novo gene, o TRPC6, ao autismo".
Quando questionada se um dia será possível que células-tronco retiradas do dente de leite sejam armazenadas para que, no futuro, seu próprio dono use-as para tratar uma doença ou lesão craniofacial grave, Passos-Bueno é otimista. "Sim, é possível, mas ainda não temos como predizer, principalmente porque não temos bancos de células-tronco de não doadores-específicos", afirma a pesquisadora, se referindo à possibilidade de, no futuro, cada pessoa poder ter um banco formado por suas próprias células-tronco e para uso próprio.
De volta à professora Tamiris, ela comprou uma caixinha para guardar os dentes de leite do filho de cinco anos. "Vou doar, com os próximos que cairão, para a Faculdade de Odontologia da UFRJ, igual fiz dez anos atrás com meu próprio dente", conta ela, que mesmo assim não conseguiu se esquivar da "fada do dente".
"Expliquei ao meu filho que doaríamos o dente, mas um dia ele chegou da escola falando que um amigo havia contado sobre a fada do dente. Eu deixei ele colocar o dente por uma noite embaixo do travesseiro dele, deixei um dinheiro ali, como diz a história, mas, no dia seguinte, voltei a guardar o dente na caixinha."

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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Aumento da mortalidade materna em Portuga preocupar a classe médica

A tendência crescente da mortalidade materna em Portugal, iniciada em 2013 e que há dois anos atingiu valores inexistentes desde 1991, está a preocupar a classe médica e a justificar alertas para o estudo pormenorizado dos dados.
Segundo noticia este domingo o JN, em 2017 morreram nove mulheres na sequência da gravidez ou do parto - o valor mais alto desde 1991. Em rigor foram 10,4 óbitos maternos por cada 100 mil nados-vivos, mas a relação entre esse número e o dos 86.514 nascimentos nesse ano resulta naquela média de nove mortes.
"Desde 2013 que está a subir ao ritmo de uma morte por ano. Nove mulheres é uma subida importante e significativa", observa a Ordem dos Médicos.
João Bernardes, presidente do Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, adianta ao JN que os números deverão ser superiores pelo facto de os cálculos terem por base os nados-vivos e nados-mortos. "Quanto mais nados-mortos, maior a taxa de mortalidade materna", alerta o especialista.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) relaciona esse crescimento da mortalidade materna com o aumento da idade em que as mulheres optam por engravidar. "Entre 2014 e 2017, quase 60% das mortes maternas ocorreram em mulheres com 35 ou mais anos de idade" - as quais foram responsáveis por quase um terço de todos os nados-vivos nesse período, acrescenta.

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quinta-feira, 23 de maio de 2019

A Dieta Mediterrânica pode proteger contra o aparecimento de sintomas associados à Depressão

As últimas evidências indicam que seguir uma dieta Mediterrânica, rica em frutas, vegetais, nozes e cereais, pode trazer muitos benefícios à saúde, incluindo proteção contra problemas cardiovasculares e metabólicos. Mais recentemente, um estudo apresenta também uma ligação entre essa dieta e um menor risco do aparecimento de um estado depressivo.
Além disso, as pessoas que seguem dietas de estilo mediterrânico recorrem bastante ao azeite para cozinhar, que é uma boa fonte de gordura monoinsaturada.
Curiosamente, esta é uma dieta saudável e nutritiva, e muitos estudos parecem apoiar essa afirmação. Nos últimos anos, os investigadores mostraram que as dietas mediterrânicas podem reduzir significativamente o risco cardiovascular, diminuir a perda óssea na osteoporose, promover mecanismos antineoplásicos e apoiar a saúde do cérebro.
Algumas investigações encontraram até mesmo uma associação entre dietas de estilo mediterrânico e um risco reduzido de depressão.
Agora, os resultados de um novo estudo – cujo os autores apresentaram-nos na Reunião Anual da Associação Americana de Psiquiatria (APA) deste ano em São Francisco, Califórnia – vem dar mais um suporte a essas alegações.
Na Reunião Anual da APA, o Dr. Konstantinos Argyropoulos e os seus colegas da Hellenic Open University, em Patra (Grécia), mostraram que as pessoas que aderem a uma dieta mediterrânica parecem menos propensas a desenvolver sintomas de depressão mais tarde na vida.
A equipa de pesquisa trabalhou com pessoas idosas que se encontravam em lares da região de East Attica, na Grécia. De todos os participantes do estudo, 64% tiveram uma adesão moderada à dieta mediterrânica, enquanto 34% relataram uma alta adesão.
De entre toda a amostra, não só quase 25% dos indivíduos apresentaram sintomas de depressão, como a percentagem de mulheres com depressão era superior ao número de homens.
Os investigadores descobriram que os participantes que tinham uma alta adesão a uma dieta mediterrânica - especificamente a dieta que tinha um alto teor de vegetais, mas poucos produtos de aves, e um baixo consumo de álcool - tinham uma menor probabilidade de desenvolver depressão ou sintomas associados à depressão.
"Os nossos resultados confirmam que a depressão em adultos mais velhos é comum e fortemente associada a vários fatores de risco", observaram os autores do estudo. No entanto, o Dr. Argyropoulos e a sua equipa também alertam que seu estudo foi observacional e não procuraram provar uma relação de causa e efeito.
Por esta razão, eles advertem que a causalidade pode estar presente de qualquer forma: comer uma saudável dieta mediterrânica pode levar a uma melhor saúde mental, mas igualmente, a depressão pode afetar a capacidade de uma pessoa seguir uma dieta nutritiva e levar uma vida saudável.

