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sábado, 18 de abril de 2015

Fazer/Falar Ciência para diferentes públicos-alvo: Lar da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã

No passado dia 15 de Abril, realizou-se no Lar da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã, a atividade “A Ciência, Truques e Dicas dos Nossos Avós”. Coordenada pelo Professor Doutor Eduardo Cavaco e no âmbito da unidade curricular de Projeto em Ciências Biomédicas do Mestrado em Ciências Biomédicas na UBI, esta foi a primeira atividade do projeto “Falar/Fazer Ciência para diferentes públicos-alvo”.

O grupo responsável tinha como objetivo recordar os utentes da instituição sobre os truques por eles utilizados para a remoção de diversas nódoas. Para tal, recriaram situações do dia-a-dia, levando os idosos a enumerar diversos produtos/substâncias que consideravam adequados para a remoção das manchas apresentadas.

Através desta atividade, conseguiram criar um momento de diálogo e partilha entre os idosos, proporcionando uma manhã onde a valorização das suas capacidades, competências e saberes foi uma constante. Relembrou-nos a todos a importância do conhecimento que resulta das vivências quotidianas e, sobretudo, daquele que é transmitido de geração em geração.












Investigadores desenvolvem célula que mata apenas células tumorais

Um projecto de investigação desenvolvido pelo Instituto de Medicina Molecular e a 'start-up' Lymphact quer começar os ensaios clínicos de uma célula capaz de destruir apenas células tumorais, sem toxicidade secundária.




Criadas para leucemias e linfomas, estas células "são capazes de reconhecer molecularmente a célula alvo [tumoral], poupando todas as células saudáveis", explicou Bruno Silva Santos, investigador principal do projecto, que foi hoje apresentado, a convite, numa conferência em Coimbra, promovida pelo Health Cluster Portugal.

Os testes com ratos permitiram mostrar que os animais com "as DOT-Cells" ficam livres de células tumorais, numa terapia "que não tem efeitos secundários, em termos bioquímicos", sublinhou, afirmando que este tratamento poderá ter aplicação não apenas na leucemia, mas também "em tumores sólidos, como no cancro da mama ou da próstata".

Estas células são produzidas a partir de uma amostra de sangue do próprio doente, sendo depois injectadas em duas doses.

As DOT-Cells foram criadas com base na investigação realizada no Instituto de Medicina Molecular e na start-up Lymphact em duas fases, 2011 e 2015, permitindo uma nova terapêutica "sem toxicidade" e com "alta eficácia" na destruição de células tumorais, frisou.

A equipa de investigação, que com as células patenteadas montou a start-up Lymphact, está agora à procura de "investimento para começar os ensaios clínicos", avançou.

Para além deste projecto foram apresentadas outras investigações na área das neurociências e do cancro a convite do Health Cluster Portugal, entre elas a criação de uma molécula que pode combater o Alzheimer ou a utilização de nanopartículas para recuperar o tecido lesionado e melhorar as funções motora e cognitiva após um AVC.

Fonte: http://www.sol.pt/noticia/386389

Criada uma supermolécula que é mais forte do que a água

É composta por duas partes – uma argola e um haltere – que agarram facilmente dentro da água átomos como o cloro ou o iodo. Esta nova molécula foi construída com a participação de dois cientistas portugueses.
 





Antoine Lavoisier, o famoso químico francês do século XVIII, dizia que na natureza nada se perdia, nada se ganhava, tudo se transformava. Ou seja, a matéria não é dada a milagres mas pode ser alterada. Este é o terreno dos químicos, que mexem nos átomos e nas moléculas, jogando com as suas interacções para os mais variados fins. E foi neste terreno que uma equipa internacional com cientistas portugueses construiu uma molécula bastante complexa, que se liga facilmente, em meio aquoso, a átomos do grupo onde estão o flúor, o cloro, o bromo ou o iodo – algo que, geralmente, é muito difícil de fazer.

O desenvolvimento desta supermolécula, publicado na revista Nature Chemistry, pode ajudar a criar moléculas utilizadas para tratar doenças.

Nesta história microscópica, a água era a barreira invisível que impedia os químicos de trabalhar com o grupo dos halogéneos, de que fazem parte o flúor, o cloro, o bromo ou o iodo. No meio aquoso, os átomos do grupo dos halogéneos ficam rapidamente rodeados pelas moléculas de água (H2O), por isso é difícil serem agarrados por outras moléculas.

Se olharmos para a Tabela Periódica – que organiza de forma genial os elementos químicos, tendo em conta o número de protões e o número de eletrões de cada átomo –, verificamos que os átomos halogéneos estão reunidos na penúltima coluna (vertical) da tabela. Cada átomo tem um dado número de protões e neutrões no núcleo, e tem ainda os eletrões (em igual número dos protões) a girar à volta do núcleo atómico. Por exemplo, o iodo, que fica mais em baixo na coluna dos halogéneos do que o cloro, tem muito mais protões e eletrões do que o cloro.

Os eletrões vão-se dispondo à volta do núcleo dos átomos por camadas, mais exatamente níveis de energia. Mas a estabilidade de cada átomo (independentemente de ser ou não um halogéneo) depende do número de eletrões na camada mais externa. Se faltarem eletrões nessa camada, o átomo tenta estabilizar a nuvem eletrónica, ligando-se a outros átomos e formando moléculas.

No caso dos átomos dos halogéneos, falta-lhes um único eletrão na camada externa para ficarem estáveis. Por isso, têm grande tendência para roubar um eletrão a outro átomo. Por exemplo, o cloro passa a ião cloreto quando ganha esse eletrão (os iões são átomos que ganham ou perdem eletrões). É também por isso que os halogéneos são conhecidos por se ligarem a metais, produzindo sais. O sal da cozinha, o famoso cloreto de sódio, surge quando um átomo do cloro rouba um eletrão ao sódio e assim os dois átomos ligam-se.

Tal como o cloreto, há outros átomos e moléculas que ficam mais estáveis ao ganharem eletrões, tornando-se então iões de carga negativa, ou aniões (os eletrões dão cargas negativas aos átomos, enquanto os protões lhes dão cargas positivas).

