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domingo, 12 de abril de 2026

Notícias

“Estimulação cerebral pode melhorar sintomas de PTSD ao reduzir a atividade do ‘centro do medo’”


Artigo científico:
Sanne J.H. van Rooij et al, Personalized fMRI-Guided TMS Targeting the Threat Neurocircuitry in PTSD: A Randomized Clinical Trial, American Journal of Psychiatry (2026). DOI: 10.1176/appi.ajp.20250749


Um estudo recente sugere que a estimulação magnética transcraniana (TMS), uma técnica não invasiva de estimulação cerebral, poderá contribuir para a melhoria dos sintomas da Perturbação de Stress Pós-Traumático (PTSD). Esta abordagem utiliza impulsos magnéticos para modular a atividade de regiões específicas do cérebro. No caso do PTSD, uma das estruturas mais associadas à doença é a amígdala, responsável pelo processamento do medo e das respostas a ameaças, que frequentemente apresenta uma atividade aumentada nestes doentes. No estudo, os investigadores recorreram a ressonância magnética funcional (fMRI) para identificar com maior precisão as áreas cerebrais a estimular, permitindo adaptar o tratamento a cada participante. Cinquenta adultos com sintomas de PTSD participaram no ensaio clínico, sendo distribuídos entre um grupo que recebeu estimulação ativa e um grupo placebo. Os resultados demonstraram que a TMS reduziu a reatividade da amígdala direita perante estímulos ameaçadores e esteve associada a melhorias significativas dos sintomas. Os benefícios foram observados após duas semanas de tratamento e mantiveram-se durante pelo menos seis meses, com cerca de 74% dos participantes a apresentar uma redução clinicamente relevante dos sintomas.





"Investigação em Leiria desenvolve ferramenta que ajuda no diagnóstico de lesões cancerígenas na pele"



Uma investigação que está a ser desenvolvida em Leiria visa a criação de uma ferramenta para apoiar os dermatologistas no diagnóstico de lesões cancerígenas na pele, nomeadamente o melanoma. O processo passa por captar imagens, com recursos a câmaras específicas, de uma lesão na pele, depois armazenadas num computador e, através de uma aplicação computacional, é feita a classificação da lesão como melanoma ou não melanoma em poucos segundos. Atualmente, quando existe suspeita de uma lesão cutânea maligna, é muitas vezes necessário retirar uma pequena amostra de pele para análise laboratorial", mas o que se pretende é, com um diagnóstico mais assertivo, "reduzir essa necessidade, permitindo analisar a lesão de forma não invasiva, através de imagens tridimensionais e análise computacional avançada. Para já, estão a ser trabalhadas cerca de 350 imagens de lesões dermatológicas recolhidas no Hospital de Santo André, em Leiria, e que "são utilizadas no treino dos algoritmos", para depois ser criada "uma ferramenta de apoio diagnóstico dermatológico", o que deverá acontecer em 2028.






“Cobre contra o cancro: Nova terapia é 100 vezes mais potente”


Investigadores da Universidade do Ruhr, na Alemanha, desenvolveram um agente terapêutico inovador à base de cobre que demonstra uma eficácia cem vezes superior à da quimioterapia convencional. A descoberta, publicada na revista Advanced Functional Materials, promete contornar a resistência celular aos tratamentos atuais e revolucionar o combate oncológico. A estratégia baseia-se num mecanismo de morte celular recentemente descoberto (em 2022) chamado "cuproptose", que consiste na destruição das células devido ao excesso de cobre no seu interior. Para garantir que o composto ataca apenas o tumor e protege os tecidos saudáveis, a equipa encapsulou o agente em nanopartículas que se acumulam preferencialmente nas células malignas devido ao seu metabolismo acelerado. O grande trunfo desta abordagem é a sua ativação controlada: apenas quando estas nanopartículas são iluminadas por um feixe de luz é que se dissolvem, libertando o cobre de forma altamente localizada e fulminante. Embora a transição para a aplicação clínica exija mais validações, este estudo demonstra como a combinação da nanotecnologia com terapias ativadas por luz pode oferecer alternativas vitais onde os tratamentos atuais atingem os seus limites.