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quarta-feira, 22 de maio de 2019

A maioria dos protetores solares usa produtos químicos como oxibenzona, avobenzona e octocrileno para bloquear os raios nocivos. Esses produtos químicos orgânicos absorvem a radiação ultravioleta e a convertem em uma pequena quantidade de calor.
No entanto, estudos em animais levantaram preocupações de que essas substâncias químicas, a oxibenzona em particular, possam alterar os padrões hormonais normais nas pessoas, observaram os pesquisadores da FDA em seu estudo.

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terça-feira, 21 de maio de 2019

Azitromicina pode reduzir falha terapêutica nas crises de doença pulmonar obstrutiva crônica
Um curso prolongado de baixa dose de azitromicina pode reduzir significativamente a falha terapêutica nos pacientes internados por exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), sugerem novos dados.
Embora os benefícios clínicos da estratégia pareçam diminuir ao longo do tempo após a suspensão do antibiótico, "nossa proposta de intervenção pode ajudar a enfrentar o período de maior risco de reinternação e oferecer uma nova forma de tratamento da exacerbação infecciosa grave da DPOC que exige hospitalização", escreveram Kristina Vermeersch e colaboradores, ela do Departamento de Doenças Respiratórias dos Hospitais da Universidade de Leuven, na Bélgica, em um artigo publicado on-line no American Journal of Respiratory e Critical Care Medicine.
Em estudos anteriores, o acréscimo do tratamento prolongado com azitromicina como conduta convencional tem sido associado a menor risco de exacerbação entre os pacientes com DPOC frequentemente internados por distúrbios respiratórios, mas este é o primeiro estudo a investigar essa estratégia quando o medicamento é iniciado no momento da internação hospitalar, escrevem os autores.
O ensaio multicêntrico analisou os desfechos de 301 pacientes hospitalizados com exacerbação da DPOC. Os pacientes foram randomizados para o tratamento com azitromicina (N = 147) ou placebo (N = 154) em até 48 horas após a internação. O grupo de tratamento recebeu azitromicina 500 mg por três dias, seguida de azitromicina 250 mg a cada dois dias durante 90 dias. O desfecho primário foi o tempo até a falha terapêutica, definida como ocorrência de qualquer um dos três desfechos: necessidade de intensificação do tratamento, necessidade de intensificar a assistência hospitalar ou morte por qualquer causa.
No total, 69 pacientes do grupo da azitromicina (49%) e 86 do grupo placebo (60%) apresentaram falha terapêutica (razão de risco ou hazard ratio, HR, de 0,73; intervalo de confiança, IC, de 95%, de 0,53 a 1,01; P = 0,0526) durante a fase do tratamento, informaram os autores.
Embora a diferença de 18% de falha terapêutica não tenha sido estatisticamente significativa, os resultados indicam uma forte tendência em favor da intervenção, disseram os autores. O ensaio clínico, observam os pesquisadores, teve baixo poder estatístico porque a meta de recrutamento foi reduzida devido à lentidão do recrutamento, segundo os autores. Isto poderia levar à falta de significância estatística.
No entanto, quando analisados individualmente, dois dos três componentes da falha terapêutica apresentaram reduções estatisticamente significativas com a azitromicina em comparação ao placebo. Especificamente, três meses após a randomização, 47% dos pacientes no grupo da azitromicina precisaram de intensificação vs. 60% no grupo do placebo (HR = 0,70; IC 95%, de 0,51 a 0,97, P = 0,0272) e 13% dos pacientes do grupo da azitromicina precisaram de intensificação do tratamento ou reinternação versus 28% no grupo do placebo (HR = 0,43; IC 95%, de 0,25 a 0,75, P = 0,0024). Não houve diferença significativa de casos de morte entre os dois grupos que foi de 2% vs. 4% (HR = 0,62; IC 95%, de 0,15 a 2,59; P = 0,5075).
O tratamento com azitromicina foi benéfico em relação a várias medidas durante a internação. O tempo de internação durante o período de três meses foi reduzido de uma média de 14 dias para 11 dias, e a média do número de dias na unidade de tratamento intensivo foi reduzida de 11 dias para três dias, relatam os autores.