A molécula de água é uma fonte de eletrões para todos os aniões. No caso dos halogéneos, a água liga-se a eles, dificultando assim o acesso de outras moléculas a esse grupo de átomos. É por isso que os químicos têm dificuldade em manipular os halogéneos no meio aquoso, assim como outros aniões.

Mas, nalgumas situações, seria importante conseguir usar certos halogéneos para melhorar a saúde humana, como no caso da fibrose quística. Nesta doença, provocada por mutações genéticas, há precisamente um problema com o transporte dos iões de cloro de dentro para fora das células, o que compromete a lubrificação dos pulmões, desencadeia infeções e reduz a esperança de vida das pessoas com esta doença.

Mas as equipas de Vítor Félix, da Universidade de Aveiro, e de Paul D. Beer, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, conseguiram não só criar uma molécula capaz de roubar os átomos halogéneos da água como mostrar em modelos computacionais o que está a acontecer: a nova molécula obriga os átomos de halogéneo a unirem-se a ela, vencendo as ligações das moléculas de água. A nova molécula prova que é possível manipular em meio aquoso não só os átomos de halogéneo, mas também outros aniões.
 

Manipulação neuronal gera associação artificial de memórias em ratinhos

A ativação em simultâneo de certos conjuntos de neurónios fez com que memórias independentes ficassem associadas no cérebro dos animais, gerando uma reação de medo que não tinha razão de ser.



A nossa memória é eminentemente associativa. Vezes sem-fim, no nosso dia-a-dia, a evocação de um evento da nossa vida faz ressurgir outras recordações que lhe estão associadas. Mas como é que o nosso cérebro consegue estabelecer essa “ponte” ao nível neuronal?
Essa pergunta acaba de receber um importante elemento de resposta. Uma equipa de investigadores japoneses mostrou, pela primeira vez, que ao excitar ao mesmo tempo dois conjuntos diferentes de neurónios no cérebro de ratinhos, é possível “obrigar” as memórias de dois eventos que nada tinham a ver um com a outro à partida a ficarem associadas na mente dos animais. Os resultados são publicados na revista Cell Reports com data desta terça-feira .
 
Pensa-se hoje que as memórias individuais de um animal – ou de uma pessoa – são fisicamente armazenadas no cérebro ao nível de conjuntos específicos de células nervosas que foram ativadas aquando da exposição inicial a um dado evento. Isto porque estudos experimentais recentes no ratinho – em particular pela equipa do cientista português Alcino Silva, da Universidade da Califórnia (EUA) – mostraram que, a seguir, basta reativar esses neurónios específicos para essa memória ressurgir nos animais.  
 
Outras experiências também mostraram, explica a revista Cell Reports em comunicado, que a reativação artificial de um conjunto de neurónios pode alterar a aquisição de uma nova memória, gerando assim falsas memórias. Porém, até aqui, esses estudos envolviam uma combinação de estímulos sensoriais naturais (visuais, auditivos, etc.) e de estimulação artificial. Mas agora, Kaoru Inokuchi e os seus colegas da Universidade de Toyama (Japão), conseguiram ligar duas memórias distintas apenas com meios artificiais.
 
“A memória está na base de todas as funções cerebrais superiores, incluindo a consciência – e também desempenha um papel importante em doenças psiquiátricas tais como a síndrome de stress pós-traumático”, diz Inokuchi, citado no mesmo documento. “Ao mostrar que o cérebro associa diferentes tipos de informação para gerar uma memória qualitativamente nova que conduz a alterações duradouras do comportamento, os nossos resultados poderão ter importantes implicações para o tratamento dessas doenças incapacitantes.”
 
Para fazer a experiência, os cientistas começaram por submeter um grupo de ratinhos a uma “aprendizagem”. Mais precisamente, parte dos animais passou seis minutos dentro de um recinto cilíndrico, enquanto o resto ficou o mesmo tempo num recinto cúbico. Meia-hora depois desta primeira “vivência”, todos os animais foram colocados no recinto cúbico, onde lhes foi logo administrado um choque elétrico no pé.
 
Resultado: dois dias mais tarde, quando os ratinhos foram novamente expostos a um dos dois recintos, os que foram colocados no recinto cúbico tiveram uma reação de medo (ficaram paralisados) mais pronunciada do que os que permaneceram dentro do recinto cilíndrico. Ou seja: o recinto cúbico ficara associado, na cabeça dos animais, ao perigo do choque elétrico – enquanto o recinto cilíndrico era visto como mais seguro.
 
Durante esta aprendizagem, a equipa identificou ainda conjuntos específicos de neurónios se ativavam no cérebro dos ratinhos em resposta aos diversos eventos, em duas regiões cerebrais – o hipocampo e a amígdala – que se sabe estarem envolvidas na memória. A ideia é que esses conjuntos de neurónios estariam portanto associados às diferentes memórias adquiridas dos eventos vividos.
 
A segunda fase da experiência consistiu então em associar artificialmente a memória neuronal do choque elétrico à do recinto de forma cilíndrica – isto é, em fazer com que o recinto até aí considerado seguro (por não estar associado a um choque elétrico) se tornasse ameaçador e passasse a suscitar uma reação de medo por parte dos animais.
 
Como fizeram? Antes de mais, é preciso saber que os cientistas tinham manipulado geneticamente os neurónios dos ratinhos de forma a conseguirem ativá-los especificamente graças a feixes de luz. A técnica, dita de optogenética, tem revolucionado o estudo dos processos neuronais, uma vez que permite ligar e desligar facilmente neurónios individuais.
 
Os cientistas utilizaram então feixes de luz azul, transmitidos para o interior do cérebro dos animais via de uma fibra ótica, para reativar ao mesmo tempo o conjunto de neurónios associado à memória do choque elétrico e o conjunto associado à memória do recinto cilíndrico – ou seja, ligaram fisicamente duas memórias à partida independentes. E o que esperavam aconteceu mesmo: os ratinhos que foram a seguir reintroduzidos no recinto cilíndrico (na realidade, o mais seguro) ficaram mais tempo paralisados pelo medo do que os que foram colocados no recinto cúbico (o mais perigoso)! Duas memórias sem relação entre si tinham ficado de repente relacionadas na sua mente.
 