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"Numa forma de tuberculose difícil de tratar, uma terapêutica mais curta e menos agressiva revela benefícios desiguais"


De acordo com a universidade de Harvard, um ensaio clínico denominado endTB identificou três novas alternativas medicamentosas eficazes no tratamento da tuberculose resistente à rifampicina, antibiótico de primeira linha mais utilizado no combate à doença.

Realizado em parceria entre a Harvard Medical School e outros integrantes do projeto endTB, uma colaboração que envolve a Partners In Health, a Médicos Sem Fronteiras e interactive Research and Development, o estudo apontou alternativas que utilizam medicamentos como bedaquilina e delamandina. Essas abordagens ampliam o arsenal terapêutico disponível e oferecem novas possibilidades para encurtar e personalizar o tratamento da doença


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sábado, 28 de março de 2026

Novidade!

Atenção! Resultados " 🧬 Qual é o melhor logótipo e slogan para Ciências Biomédicas? "

O vencedor é.... Beatriz Mateus, com 322 votos!

Muitos parabéns!!👏






 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Notícias

"Can a mouse be cloned indefinitely? Decades-long experiment has answers"


Um estudo publicado na Nature descreve que a clonagem de ratos foi realizada ao longo de múltiplas gerações sucessivas, atingindo um máximo de 58 gerações antes de se verificarem falhas no processo.


De acordo com os investigadores, os clones iniciais apresentavam características normais, mas, com a repetição contínua da técnica, foram sendo acumuladas alterações genéticas. Estas mutações, inicialmente não detetáveis, tornaram-se progressivamente mais significativas, afetando a viabilidade dos organismos nas gerações mais avançadas.


Os resultados indicam que a acumulação de alterações no ADN ao longo de ciclos repetidos de clonagem está associada à limitação observada, comprometendo a continuidade do processo.

"Cientistas descobrem proteína que transforma gordura castanha numa máquina de queimar calorias"

Artigo científico: 
Serdan, T.D.A., Cervantes, H., Frank, B. et al. SLIT3 fragments orchestrate neurovascular expansion and thermogenesis in brown adipose tissue. Nat Commun 17, 2445 (2026). https://doi.org/10.1038/s41467-026-70310-9

Investigadores da Universidade de Nova Iorque descobriram um mecanismo fundamental que pode reformular a nossa abordagem à perda de peso e à saúde metabólica.

O estudo centra-se numa proteína chamada SLIT3, que ajuda a construir o "sistema de fiação" interno da gordura castanha, promovendo a formação de vasos sanguíneos e ligações nervosas necessárias para a queima eficiente de energia.

Ao contrário da gordura branca (que armazena energia), a gordura castanha queima calorias para produzir calor através da termogénese. No entanto, esta investigação mostra que simplesmente ter gordura castanha não é suficiente — é necessário que esteja devidamente estruturada e conectada para funcionar na sua capacidade máxima.

Curiosamente, a via SLIT3 está também ligada à inflamação, à sensibilidade à insulina e à saúde metabólica, sugerindo um papel mais abrangente em condições como a obesidade e a resistência à insulina.

Isto abre uma nova direção para o tratamento: em vez de se concentrar apenas na supressão do apetite (como acontece com medicamentos como a semaglutida), as futuras terapias podem ter como objetivo aumentar o gasto energético, melhorando a atividade da gordura castanha. Embora ainda em fase inicial de investigação, esta descoberta realça uma mudança promissora — das estratégias de "comer menos" para soluções de "queimar mais" no combate às doenças metabólicas.



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sexta-feira, 20 de março de 2026

Notícias

Inteligência Artificial garante diagnóstico mais rápido do cancro do colo do útero


Uma equipa de cientistas, incluindo o português Fernando Schmitt, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, desenvolveu um método que utiliza inteligência artificial para otimizar o rastreio do cancro do colo do útero. O sistema analisa automaticamente células recolhidas através do exame de Papanicolau, convertendo-as em imagens tridimensionais, o que permite identificar alterações celulares suspeitas com maior rapidez e precisão.