Durante o estudo, houve três eventos de prolongamento do intervalo QTc, dois no grupo do tratamento e um no grupo do placebo. Nem esta diferença nem a observada para qualquer outro evento adverso foi significativa, destacam os autores.
A diferença máxima entre os grupos na incidência de falha terapêutica foi observada 30 dias depois da suspensão do medicamento. Após a interrupção do tratamento, os índices de falha terapêutica de ambos os grupos convergiram e se superpuseram.
"A clara convergência do momento até o evento forma uma curva seis meses depois da retirada do medicamento demonstrando que o tratamento prolongado parece ser necessário para sustentar seus benefícios clínicos", escrevem os autores. É possível, acrescentam, que seja preciso mais de três meses de tratamento para "interromper suficientemente o círculo vicioso de inflamação a ponto de alterar o fenótipo de 'exacerbação frequente'," escreveram os pesquisadores.
Ao vincular o tratamento hospitalar da exacerbação grave da DPOC e o tratamento ambulatorial após a alta, a intervenção proposta corrige uma lacuna no tratamento de urgência desses pacientes durante o qual um processo inflamatório ativo pode ainda estar "latente", disseram os autores. Além dos recentes ensaios clínicos mostrando diminuição das internações hospitalares com corticosteroides inalatórios e inibidores da fosfodiesterase 4, "nenhuma outra intervenção regular baseada em evidências demonstrou tamanho potencial além do tratamento de manutenção com broncodilatadores ação prolongada", continuam os pesquisadores.
A estratégia de intervenção proposta pelos autores tem importantes implicações clínicas, de acordo com o Dr. James F. Donahue, médico e professor de medicina na Divisão de Pneumologia e Medicina Intensiva da University of North Carolina na Chapel Hill School of Medicine.
"A terapêutica e a recidiva são questões importantes na DPOC," disse Dr. James em uma entrevista para o Medscape. "Reduzir esses índices pode diminuir o ônus da doença e melhorar o tratamento desses pacientes".
A azitromicina é amplamente utilizada na medicina para tratar doenças como bronquiolite obliterante com pneumonia em organização, panbronquiolite e doença de pequenas vias respiratórias, entre outras. Além do seu efeito antimicrobiano, a azitromicina também exerce outros efeitos importantes que podem contribuir para sua eficácia nestes pacientes, disse Dr. James.
"Os macrolídios têm efeito na função das células caliciformes e das glândulas submucosas, reduzindo a hipersecreção de muco nas vias respiratórias, como a bronquite crônica, que atinge as células caliciformes e as glândulas de muco", explicou o médico.
Dr. James destacou que a estratégia de intervenção deve ser considerada com cuidado, especialmente no que diz respeito ao programa de administração supervisionada de antibióticos. O médico indicou que o potencial de uso excessivo de antibióticos "em um ambiente já saturado" poderia mudar os padrões de resistência aos antimicrobianos.
Os autores reconhecem que a resistência bacteriana é o principal risco do uso prolongado da azitromicina. No estudo, os pesquisadores monitoraram a resistência, mas o pequeno número de amostras de escarro inviabilizou a avaliação completa da indução de resistência pela azitromicina.
Dado o potencial de resistência aos antibióticos, bem como a possibilidade de efeitos pró-arrítmicos, os pesquisadores recomendam uma "abordagem cautelosa e individualizada" ao escolher os pacientes que podem se beneficiar ao máximo deste tratamento.
O estudo foi financiado pela Agência de Inovação, Ciência e Tecnologia do governo de Flandres (Fwo Vlaanderen), Belgium Respiratory Society e pela empresa Teva da Bélgica. Os autores do estudo informam ter relações financeiras com várias empresas, com Boehringer-Ingelheim, AstraZeneca, Novartis, Chiesi, GlaxoSmithKline, UCB Pharma, MSD, Pfizer, Teva, Zambon e Sanofi/Regeneron. O Dr. James Donahue informou não ter conflitos de interesses relevantes.