Os cientistas japoneses tencionam agora tentar fazer o contrário: “Vamos modificar esta técnica para tentar dissociar artificialmente memórias que estão fisiologicamente ligadas”, explica ainda Inokuchi. “Isto poderá contribuir para o desenvolvimento de novas terapêuticas contra perturbações psiquiátricas como o stress pós-traumático, cujos principais sintomas derivam de associações desnecessárias entre memórias não relacionadas.”
 
De passagem por Lisboa em finais de 2011, Alcino Silva já evocara, em conversa com o PÚBLICO, este tipo de aplicações. “Lembra-se do filme Total Recall/Desafio Total?", perguntara-nos na altura. "Esperamos que esta capacidade de manipular as memórias nos vá permitir perceber os mecanismos que apagam as memórias." Para talvez, um dia, "suavizar o impacto das memórias horríficas que os jovens que voltam da guerra trazem consigo" ou as perturbações ligadas à ansiedade, "que podem ser muito incapacitantes e têm um custo social enorme".
 
"O [novo] estudo é realmente interessante porque, pela primeira vez, os autores ligaram artificialmente duas memórias diferentes manipulando as células que representam essas duas memórias", disse na segunda-feira ao PÚBLICO Alcino Silva, num email que chegou à redação após o fecho da edição em papel. "A maioria dos estudos da aprendizagem e da memória têm-se focado na forma como o cérebro processa e armazena memórias isoladas. Porém, no mundo real, a memória envolve múltiplos eventos, que por vezes ocorrem a horas ou até em dias diferentes. O nosso cérebro está constantemente a ligar memórias independentes, mas sabemos muito pouco sobre os processos subjacentes. Estes resultados estão entre os primeiros numa área de estudo do cérebro nova e muito entusiasmante", acrescentou.
 
"Um outro aspeto mágico deste estudo (que parece de facto ficção científica) é a capacidade de manipular a memória com luz!", disse ainda Alcino Silva. "Estes autores não foram os primeiros a fazê-lo, mas é algo de verdadeiramente mágico! É incrível que a investigação na área da memória tenha chegado ao ponto em que conseguimos manipular as memórias à vontade – apagando-as, criando falsas memórias e até [como agora] ligando artificialmente entre si memórias separadas."
E o cientista conclui: "Quanto melhor percebermos a memória em geral, maior será o número de opções de intervenção. Por exemplo, na síndrome de stress pós-traumático, muitas vezes as pessoas associam indevidamente memórias traumáticas com outras memórias – com consequências trágicas.
 
O trabalho agora publicado constitui um primeiro passo naquilo que penso ser uma das mais importantes novas facetas do estudo da memória: a transição entre o estudo de memórias isoladas e o da maneira como o nosso cérebro lida com memórias múltiplas, seja associando-as seja separando-as de forma adaptativa e em benefício próprio."
 

Criado um boné que faz encefalogramas a qualquer hora do dia

São apresentados esta quinta-feira em Coimbra os resultados do projecto Do IT, que envolveu as universidades, o sector da saúde e as empresas, para acelerar a passagem do conhecimento científico para produtos e serviços de saúde.


 
A atividade elétrica que acontece no cérebro cria ondas cerebrais, que podem ser lidas por aparelhos para fazer eletroencefalogramas. Durante os ataques epiléticos, há uma perturbação destas ondas. Para se fazer um exame destes, é necessário ir a um hospital. Agora um consórcio português desenvolveu um boné (ou outro tipo de chapéus com o aparelho) capaz de realizar o exame. Em teoria, uma pessoa com epilepsia pode usar este boné no seu dia-a-dia para medir as ondas cerebrais. No caso de ter um ataque, as entidades de saúde poderão até ser avisadas.

Este boné ainda não está comercializado. Mas esta quinta-feira, este e outros desenvolvimentos na área da saúde serão apresentados no ciclo de conferências Inovação em saúde translacional e investigação clínica: da bancada para cabeceira, de Portugal para o mundo, no Auditório da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
 
Estas conferências destinam-se a apresentar os resultados do projeto Do IT – Desenvolvimento e Operacionalização da Investigação de Translação, do Health Cluster Portugal (uma associação criada em 2008 por institutos e empresas para desenvolver produtos comerciais na área da saúde, a partir da ciência feita em Portugal).
 
O Do IT – iniciado em 2011 e finalizado em 2015 – contou com 21 entidades do sector da saúde e apostou em projetos em quatro áreas: anticorpos contra a doença de Alzheimer; a identificação de genes que ajudem a prever a eficácia de terapias contra o cancro do cólon e do reto; o desenvolvimento de diagnósticos para a avaliação do risco de diabetes 2; a criação de plataformas de recolha de informações e dados clínicos, permitindo terapias mais eficientes.
 
Além destes quatro áreas, o projeto tinha em conta uma quinta área com o objetivo de desenvolver um documento orientador, que, aproveitando a experiência do Do IT, possa ajudar a uma transferência mais eficaz do conhecimento científico para a aplicação.
 
“Tem-se verificado uma descontinuidade entre a geração de conhecimento e a sua transformação em novos produtos. É precisamente esta a essência do projeto Do IT”, explica Joaquim Cunha, diretor-executivo do Health Cluster Portugal, num comunicado desta associação. O projeto recebeu 6,8 milhões de euros do programa Compete do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
 
A criação do boné que faz encefalogramas inclui-se nas plataformas de recolha de informações e dados clínicos, chamada MyHealth, coordenada por Nuno Sousa, médico e professor na Universidade de Minho. “O boné permite-nos fazer um registo de atividade elétrica cerebral do indivíduo em qualquer local”, diz o investigador ao PÚBLICO, resumindo assim o projecto MyBrain.
 
O aparelho faz as medições por baixo do boné. Não tem fios e tem ligação wireless. “Tivemos de fazer um enorme desenvolvimento tecnológico”, refere Nuno Sousa. Ao contrário dos eletroencefalogramas nos hospitais, o boné não necessita que o utilizador ponha gel para a leitura. Foi ainda necessário pôr uma bateria no aparelho para fosse portátil e um chip para armazenar a informação. Há ainda um sistema de transmissão para “emitir alertas” para os centros de saúde, que pode servir para os casos de epilepsia.
 