Nos testes realizados com mais de mil amostras, a análise automatizada apresentou uma concordância quase perfeita com a avaliação dos especialistas. Publicado na revista Nature, este método poderá começar a ser aplicado clinicamente no Japão nos próximos meses, com expansão gradual para outros países ao longo dos próximos 1 a 2 anos.


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"Análise ao sangue pode prever demência até 25 anos antes do início dos sintomas"


Um estudo da Universidade da Califórnia concluiu que um novo biomarcador no sangue pode prever o risco de uma mulher desenvolver demência até 25 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas. A investigação, publicada na revista médica JAMA Network Open, acompanhou 2.766 mulheres entre os 65 e os 79 anos durante cerca de 25 anos.

Os resultados mostraram que níveis mais elevados da proteína p-tau217, associada às alterações cerebrais da doença de Alzheimer, estavam fortemente ligados ao desenvolvimento futuro de défices cognitivos ligeiros e demência, mesmo em mulheres que eram cognitivamente saudáveis no início do estudo.

Segundo os investigadores, esta descoberta pode permitir identificar mais cedo pessoas com maior risco, abrindo caminho a estratégias de prevenção e acompanhamento mais precoces, em vez de esperar até que os problemas de memória afetem o dia a dia. No entanto, os especialistas sublinham que ainda são necessários mais estudos antes de este tipo de teste poder ser utilizado na prática clínica.



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“Dinamarca elimina transmissão de HIV e sífilis de mãe para filho”


A World Health Organization certificou a Dinamarca como o primeiro país da União Europeia a eliminar a transmissão vertical do HIV e da sífilis, ou seja, a transmissão destas infeções de mãe para bebé durante a gravidez, parto ou amamentação. Este reconhecimento representa um importante avanço na saúde pública e na proteção da saúde materno-infantil, demonstrando que a prevenção destas infeções é possível quando existem sistemas de saúde eficazes e acessíveis.

Este resultado foi alcançado graças a décadas de investimento em cuidados de saúde universais, incluindo acompanhamento pré-natal de elevada qualidade, rastreio sistemático das infeções durante a gravidez e acesso rápido ao tratamento quando necessário. Estas medidas permitem identificar precocemente casos de infeção em mulheres grávidas e iniciar terapêuticas adequadas, reduzindo de forma significativa o risco de transmissão para o recém-nascido.

De acordo com a OMS, para que um país seja certificado com a eliminação da transmissão vertical destas doenças, é necessário cumprir critérios rigorosos, como garantir elevados níveis de rastreio nas gestantes e manter taxas extremamente baixas de infeção em bebés durante vários anos consecutivos. A experiência da Dinamarca demonstra que políticas de saúde consistentes, aliadas a sistemas de vigilância epidemiológica eficazes, podem contribuir de forma decisiva para a erradicação deste tipo de transmissão e servir de exemplo para outros países.


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“Nova técnica baseada em CRISPR aumenta produção de mitocôndrias e pode ajudar a tratar insuficiência cardíaca”


Artigo científico:
Escobar, M., Malik, S. A., Srinivasa, M. A., Mendez-Sosa, M. A., Miller, J. M., Lydon, S. L., Luong, S. N., Mathew, P. R., Abouleisa, R. R. E., Chakravarty, S., Pathan, S., Mohamed, T. M. A., Ghanta, R. K., & Hilton, I. B. (2026). CRISPR-Cas-based activation of PPARGC1A boosts endogenous mitochondria and enhances cardiac function after myocardial infarction. Molecular Therapy, 139(10), e56–e528. https://doi.org/10.1016/j.ymthe.2026.02.027


Investigadores da Rice University desenvolveram uma nova abordagem baseada na tecnologia CRISPR que permite aumentar a produção de mitocôndrias em células cardíacas, abrindo novas perspetivas para o tratamento da insuficiência cardíaca.

As mitocôndrias são responsáveis pela produção de energia celular e desempenham um papel fundamental na função do músculo cardíaco. Após um enfarte do miocárdio, muitas células do coração apresentam disfunção mitocondrial, o que compromete a sua capacidade de produzir energia suficiente para manter a contração eficaz do músculo cardíaco.