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segunda-feira, 20 de maio de 2019

Incidência de cancro colorretal está a aumentar em adultos mais jovens

Novos casos de cancro de intestino aumentaram significativamente entre pessoas com idades entre os 20 e os 39 em vários países europeus. O cancro colorrectal é o terceiro tipo de cancro mais comum em termos mundiais.
A incidência de casos de cancro colorrectal está a aumentar em pessoas com menos de 50 anos em pelo menos sete países desenvolvidos, embora esteja a diminuir ou a estabilizar na população mais velha. Um estudo publicado hoje na revista científica The Lancet analisou os registos oncológicos de vários anos em sete países: Austrália, Canadá, Dinamarca, Irlanda, Noruega, Nova Zelândia e Reino Unido.
Em todos os países estudados foi detectado um declínio ou estabilização da incidência dos casos de cancro do cólon e do recto, sendo que foram analisados dados desde que cada um dos países tem registos até 2014. Contudo, analisadas separadamente as faixas etárias abaixo e acima dos 50 anos, os dados apontam em sentidos distintos.
Nas pessoas entre os 50 e os 74 anos, a incidência tem vindo a baixar nos sete países estudados, enquanto nos que têm menos de 50 anos a incidência aumentou. O estudo considera que será necessária investigação adicional para estabelecer as causas deste aumento de casos em adultos mais jovens e para definir eventuais políticas preventivas e de detecção precoce. Aliás, a diminuição da incidência em pessoas acima dos 50 anos é atribuída em grande medida à implementação de rastreios.
Outro estudo divulgado esta quinta-feira pelo British Medical Journal aponta para a mesma situação na Europa, afirmando que o cancro colorrectal está a subir nos adultos na faixa entre os 20 e os 49 anos. “As taxas aumentaram mais acentuadamente entre o grupo etário mais jovem (20-29 anos)”, afirmam os investigadores, alertando que, se a tendência persistir, as directrizes de triagem podem precisar de ser reconsideradas
Ao longo da última década, o número de novos casos de cancro do intestino aumentou na maioria dos países europeus, mas a situação nos adultos mais jovens não era clara, o que levou uma equipa de investigadores a analisar registos de cancro nacionais e regionais sobre o número de novos casos e mortes relacionadas com o cancro do intestino entre 1990 e 2016.
Os investigadores utilizaram dados de 143 milhões pessoas com idade entre 20-49 anos de 20 países, incluindo Alemanha, Suécia, Reino Unido e Holanda. Entre 1990 e 2016, um total de 187.918 pessoas foram diagnosticados com cancro do intestino e houve um aumento acentuado no número de casos novos nos últimos anos.
Entre os 20 e os 29 anos de idade, a incidência desta doença subiu de 0,8 para 2,3 casos por 100.000 pessoas entre 1990 e 2016, e o aumento mais acentuado foi entre 2004 e 2016, de 7,9% por ano. Para o grupo de 30-39 anos de idade, a incidência aumentou menos abruptamente do que na faixa etária mais jovem, em média de 4,9% ao ano de 2005 a 2016. No grupo etário 40-49 anos, as taxas caíram 0,8% entre 1990-2004, mas aumentaram ligeiramente em 1,6% ao ano de 2004 para 2016.