“Já temos empresas interessadas no desenvolvimento comercial”, assegura Nuno Sousa, acrescentando que o protótipo está preparado para ser comercializado em 12 a 24 meses. Uma versão mais simplificada do aparelho pode ser usada durante o trabalho, em situações em que os trabalhadores não podem adormecer, como os camionistas. Nesse caso, o boné pode detetar quando alguém está a começar a adormecer, através da leitura de um certo padrão de ondas cerebrais, e emite alertas.
 
O MyHealth contou com a colaboração da Universidade do Minho, da Unidade Local de Saúde do Alto Minho e das empresas Frulact, Plux e Têxtil Manuel Gonçalves. Os dois principais aspectos deste projecto foram a criação de uma plataforma informática de armazenamento de dados clínicos e outra de análise destes dados, para facilitar a consulta e o desenvolvimento de terapias apropriadas para os doentes.
 
Além do MyBrain, existiram outros projetos do MyHealth: uma cinta para grávidas que recolhe sinais vitais do feto; um dispositivo portátil que faz análises clínicas usando saliva ou urina; ou uma série de testes para conhecer a história clínica a partir do cabelo.
 
Em relação a este último projeto, Nuno Sousa explica que é possível medir os níveis de hormonas e de fármacos no cabelo, um tipo de medições normalmente feitas em análises do sangue, que dão resultados momentâneos. “Usando o cabelo, podemos ter o nível médio do composto ao longo do tempo”, diz Nuno Sousa, explicando que, sabendo a velocidade de crescimento do cabelo de uma pessoa, é possível ter uma noção temporal dos níveis fisiológicos de uma determinada substância.
 

Investigadores da UAlg reconhecidos internacionalmente

Um grupo de investigadores da Universidade do Algarve, liderado pelo Wolfgang Link, identificou um biomarcador para o diagnóstico de melanoma, que também prevê a resposta a tratamentos quimioterapêuticos. Recentemente, o mesmo grupo, que pertence ao Centro de Investigação em Biomedicina (CBMR) da UAlg, foi distinguido pela Associação Laço no âmbito da sua investigação sobre o papel da proteína TRIB2 na formação e progressão do cancro da mama e na resistência à terapêutica.
 


No que diz respeito ao melanoma, sabe-se que é a forma mais letal de cancro da pele. Melanomas primários diagnosticados precocemente podem, muitas vezes, ser tratados com sucesso, através de excisão cirúrgica. No entanto, os melanomas em estágios avançados são difíceis de tratar e a maioria dos pacientes desenvolve a doença metastática letal. O melanoma é originado a partir de células produtoras de pigmentos, os melanócitos. Como a presença do pigmento melanina pode ser observado diretamente, o melanoma é um dos cancros mais fáceis de diagnosticar.
 
O problema é que as células de melanoma podem espalhar-se por todo o corpo em estágios iniciais da doença e, em muitos casos, formam metástases resistentes a terapias. A incidência de melanoma metastático tem aumentado ao longo das últimas três décadas, com uma taxa de mortalidade que continua a aumentar mais rapidamente do que quase todos os outros tipos de cancro.
 
Por tudo isto, há uma necessidade urgente de conseguir melhores marcadores moleculares para diagnosticar o estágio da doença com maior precisão, determinar o seu risco de progressão e prever com precisão a resposta à terapia. Por exemplo, explica Wolfgang Link, “seria muito útil ter um biomarcador para distinguir os pacientes que podem ser tratados com sucesso apenas com cirurgia e os que necessitam de um tratamento mais agressivo com radiação ou quimioterapia”. Na opinião do investigador, “isso evitaria não só que muitos pacientes sofressem desnecessariamente os efeitos colaterais desses tratamentos, mas também pouparia dinheiro ao Sistema Nacional de Saúde.

É neste sentido que este grupo de investigação tem vindo a trabalhar, tendo identificado, recentemente, uma proteína que pode ser capaz de prever o risco de progressão do melanoma com mais precisão do que os biomarcadores de melanoma atualmente conhecidos/ estabelecidos. Este estudo acabou de ser publicado na prestigiada revista "Carcinogenesis" e mostra que a quantidade da proteína TRIB2 se encontra significativamente aumentada em nevos benignos e melanoma, sendo que a sua expressão (quantidade) é maior em amostras de pacientes com melanoma metastático.
 
O grupo de investigação comparou a proteína TRIB2 com outros biomarcadores conhecidos para o melanoma metastático e demonstrou que a sua quantidade é indicativa de presença do melanoma, do estágio da doença e da sua resposta à terapia. Richard Hill, o primeiro autor do artigo afirma que este trabalho estabelece as bases para futuros estudos por forma a melhorar a gestão da doença agressiva que resiste a todos os tratamentos padrões atuais.
 
Investigadores premiados no âmbito da investigação sobre o cancro da mama
 
Foi a mesma proteína, a TRIB2, que é também objeto de estudo deste grupo na formação e progressão do cancro da mama e, ainda, na resistência à terapêutica, que fez com que Wolfgang Link fosse distinguido pela Associação Laço, com o valor pecuniário de 25 mil euros, para que, através desta investigação, se consiga personalizar mais o tratamento, através de novas formas de abordagem do cancro da mama metastático.
 
Em relação ao montante do prémio, o investigador considera que é sempre bom para ajudar a manter a investigação, mas considera que não chega para manter os padrões que estão na génese de uma investigação complexa. “É bastante importante que sejamos reconhecidos pelo nosso trabalho, para que possamos manter o alto padrão de investigação da UAlg e do Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina. Nestes tempos de crise, este prémio pelo menos permite continuarmos a investigar e, isso, é o mais importante!”
 
Wolfgang Link realça o facto de, num curto espaço de tempo, três investigadores da UAlg terem sido distinguidos pela investigação desenvolvida em torno do cancro, o que, na sua opinião, “reflete a alta qualidade da investigação desenvolvida nesta Universidade”. 
 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Investigação inovadora abre nova porta para tratamento do Alzheimer

A descoberta de que a doença é causada em parte por um comportamento anormal do sistema imunitário revela novas possibilidades de tratamento.
 