Neste estudo, os investigadores utilizaram uma versão modificada do sistema CRISPR para ativar genes envolvidos na biogénese mitocondrial, em particular o gene regulador PPARGC1A (PGC-1α). Ao estimular a expressão deste gene, foi possível aumentar o número de mitocôndrias nas células e melhorar a sua atividade metabólica.


Os resultados demonstraram que esta estratégia aumentou a função mitocondrial em modelos celulares e em tecido cardíaco após enfarte, sugerindo que a ativação genética dirigida poderá contribuir para restaurar o metabolismo energético das células cardíacas.
Embora esta abordagem ainda esteja numa fase inicial de investigação, os autores consideram que a modulação da biogénese mitocondrial poderá representar uma nova estratégia terapêutica para doenças cardíacas associadas a défices energéticos.





“Biomarcadores Durante a Gravidez Podem Indicar Risco Futuro de Doença Cardiovascular”


Artigo:
Bacmeister L, Glintborg D, Kjer-Møller J, et al. Clinical Factors and Biomarkers During Pregnancy and Risk of Cardiovascular Disease. JAMA Cardiol. Publicado online February 18, 2026. doi: 10.1001/jamacardio.2025.5595


Alguns biomarcadores analisados durante a gravidez podem ajudar a identificar o risco de desenvolver doença cardiovascular (DCV) no futuro, segundo um estudo recente.

A investigação avaliou biomarcadores presentes no sangue de cerca de 2000 mulheres grávidas na Dinamarca. As participantes foram acompanhadas durante quase 12 anos e, nesse período, 28 delas desenvolveram doença cardiovascular. Os resultados mostraram que níveis mais elevados de troponina I cardíaca de alta sensibilidade e de sFlt-1 durante o terceiro trimestre da gravidez estavam associados a um risco maior de desenvolver DCV mais tarde na vida.

Os investigadores verificaram ainda que a combinação dos níveis de sFlt-1 com a idade permitiu uma melhor avaliação do risco cardiovascular do que a utilização da idade isoladamente. Em comparação, modelos que incluíam colesterol não-HDL e pressão arterial sistólica juntamente com a idade não melhoraram significativamente a capacidade de prever o risco.

Os autores do estudo referem que a gravidez pode ser vista como uma espécie de teste natural para o sistema cardiovascular. Por isso, medir determinados biomarcadores neste período pode representar uma oportunidade para identificar precocemente pessoas com maior probabilidade de desenvolver doença cardiovascular.





"Cientistas descobrem "guardião" escondido dentro de células cerebrais ligado ao Alzheimer"


Artigo científico:
  • Jinyu Fei et al.
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Membrane-associated periodic skeleton regulates major forms of endocytosis in neurons through a signaling-driven positive feedback loop.Sci. Adv.12,eaeb0803(2026).DOI:10.1126/sciadv.aeb0803


Cientistas da Penn State descobriram que os neurónios possuem uma rede estrutural microscópica chamada esqueleto periódico da membrana (MPS, na sigla em inglês), que funciona como um porteiro, controlando as substâncias que entram na célula.
Quando esta estrutura em forma de rede está intacta, os neurónios absorvem os nutrientes a uma taxa controlada. No entanto, quando os investigadores interromperam o MPS, os neurónios começaram a absorver materiais muito mais rapidamente. Isto sugere que o MPS funciona como um sistema de travagem, impedindo a absorção excessiva.

Curiosamente, o aumento da absorção celular pode desencadear sinais que provocam a rutura parcial do MPS. Isto cria um ciclo de feedback positivo: mais absorção leva a um maior enfraquecimento da estrutura, o que permite uma absorção ainda maior.

Usando microscopia de super-resolução avançada, os investigadores observaram este processo em neurónios cultivados em placas de laboratório. Quando simularam a fase inicial da doença de Alzheimer aumentando a proteína precursora de amiloide (APP), as estruturas enfraquecidas do MPS permitiram que os neurónios absorvessem mais APP. No interior da célula, a APP foi convertida em β-amiloide 42, uma proteína tóxica associada a danos neuronais e à doença de Alzheimer.