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arma terapêutica



Nova “arma terapêutica”. IPO usa células geneticamente modificadas para tratar o cancro do sangue
O Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto administrou pela primeira vez em Portugal uma terapia no tratamento do cancro do sangue assente na modificação genética de células, que supõe uma taxa de sucesso de 40%.
Em declarações à agência Lusa, citada pelo Expresso na quinta-feira, o diretor da Clínica de Onco-Hematologia, José Mário Mariz, explicou que esta terapia se aplica apenas a dois tipos de tumores – linfomas e leucemias – e em doentes cuja doença não está controlada, mesmo depois de submetidos a todas as terapêuticas convencionais.
O médico adiantou que, esgotando todas as possibilidades de tratamentos, esses doentes ficam sem opções e, “infelizmente”, com uma esperança média de vida de seis meses. Com a administração desta nova terapia, José Mário Mariz revelou que 40% desses doentes têm a doença controlada ao fim de dois anos.
“Não sendo excecional é bastante melhor do que o que tínhamos até agora. Há doentes em que a terapia vai falhar, infelizmente, mas cerca de 40% deles vão estar curados ou com a doença controlada ao fim de dois anos”, frisou.
Apesar de falar num “grande avanço”, o clínico sublinhou que este tratamento não vai resolver todos os cancros de sangue, mas é uma importante “arma terapêutica”.
Quanto ao processo em si, explicou que a “grande inovação” da terapia passa por células geneticamente modificadas. O processo começa com a recolha de linfócitos dos doentes que, posteriormente, são enviados para um laboratório nos Estados Unidos (EUA) onde vão ser geneticamente modificados para detetar e destruir as células cancerígenas.
O IPO/Porto já começou a fazer tratamentos com células CAR-T [designação dada], tendo infundido na terça-feira na primeira doente em Portugal, uma mulher de 39 anos, os Linfócitos T geneticamente modificados.
“Este processo, desde a colheita ao laboratório e ao regresso ao hospital de origem, demora cerca de quatro semanas. As células chegam criopreservadas e podem manter-se por um ano”, disse o clínico.
Revelou igualmente que a companhia forneceu a Portugal oito tratamentos sem custos diretos, entrando depois estes numa fase comercial.
Dizendo ainda não haver discussão de preços no país, contou que nos EUA só o tratamento ronda os 400 mil euros por doente, valor que não engloba os gastos indiretos, mas apenas a transformação das células.
O presidente do Conselho de Administração do IPO/Porto, Laranja Pontes, recordou que há vários anos que assumiu que a inovação e qualidade são dois dos vetores a perseguir. Para poder acolher esta nova terapia, falou em “muito tempo de sacarificação, organização de serviços, criação de novas competências e recrutamento de pessoal”.
Esta terapia está a começar a ser instalada em alguns países da Europa, adiantou, acrescentando que Portugal provou que também é capaz nesta matéria. “A criação de condições vai permitir-nos entrar em novos ensaios clínicos de firmas comerciais e indústria farmacêutica de outros continentes”, salientou.

