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sexta-feira, 21 de abril de 2017

AS CÉLULAS ESTAMINAIS NO TRATAMENTO DE QUEIMADURAS GRAVES



As queimaduras são lesões muito comuns que afetam milhões de pessoas anualmente. E as células estaminais podem ter um papel importante no seu tratamento. As explicações são da investigadora Bruna Moreira, da Crioestaminal.



As queimaduras graves comprometem a integridade da pele, pondo em causa funções vitais como o controlo da temperatura corporal e a proteção contra a desidratação e infeções por agentes patogénicos. Deste modo, o tratamento de queimaduras graves é essencial para a reconstituição da pele, tanto do ponto de vista estrutural como funcional.
Recentemente, foi desenvolvido um tratamento experimental que utiliza células estaminais, extraídas da medula óssea, para a regeneração da pele após queimaduras graves. As células estaminais evidenciam propriedades que favorecem a reparação de tecidos, apresentando, desta forma, um grande potencial para este tipo de tratamentos. Esta metodologia permite acelerar a regeneração da pele, reduzir o tempo de recuperação dos pacientes e diminuir o risco de infeções a que estes estão sujeitos.
A nova técnica envolve a colheita de células estaminais e a sua posterior cultura em laboratório, gerando milhões de novas células. Estas são, então, colocadas num gel, que é seguidamente aplicado sobre a região queimada. Este tratamento foi testado num hospital venezuelano por uma equipa de investigadores, tendo apresentado resultados muito promissores.
Um dos casos de sucesso registou-se numa criança de 10 anos com queimaduras de 2º grau em 60% do corpo, demonstrando que esta nova metodologia é adequada para tratar queimaduras de grandes dimensões, em que é difícil recorrer ao método tradicional de implantação de enxertos de pele.
A investigação científica sobre as potencialidades das células estaminais torna cada vez mais real a possibilidade de tratamento de diversas doenças com este tipo de células.
Os resultados dos tratamentos experimentais com células estaminais têm evidenciado um potencial terapêutico cada vez mais alargado, o que justifica o crescente interesse pela criopreservação deste tipo de células em Portugal e no mundo.
Um artigo da investigadora Bruna Moreira, do Departamento de I&D da Crioestaminal
artigo do parceiro:Nuno NoronhaFonte: http://lifestyle.sapo.pt/saude/saude-e-medicina/artigos/celulas-estaminais-no-tratamento-de-queimaduras-graves

Comentário de Inês Rodrigues: As células estaminais são células que se podem diferenciar em diversas linhagens celulares tendo a capacidade de se auto-renovar e de se dividir indefinidamente. Podem ser classificadas, de acordo com a sua origem ou a sua capacidade de diferenciação, em dois tipos principais: embrionárias que são pluripotentes, podendo diferenciar-se nas três camadas germinativas embrionárias (endoderme, mesoderme e ectoderme) e dar origem a todos os tipos de células; e não embrionárias também conhecidas como células estaminais adultas, encontram-se em muitos tecidos do organismo adulto sendo, regra geral, multipotentes. Alguns tecidos neo-natais como a placenta, a geleia de Wharton do cordão umbilical ou o sangue do cordão umbilical, contêm populações de células estaminais adultas com um elevado potencial proliferativo e características pluripotentes.

Esta capacidade de se diferenciarem em vários tipos de células, podendo substituir células lesadas ou destruídas e regenerar tecidos danificados, explica o grande interesse na utilização das células estaminais no contexto da terapia celular e da medicina regenerativa.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

CIENTISTAS DA GULBENKIAN DESCOBREM MECANISMO PARA COMBATER BACTÉRIAS MULTIRRESISTENTES.

Reuters

Os investigadores identificaram um mecanismo compensatório que "favorece o crescimento de bactérias multirresistentes e que pode ser usado no futuro como um novo alvo terapêutico contra estas bactérias".

Cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência descobriram um novo mecanismo para combater bactérias multirresistentes, num estudo esta terça-feira publicado na revista PLOS Biology. O estudo, da equipa da cientista Isabel Gordo e que foi financiado pelo Conselho Europeu de Investigação e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, pode ajudar na descoberta de novos antibióticos ou estratégias alternativas contra as bactérias multirresistentes.

Os investigadores identificaram um mecanismo compensatório que "favorece o crescimento de bactérias multirresistentes e que pode ser usado no futuro como um novo alvo terapêutico contra estas bactérias", segundo um comunicado sobre o trabalho divulgado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência.

Em declarações à Agência Lusa, Isabel Gordo, bióloga e cientista do Instituto Gulbenkian, explicou que o estudo incidiu em bactérias multirresistentes (resistentes a vários antibióticos) e que identificou proteínas que, se forem bloqueadas, podem tornar possível matar essas bactérias.

Explicou a cientista que as bactérias adquirem mutações que fazem com que os antibióticos deixem de funcionar mas ficam debilitadas, pelo que adquirem as mutações compensatórias, o que faz que seja difícil destruí-las. A cientista deu como exemplo um automóvel, que seria a bactéria. Ao atingir-se o motor com algo (o antibiótico), o veículo deixa de andar com rapidez, mas adapta-se e continua a andar, e se se atingir o acelerador (segundo antibiótico), haverá também uma adaptação, pelo que o carro continua a andar. O que a sua equipa descobriu, explicou a cientista, foi que há outro alvo (outro mecanismo compensatório que inclui mutações), a embraiagem, que pode, no futuro, ser atacado e, assim, fazer parar o automóvel.

"Era completamente desconhecido até agora como é que estas mutações compensatórias evoluem em bactérias multirresistentes, e foi isso que a equipa de Isabel Gordo se propôs investigar", refere o comunicado.

Descobriu-se que o ritmo de adaptação compensatória das bactérias E. coli (responsáveis, por exemplo, pelas intoxicações alimentares) multirresistentes é mais rápido do que nas estirpes que têm apenas uma mutação, e foram identificadas as proteínas-chave envolvidas no mecanismo compensatório das bactérias multirresistentes, diz-se no comunicado da Fundação Gulbenkian.

A equipa de investigação prevê que o mecanismo agora descoberto possa ser usado de forma geral em muitos outros casos de multirresistências a fármacos, uma vez que os antibióticos afectam os mesmos mecanismos celulares.

Questionada pela Lusa, Isabel Gordo não fez previsões sobre quando será possível ter um medicamento eficaz para matar as bactérias multirresistentes.


Comentário de Alexandrina Florbela: Achei interessante a notícia, pois várias bactérias têm criado resistência a antibiótico, assim sendo cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência descobriram um novo mecanismo para combater bactérias multirresistentes, eles identificaram proteínas que se forem bloqueadas podem tornar possível matar essas bactérias. A equipa prevê que o mecanismo agora descoberto,possa ser usado em muitos outros casos de resistência a fármacos.