Uma equipa de investigadores da universidade norte-americana de Duke fez uma descoberta que poderá mudar o rumo do estudo e desenvolvimento de tratamentos para o Alzheimer. Os cientistas descobriram uma nova causa para a doença, relacionada com um comportamento estranho das células do sistema imunitário, e já sabem como impedir esse comportamento em ratos.
 
Os investigadores mostram, no seu estudo publicado na revista científica Journal of Neuroscience, como as células do sistema imunitário, que normalmente protegem o cérebro, podem começar a consumir a quantidades anormais um nutriente importante, a arginina, que impedem de chegar às partes do cérebro que precisam dele.
 
Nos ratinhos que usaram para a experiência, os cientistas conseguiram bloquear o consumo da arginina por essas células através de um medicamento, e isso impediu a perda de memória que é característica da doença. Assim, a investigação mostra não só uma nova causa dos sintomas da doença, que ainda não era conhecida, como abre portas para a criação de um novo tratamento.
 
"Se o consumo de arginina é realmente tão importante para o processo de desenvolvimento da
doença, talvez possamos bloquear esse consumo [por parte das células do sistema imunitário] e reverter a doença", disse a principal autora do estudo, Carol Colton, citada no comunicado da Universidade de Duke.
 
Para esta investigação, os cientistas usaram um tipo de especial de ratinho, chamado CVN-AD, cujo sistema imunitário foi alterado geneticamente para ser mais parecido com o dos humanos. O cérebro deste tipo de ratinho desenvolve, afetado pela doença, duas das principais características de Alzheimer no cérebro humano: tanto a formação de placas de proteínas como a formação de novelos neurofibrilares.
 
O tratamento de bloqueio da absorção de arginina evitou que se formassem essas placas, e também preveniu a perda de memória. O medicamento foi dado ao ratinho antes de este começar a desenvolver sintomas.
 
É importante lembrar, no entanto, que os tratamentos que resultam em ratinhos não são facilmente transpostos para seres humanos. Mas a investigação abre um novo caminho no estudo do Alzheimer e de potenciais formas de prevenir e tratar os seus sintomas.
 
O nutriente arginina é um aminoácido que entra no corpo através de produtos de origem animal como carne, peixe ou iogurte, e também existe em nozes, amendoins, sementes de girassol, entre outros alimentos. A sua absorção pelas áreas do cérebro que precisam dele é bloqueada por este comportamento anormal do sistema imunitário. Mas os investigadores sublinham que não vale a pena consumir mais arginina nem tomar suplementos, porque nada indica que isso resolva a situação, visto que nada garante que esta chegue às partes do cérebro que precisam dela.
 
O diretor executivo da associação Alzheimer Portugal aponta para a existência de 90 mil pessoas com a doença, e metade delas viverá sozinha.
 

Novos estudos de ressonância magnética detetam Parkinson

Investigadores do Instituto de Medicina Molecular demonstraram que a utilização de novos estudos de ressonância magnética permitem diagnosticar a doença de Parkinson.
 


Trata-se de um "avanço significativo para a deteção desta doença crónica com uma prevalência estimada em cerca de 18 mil indivíduos", salienta o Instituto de Medicina Molecular (IMM).
 
O diagnóstico precoce da doença de Parkinson permite orientar a terapêutica, "selecionando um plano adequado para otimizar os recursos farmacológicos disponíveis e permitindo a definição do prognóstico, com marcadas implicações pessoais e familiares", defende o instituto.
 
A doença de Parkinson caracteriza-se, na análise anátomo-patológica, por uma perda de coloração da "substantia nigra", uma área do tronco cerebral onde se localizam células responsáveis pela produção de dopamina, muito ricas num pigmento chamado neuromelanina, desempenhando um papel muito importante no controlo da motricidade.
 
O trabalho da equipa de investigadores do IMM, liderada por Joaquim Ferreira, conclui que a "substantia nigra" pode ser identificada através da realização de uma ressonância magnética.
 
"Os estudos de ressonância magnética, através da análise da neuromelanina, podem auxiliar o diagnóstico da doença de Parkinson, devendo ser integrados na avaliação clínica dos doentes por neurologistas especialistas na área das doenças do movimento", explica o IMM.
 
Os investigadores defendem que estes exames de imagem podem responder a dúvidas relativas ao diagnóstico da doença de Parkinson ou à sua diferenciação relativamente a outras situações clínicas.
 
 

Portugueses explicam como a restrição calórica poderá travar envelhecimento

O mistério dura há décadas: por que é restringir drasticamente a ingestão de calorias aumenta a longevidade de uma série de animais, dos ratinhos aos cães?
 
 
 
Uma equipa de neurocientistas da Universidade de Coimbra descobriu um mecanismo que poderá explicar por que razão, quando se reduz 20% a 40% o número de calorias ingeridas por ratinhos – sem, contudo, provocar subnutrição –, isso não só atrasa o envelhecimento dos animais, como também prolonga a sua vida. Cláudia Cavadas e a sua equipa do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra descreveram recentemente os seus resultados na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

Antes de mais, eis algumas peças do puzzle que estes autores conseguiram agora fazer encaixar. Primeiro, como fazem notar no seu artigo, uma das principais características do envelhecimento reside na diminuição da qualidade do “serviço de limpeza” interno das células. Tecnicamente designado “autofagia”, este mecanismo permite que as células vivas reciclem aqueles seus componentes que já não funcionam ou que deixaram de ter utilidade. E é fácil imaginar que, se as células não se conseguissem assim “autocanibalizar”, ficariam rapidamente “entupidas” pelo lixo que elas próprias produzem.
 
Por outro lado, escrevem os cientistas, descobriu-se recentemente que o hipotálamo, estrutura cerebral que regula o metabolismo corporal, é uma peça-chave do controlo do envelhecimento do organismo – e que influi sobre a longevidade.