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domingo, 19 de maio de 2019

Risco de infecção por sarampo pode aumentar 50% até 2050

Com os actuais programas de vacinação, a percentagem de indivíduos em risco de contrair sarampo deverá aumentar mais de 50% entre 2018 e 2050. Nos países mais afectados, nem medidas excepcionais como a proibição de entrada na escola sem vacinas vão conseguir evitar surtos da doença.
Os movimentos antivacinação e a hesitação de alguns pais em várias regiões do mundo estão a ameaçar seriamente a manutenção da alta cobertura contra o sarampo se apenas confiarmos nos actuais programas de imunização. É preciso pensar em novas e eficazes estratégias, adaptadas à realidade de cada país e que sejam capazes de evitar o aumento de indivíduos susceptíveis (não vacinados) e, ao mesmo tempo, resolver as lacunas noutros grupos etários que escaparam aos programas e actualmente não estão protegidos. Para (voltar a) eliminar o sarampo é preciso muito mais do que o que estamos a fazer, conclui-se no estudo divulgado esta sexta-feira na revista de acesso aberto BMC Medicine.
“Nos últimos anos, assistimos a um ressurgimento do sarampo mesmo em países onde, de acordo com as directrizes da Organização Mundial da Saúde, a eliminação já deveria ter sido alcançada”, lê-se na introdução do artigo publicado na BMC Medicine, que faz parte do grupo Springer Nature. Nos países mais ricos, constatam ainda os investigadores do Centro para Tecnologia de Informação, em Trento, e da Universidade de Bocconi, em Milão, ambos em Itália, “o aumento dos movimentos antivacinação e a hesitação parental sobre as vacinas estão a colocar grandes desafios para a obtenção e manutenção de alta cobertura com os rotineiros programas de vacinas”. Prova disso será o facto de Itália e França terem já aprovado novos regulamentos, respectivamente em 2017 e 2018, com o objectivo de aumentar as taxas de imunização entre as crianças, introduzindo a vacinação obrigatória na entrada na escola.
Neste trabalho, os investigadores estudaram sete países diferentes (Reino Unido, Irlanda, Itália, Estados Unidos, Austrália, Singapura e Coreia do Sul) para simular a evolução dos perfis de imunidade contra esta doença e avaliar o efeito de possíveis ajustes nos programas de vacinação. No início desta semana, os Centros para Controlo e Prevenção de Doenças anunciaram um novo total de 839 casos individuais de sarampo em 23 estados dos EUA desde o início do ano, representando o maior surto de sarampo naquele país nos últimos 25 anos.
A análise teve em conta as características demográficas específicas de cada país, considerando as actuais lacunas de imunidade em indivíduos de determinados grupos etários, e os dados registados em 2018. Os cientistas apresentam diferentes cenários para a evolução até 2050 que, resumidamente, se baseiam na melhoria ou manutenção das estratégias existentes e que são garantidas por programas nacionais de vacinação e, por outro lado, na possível adopção de outras medidas excepcionais como a introdução de uma vacinação obrigatória na entrada na escola primária em países onde existe ensino obrigatório.
Passar o limiar de segurança
Resultados? O modelo mostra que, sob as actuais políticas de vacinação, apenas Singapura e a Coreia do Sul ficariam com uma fracção da população susceptível abaixo do limiar que é considerado seguro para garantir a eliminação do sarampo. Esse limiar, dizem os cientistas, não deverá ultrapassar os 7,5% da população. “No Reino Unido, Irlanda, EUA e Austrália, o aumento da cobertura de programas de rotina acima de 95% ou a introdução de uma vacinação obrigatória na entrada da escola com cobertura acima de 40% são necessários para manter indivíduos susceptíveis abaixo de 7,5% até 2050”, concluem no artigo.
Quase quatro mil casos de sarampo na Europa no primeiro trimestre deste ano
Quase quatro mil casos de sarampo na Europa no primeiro trimestre deste ano
Em 2018, a proporção da população susceptível à infecção por sarampo nos países estudados variou de 3,7% no Reino Unido a 9,3% em Itália (o único país em que a proporção foi superior a 7,5%). Na Austrália, Irlanda, Reino Unido e EUA, os programas de vacinação precisariam de continuar a assegurar a cobertura de mais de 95% da população para manter a proporção de indivíduos susceptíveis abaixo de 7,5% até 2050. No caso de Itália, mesmo com medidas excepcionais para responder a este problema, as projecções dos cientistas para 2050 apontam para um possível cenário dramático com o nível de susceptibilidade a alcançar mais de 14% da população e mais de 50% dos indivíduos susceptíveis com mais de 25 anos. “Os nossos resultados mostram que, caso os níveis de cobertura dos programas actuais permaneçam inalterados, a percentagem de indivíduos em risco de infecção deve aumentar entre 2018 e 2050 em mais de 50% em todos os países, com excepção da Coreia do Sul”, lê-se no artigo.
Apesar de considerarem que medidas como a vacinação obrigatória na entrada na escola são “certamente benéficas”, os cientistas avisam que isso não é suficiente para travar o perigo. É preciso também responder às lacunas dos programas de vacinação que fizeram com que alguns indivíduos adultos de determinadas faixas etárias possam estar hoje desprotegidos. Uma coisa é certa: “As actuais políticas de vacinação não são suficientes para alcançar e manter a eliminação do sarampo na maioria dos países.”

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