Estas descobertas sugerem que o MPS pode desempenhar um papel protetor nos neurónios, limitando a entrada de proteínas nocivas. Como esta estrutura se deteriora com o envelhecimento ou com doenças, pode contribuir para a neurodegeneração.
As futuras terapias podem focar-se na estabilização do MPS, potencialmente retardando as alterações celulares iniciais que levam à doença de Alzheimer.





"Estudo descobre um “aliado surpreendente” na reparação do cérebro"


Um estudo inovador desenvolvido pela equipa de Christa Rhiner, na Fundação Champalimaud, e publicado na revista científica EMBO Reports, revela que as espécies reativas de oxigénio (radicais livres), historicamente associadas apenas à neurodegeneração e ao envelhecimento, desempenham um papel crucial na reparação cerebral. Através de modelos de Drosophila melanogaster, a investigação demonstrou que as células da glia libertam um "pulso oxidativo" controlado (especificamente peróxido de hidrogénio) imediatamente após uma lesão. Esta libertação, mediada pela enzima Duox presente na membrana celular, atua como um sinal biológico essencial para ativar células estaminais neurais que, de outra forma, permaneceriam inativas, promovendo a substituição do tecido perdido e a plasticidade cerebral.
Estes resultados desafiam a visão convencional de que o stress oxidativo é universalmente prejudicial para o sistema nervoso central. Os investigadores observaram que a inibição genética da enzima Duox ou a administração excessiva de antioxidantes atenuam significativamente a resposta regenerativa natural do cérebro. Esta descoberta ajuda a explicar por que motivo as terapias antioxidantes de largo espetro falham frequentemente na recuperação de doentes com lesões cerebrais. No futuro, a biomedicina poderá focar-se no desenvolvimento de estratégias de precisão que combatam o stress oxidativo crónico, preservando simultaneamente estes sinais oxidativos de curta duração, essenciais para a autorreparação do cérebro.


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terça-feira, 10 de março de 2026

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 “Cientistas portugueses exploram potencial do mentol e ibuprofeno para tratar o cancro”

 



Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) está a desenvolver uma abordagem inovadora para o tratamento do cancro colorretal, combinando compostos de origem natural, como o mentol, com o anti-inflamatório ibuprofeno.

 

A estratégia baseia-se nos princípios da “química verde” e consiste na criação de sistemas eutéticos profundos terapêuticos (THEDES). Ao misturar moléculas naturais da família dos terpenos com o ibuprofeno, a equipa consegue transformar estes compostos num estado líquido, aumentando a sua solubilidade e tornando a sua ação citotóxica consideravelmente mais seletiva para as células cancerosas, preservando assim as células saudáveis.

 

A investigação encontra-se atualmente em fase de validação, com os cientistas a testarem a formulação in vitro, através de modelos tridimensionais complexos como esferóides e organóides, e in vivo, recorrendo a modelos de peixe-zebra. Os resultados indicam uma eficácia tumoral equivalente à dos quimioterapêuticos atuais, mas com o benefício de uma maior seletividade e potencial redução de efeitos secundários.Caso a sua segurança e eficácia venham a ser confirmadas em futuros estudos pré-clínicos mais complexos e posteriores ensaios clínicos, esta tecnologia poderá atuar como uma terapia principal mais sustentável ou como coadjuvante dos tratamentos já existentes, representando um avanço relevante na medicina oncológica.



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“Investigadores portugueses descobrem ‘botão’ genético que pode ajudar no combate ao cancro”

 





Uma equipa de investigadores do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto descobriu um pequeno “código” escondido no genoma que funciona como um regulador da atividade dos genes e que pode ajudar a explicar alguns mecanismos envolvidos no cancro.

 

Os cientistas identificaram uma sequência curta numa zona do RNA mensageiro que não serve para produzir proteínas, mas para controlar a quantidade de proteína produzida. No artigo, descrevem o DplUSE como uma sequência que “controla a expressão de genes através de interações com proteínas ligadoras de RNA e está implicada em doença humana”.

 

Embora se trate ainda de investigação fundamental, o potencial, acreditam os investigadores, é relevante, já que perceber estes mecanismos finos de controlo genético pode, no futuro, abrir caminho a terapias mais precisas, capazes de atuar não apenas sobre os genes, mas sobre os “interruptores” que os ligam e desligam.