Mais: nos animais idosos, não só os níveis de autofagia celular, mas também os níveis de uma das principais substâncias presentes no hipotálamo – o neuropéptido Y – diminuem. Acrescente-se por fim outro facto conhecido: pelo menos em parte, a restrição calórica, tal como já referida, atrasa o envelhecimento, porque faz aumentar os níveis de autofagia.

Por isso, lê-se ainda no artigo, os cientistas decidiram testar a seguinte hipótese: que o neuropéptido Y “poderia ter um papel de relevo na modulação da autofagia no hipotálamo”. Uma hipótese que, a confirmar-se, permitiria ligar, via um mecanismo concreto, a restrição calórica drástica ao atraso no envelhecimento e ao aumento da longevidade. Foi o que aconteceu.

No seu estudo, os cientistas começaram por colher neurónios no hipotálamo de ratinhos e fazê-los crescer num meio de nutrientes que imitava as condições de uma dieta muito restrita em calorias, explica em comunicado a Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. E, como previsto, observaram que os níveis de autofagia nos neurónios aumentavam muito para além do normal nestas condições. Todavia, apenas aumentava se a acção do neuropéptido Y não tivesse sido (artificialmente) bloqueada. O efeito da restrição calórica no nível de autofagia celular parecia portanto depender do neuropéptido Y.

Numa segunda fase, os autores mostraram ainda que, em ratinhos mutantes que produzem níveis muito altos do neuropéptido Y no seu hipotálamo, o nível de autofagia aumentava. Tudo isto sugere fortemente que o efeito benéfico, em termos de envelhecimento e longevidade, da restrição calórica parece passar pelo aumento dos níveis do neuropéptido Y no hipotálamo.

“Este estudo, realizado durante cerca de três anos no CNC e que envolveu vários investigadores, mostra, pela primeira vez, que o neuropéptido Y no hipotálamo é um elemento fundamental para que ocorra um aumento da autofagia induzida pela restrição calórica”, diz Cláudia Cavadas em comunicado da Universidade de Coimbra.

No seu artigo, os cientistas especulam que “a modulação dos níveis hipotalámicos poderá ser considerada como uma potencial estratégia para produzir efeitos protectores contra as disfunções do tálamo associadas ao envelhecimento e para retardar o envelhecimento”. E, em particular, o envelhecimento do próprio cérebro, que leva a desenvolver doenças neurodegenerativas como a Alzheimer ou a Parkinson.

Contudo, ainda vai ser preciso testar se o mesmo mecanismo existe no cérebro humano. Há coisas que ainda não estão explicadas, como, por exemplo, a razão pela qual, nomeadamente em ratinhos selvagens, a restrição calórica não produz os mesmos efeitos que nos ratinhos de laboratório.
Seja como for, existem indícios que apontam para um mecanismo semelhante na nossa espécie. “Nos seres humanos, o aumento dos níveis do neuropéptido Y também poderá estar correlacionado com benefícios em termos de longevidade”, salientam os cientistas, “uma vez que as mulheres centenárias apresentam maiores níveis do neuropéptido Y no plasma [do sangue] do que as mulheres mais novas”.

Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/portugueses-explicam-como-a-restricao-calorica-podera-travar-envelhecimento-1690953

Coimbra dá importante contributo para aplicação da terapia génica

Um dos grandes entraves ao sucesso da aplicação da terapia génica, que consiste em transferir material genético exógeno para células-alvo, por forma a corrigir doenças que envolvam fatores genéticos, como por exemplo o cancro, é o transporte e entrega eficiente desse material genético àquelas células.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), através da Faculdade de Ciências e Tecnologia e do Centro de Neurociências e Biologia Celular, conseguiu ultrapassar este grande obstáculo, desenvolvendo um “veículo” de transporte à base de dois polímeros completamente catiónicos (um polímero que tem uma distribuição de cargas positivas em toda a sua cadeia).
 
 
 
Pode dizer-se que o nanossistema concebido pela equipa da UC, nos últimos quatro anos, é uma espécie de «novelo formado pelo emaranhado de polímero e genes que assegura o transporte eficaz do material até às células-alvo, protegendo-o e impedindo a sua destruição ao longo do percurso», ilustram os coordenadores do estudo, Jorge Coelho e Henrique Faneca.

A solução inovadora foi testada em linhas celulares cancerígenas, mas a sua potencial aplicação estende-se a várias patologias que envolvem fatores genéticos, como as doenças neurodegenerativas. Nas experiências realizadas, após complexos estudos que permitiram encontrar a estrutura certa do novo polímero com propriedades favoráveis à entrega do material genético, demonstrou-se que «os genes chegaram ao destino com sucesso, apresentando o novo nanossistema uma toxicidade reduzida.

Outra característica importante deste “veículo” é o facto de conseguir conduzir uma grande quantidade de genes com uma reduzida porção de polímero, notam os investigadores que pretendem prosseguir com o estudo, agora em modelos animais.
 
 

Innovative light therapy with nanophotosensitizers reaches deep tumors

Light long has been used to treat cancer. But phototherapy is only effective where light easily can reach, limiting its use to cancers of the skin and in areas accessible with an endoscope, such as the gastrointestinal tract. Using a mouse model of cancer, researchers at Washington University School of Medicine in St. Louis have devised a way to apply light-based therapy to deep tissues never before accessible.
 
Instead of shining an outside light, they delivered light directly to tumor cells, along with a photosensitive source of free radicals that can be activated by the light to destroy cancer. And they accomplished this using materials already approved for use in cancer patients. The study appears March 9 in the journal Nature Nanotechnology ("Breaking the depth dependency of phototherapy with Cerenkov radiation and low radiance responsive nanophotosensitizers").
 
 
 
“Phototherapy works very well and has few side effects, but it can’t be used for deeply embedded or metastatic tumors,” said senior author Samuel Achilefu, PhD, professor of radiology and of biomedical engineering at Washington University.
 
“In general, shining a light on photosensitive materials generates free radicals that are very toxic and induce cell death. But the technique has only worked well when light and oxygen can get there. The need for oxygen and the shallow penetration of light in tissue have limited advances in this area for decades.” The light source the researchers harnessed relies on a phenomenon called Cerenkov radiation, identified in the 1930s by Pavel Cerenkov, who later won the Nobel Prize in Physics for the discovery. Cerenkov radiation is responsible for the characteristic blue glow of underwater nuclear reactors. It also is produced during positron emission tomography (PET) scans that doctors use to diagnose cancer. Achilefu and first author Nalinikanth Kotagiri, MD, PhD, a postdoctoral researcher, focused on a widely used imaging strategy called FDG-PET.

With this technique, patients undergo a PET scan after receiving an intravenous dose of radiolabeled sugar molecules called fluorodeoxyglucose (FDG). Many tumors take up the sugar to support their rapid growth, and the attached radioactive fluorine makes those tumors light up on a PET scan, no matter where they are in the body. The researchers hypothesized that the radioactive fluorine also would produce enough Cerenkov radiation to activate a photosensitizing agent if it could also be delivered to the same location. In this way, FDG could serve two purposes, continuing its role as an imaging agent and adding the new job of providing light for phototherapy, according to Kotagiri. “FDG is one of the most widely used imaging agents in the world,” Achilefu said. “That’s the beauty of this treatment paradigm. It’s used in hospitals today to find primary and metastatic cancer. So with FDG as our light source, we needed to find a material that becomes toxic when exposed to the light it produces.”        

After looking at a number of options, the researchers focused on nanoparticles made of titanium dioxide, a mineral with wide applications in medicine and industry including in hip implants, sunscreen, toothpaste and food additives. When exposed to light, titanium dioxide produces free radicals without requiring oxygen for the reaction. To see if they could increase the potency of the nanoparticles, the investigators also added a drug called titanocene to the nanomaterial’s surface. “Titanocene has been approved for investigational use in people,” Achilefu said. “It went all the way to Phase 2 clinical trials as a chemotherapy agent. It was found to be safe, but it didn’t work that well compared with a placebo. Still, it’s also known to interact with low-intensity light and break into free radicals. We decided to see if we could teach it to do its job differently — to act as a phototherapeutic drug instead of a chemotherapeutic drug.”        

To help the nanoparticles home in on tumors in mice, the researchers also coated the particles with a protein called transferrin that binds to iron in the blood. Like sugar, many tumors rely on iron to grow. Achilefu pointed out that this iron-binding protein is simply one example of a way to target the photosensitive materials to cancer cells. The researchers tested different formulations of the nanoparticles and cancer drug combined with the FDG light source in mice with human lung tumors and fibrosarcoma, a tumor of the connective tissue.

Comparing these mice with untreated mice, they tested the following combinations: FDG plus tumor-seeking nanoparticles alone (no cancer drug), FDG plus tumor-seeking cancer drug alone (no nanoparticles), and FDG plus tumor-seeking nanoparticles carrying the cancer drug. When injected into the bloodstream with FDG, the tumor-seeking nanoparticles that carried the cancer drug had the most significant effect. Fifteen days after treatment, tumors in treated mice were eight times smaller than those in untreated mice. Mice that received FDG plus tumor-seeking nanoparticles alone survived about 30 days compared to an average of 15 days for untreated mice.
 
They also found about the same 30-day survival for mice that received FDG plus just the tumor-seeking cancer drug — without the nanoparticles. Survival increased to 50 days for mice receiving all three components: FDG plus the tumor-seeking nanoparticles carrying the cancer drug. “Exposed to the light source, the titanium dioxide nanoparticles alone can kill cancer,” Achilefu said. “But adding the drug appears to enhance the therapeutic outcome. The two together produce different kinds of free radicals that overwhelm tumor cells. Our formulation also uses doses of the drug that are much lower than would be administered for chemotherapy.” Kotagiri added that toxic side effects should be minimal. Both the light and the photosensitive material are targeted to the tumor, and the material is not toxic unless activated by the light source, which should occur only at the tumor site. 

Achilefu and Kotagiri are planning a small clinical trial in people to evaluate the readily available components of this strategy, beginning with FDG combined with the investigational cancer drug.
Fonte: http://www.nanowerk.com/nanotechnology-news/newsid=39330.php

Cientistas testam nova técnica para tratar Alzheimer através de ultrassons

Cientistas conseguiram desgastar a placa que se forma no cérebro de pacientes com Alzheimer com uma técnica experimental aplicada a ratos, alguns dos quais recuperaram a memória.
 


Cientistas conseguiram desgastar a placa que se forma no cérebro de pacientes com Alzheimer com uma técnica experimental aplicada a ratos, alguns dos quais recuperaram a memória, revela um estudo publicado na revista “Science Translational Medicine”.
 
A lesão cerebral da doença de Alzheimer é causada por depósitos anormais de fragmentos de proteínas beta amiloide. Esses depósitos formam umas placas que se concentram e criam um emaranhado que afeta a transmissão entre as células nervosas do cérebro.
O tratamento da doença continua a ser difícil, em parte porque o cérebro tem uma barreira protetora, formada por uma densa camada de células fortemente ligadas e que impede a entrada de qualquer substância potencialmente nociva que circule no sangue, mas também de medicamentos.
 
O neurocirurgião Jurgen Got e Gerhard Leinenga, do Instituto do Cérebro da Universidade de Queensland, na Austrália, exploraram a hipótese de penetrar no cérebro do rato e desgastar a placa beta amiloide.
 
Para o conseguir, os especialistas fizeram um teste utilizando ultrassons combinados com microbolhas injetadas no sangue do rato, que vibravam em resposta às ondas emitidas, e assim abrir temporariamente a barreira protetora do cérebro.
 
Os investigadores aplicaram a técnica em várias ocasiões durante algumas semanas no cérebro dos ratos afetados pelo Alzheimer. E constataram que em 75 por cento dos ratos as placas desaparecerem quase por completo, sem causar danos no tecido do cérebro. Os ratos também obtiveram melhores resultados nos testes de memória, orientação e reconhecimento de objetos depois de aplicado o tratamento.
 
A análise dos tecidos cerebrais revelou que o ultrassom estimulou também as células do sistema imunitário do sistema nervoso central.
 