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"Desequilíbrio que ajuda os vírus a infectarem os hospedeiros"

 




Um estudo recente descobriu que alguns vírus não são perfeitamente simétricos como se pensava. Na verdade, possuem uma pequena assimetria na sua cápside (a estrutura proteica que envolve o material genético).

 

Essa diferença faz com que o RNA do vírus fique concentrado num lado, permitindo que seja libertado de forma mais eficiente quando o vírus entra na célula hospedeira.

 

Esta descoberta ajuda os cientistas a compreender melhor como as infeções começam e pode contribuir para o desenvolvimento de novos antivirais, vacinas e ferramentas biomédicas.


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"Cientistas desenvolvem o teste mais rápido de sempre para diagnóstico do vírus da hepatite C".




 

Este diagnóstico de elevada precisão entrega resultados aos pacientes em apenas 15 minutos – sendo até 75% mais rápido do que outros testes rápidos de HCV (Hepatite C).Esta velocidade é crucial para dar início ao tratamento dos doentes antes que estes abandonem a consulta, prevenindo potencialmente complicações dolorosas, dispendiosas e até a morte.

 

Segundo Sally McFall, codiretora do Centro de Inovação em Tecnologias de Saúde Global da Northwestern University McCormick School of Engineering, a equipa conseguiu desenvolver um teste diagnóstico passível de ser realizado no ponto de atendimento (point of care) durante a visita clínica.

 

De acordo com a investigadora, esta inovação poderá permitir o diagnóstico e tratamento no mesmo dia, apoiando diretamente os esforços globais para a eliminação do vírus da hepatite C.McFall reiterou ainda que o teste demonstrou um excelente desempenho, tanto a nível analítico como clínico.

 

Para o desenvolvimento deste novo teste rápido de reação em cadeia da polimerase (PCR) para o HCV, os cientistas utilizaram a plataforma de PCR DASH (Diagnostic Analyzer for Specific Hybridization), originalmente criada na Northwestern University.



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"Estudo identifica proteína no sangue que antecipa demência décadas antes do diagnóstico"




 

O horizonte da prevenção na neurociência acaba de se expandir. Um estudo de longo prazo da Universidade da Califórnia, publicado na revista médica JAMA Network Open, identificou que a chave para prever a demência pode estar escondida no nosso sangue décadas antes de qualquer esquecimento se manifestar. A investigação focou-se na proteína p-tau217, um biomarcador associado às alterações cerebrais características do Alzheimer. Ao analisar o historial clínico de 2.766 mulheres (entre os 65 e os 79 anos) que foram recrutadas para o estudo no final da década de 1990 e acompanhadas ao longo de 25 anos, os cientistas confirmaram que níveis elevados desta proteína no plasma são indicadores precisos de declínio cognitivo futuro, mesmo em indivíduos que, no início do estudo, apresentavam uma saúde cerebral normal.

 

Com uma previsão que chega aos 25 anos, a medicina ganha uma margem sem precedentes para intervir com mudanças de estilo de vida, monitorização e novas terapias preventivas. Além disso, o estudo revelou que a capacidade preditiva da p-tau217 foi ainda mais acentuada em mulheres que realizaram terapia hormonal com estrogénio e progestina em comparação com as que tomaram um placebo.

 

Embora o uso clínico generalizado ainda aguarde protocolos de rotina, este avanço reforça a transição para uma biomedicina preditiva e menos invasiva, substituindo potencialmente exames complexos de imagem ou os testes de líquido cefalorraquidiano por uma simples recolha de sangue. Apesar do potencial revolucionário, a aplicação clínica destes biomarcadores sanguíneos em indivíduos assintomáticos ainda não é uma recomendação oficial. Os investigadores sublinham a necessidade de mais evidências para padronizar o uso da p-tau217 na rotina médica. Como destaca Aladdin Shadyab, o foco final ultrapassa a mera antecipação do diagnóstico, o verdadeiro objetivo é utilizar este alerta precoce como uma ferramenta para travar ou impedir totalmente a progressão da demência.



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