Os cientistas salientaram que se trata de uma técnica não invasiva que está nas primeiras fases de investigação, embora acreditando que no futuro poderá ser uma estratégia possível para tratar o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas.
 
Os autores esperam agora testar a técnica em ovelhas com Alzheimer.
 
 

Irmão portugueses criam app para médicos registarem casos de ébola

O Google apostou no projeto e a aplicação está a ser utilizada na Serra Leoa, num campo de tratamento de doentes.



A epidemia do vírus do ébola deverá terminar em Agosto, segundo uma estimativa recente da ONU. Até aqui tem-se assistido a uma luta renhida entre médicos e vírus.
 
Nas unidades de saúde improvisadas ou nos hospitais que receberam doentes, médicos e enfermeiros debatem-se com as limitações impostas pelo vírus ao seu trabalho, desde a desinfeção constante, fatos isoladores sob temperaturas elevadas, falta de meios técnicos. Dois jovens programadores portugueses criaram uma aplicação (app) para tablet para ajudar os médicos a registarem os dados dos doentes, deixando para trás um processo contraproducente no qual os profissionais de saúde literalmente gritavam nomes e números entre si para fazer os registos.
 
Tudo começou com um desafio colocado em Outubro de 2014 por um dos conselheiros tecnológicos da organização Médicos sem Fronteiras, Ivan Gayton, a um grupo de sete voluntários da área de tecnologia no Reino Unido, que se conheceram através de hackathons, maratonas de programação, onde trabalharam juntos. Ao grupo, que incluía os irmãos portugueses Gil e Daniel Sinclair Júlio, de 22 e 26 anos, respetivamente, foi pedido que encontrassem uma solução para o problema dos médicos que têm apenas meia hora para tratar pacientes, documentar informações sobre estes e passar essas informações por wireless, sem que tivessem que gritar entre si, devido aos fatos e máscaras isoladores obrigatórios em cenários de ébola.
 
“O que nos foi desafiado foi encontrar uma solução para reduzir o tempo de documentar informações acerca do doente e na sua passagem para o exterior da zona de risco”, explica Daniel Júlio, num email enviado ao PÚBLICO. O jovem, que desde 2000 vive entre Portugal e Inglaterra, trabalha como programador Android numa empresa de venda de equipamento fotográfico de alta gama. O irmão Gil está no último ano de licenciatura em Engenharia Informática em Coventry e já só vem a Portugal nas férias.
 
A dupla portuguesa acabou por criar uma app Android, que “tinha que comunicar com o servidor que estaria fora da zona de risco”. “Eu e o meu irmão programamos uma aplicação para o tablet e outros membros do grupo para o servidor e outros trataram do design”, revela Daniel Júlio. A app foi a primeira a surgir, num projeto que contou ainda com a criação de um tablet com uma capa protetora feita em policarbonato pelo Google, que se interessou pelo projeto feito pelos voluntários apresentado à empresa por Ivan Gayton.
 
App usada em campo da Serra Leoa
A capa protetora envolve o tablet, que fica totalmente isolado e pode ser mergulhado numa solução de cloro para ser desinfetado entre cada caso de doente com suspeita de infeção pelo vírus do ébola. O dispositivo é carregado wireless, já que todas as entradas estão seladas com a capa. “O Google também disponibilizou uma equipa de cerca de cinco engenheiros informáticos a trabalhar neste projeto full-time a nível de software para acelerar o processo”, adianta o jovem português ao PÚBLICO.
 
Quanto à app, Daniel Júlio conta que a grande vantagem é permitir que “os dados dos doentes assim que são introduzidos no tablet fiquem disponíveis em tempo real no lado de fora da zona de risco”. “Os dados não têm que ser gritados para o outro lado e muitas vezes perdidos quando os papéis são queimados. Aqui, todos os dados são guardados instantaneamente, poupando tempo aos médicos por um lado. Por outro, mais dados ficam disponíveis aos profissionais para mais tarde avaliarem quais os tratamentos mais eficazes, quais as idades que estão em maior risco, etc... Muitas estatísticas úteis podem ser extraídas destes dados”.
 
As limitações físicas dos médicos dentro dos fatos e luvas protetores também foram tidas em conta. “Fizemo-la [a app] com botões e letras grandes onde a maior parte dos dados pode ser introduzida apenas selecionando esses botões em vez de ter que se usar o teclado virtual dos tablets”.

O tablet e a app estão a ser usados há cerca de duas semanas num campo de tratamento de doentes com ébola na Serra Leoa. A app foi usada numa fase experimental em campos de teste dos Médicos sem Fronteiras, com “feedback muito positivo”, segundo o português. A passagem para campos reais de tratamento foi o passo seguinte e o software e hardware deverão passar a ser utilizados noutros campos de tratamento na África Ocidental, onde se registou a maioria dos casos de ébola. Um relatório divulgado este mês pela OMS estima que o vírus tenha matado mais de dez mil pessoas, de um total de mais de 24 mil casos de infeções.
 
Daniel Júlio sublinha que a app pode ser facilmente adaptada a outros cenários de pandemia. “Por exemplo, pode-se fazer com que se tire ou haja campos de preenchimento novos, dependendo do que se pretende para cada pandemia/epidemia”, aponta, sublinhando que todo o código da app é feito em open-source por isso “qualquer organização vai poder usá-la”.
 
Daniel Júlio continua entusiasmado com o projecto que ajudou a desenvolver com o irmão. “Não é muitas vezes que se ouve de uma ONG, uma multinacional, e um grupo de voluntários criar algo realmente importante, mas depois deste projecto, posso dizer, que é algo que resulta e que gostaria de ver acontecer mais vezes”.

Fonte: http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/irmaos-portugueses-cria-app-para-ajudar-medicos-nos-registo-de-doentes-com-ebola-1690261?page=-1

Afinal, a lepra é causada por duas bactérias

Sete anos depois de uma segunda espécie de bactéria da lepra ter sido isolada num doente mexicano, o seu genoma foi sequenciado. A Mycobacterium lepromatosis separou-se da bactéria mais comum da lepra há quase 14 milhões de anos.



Para uma doença já famosa no tempo de Jesus Cristo, ainda há muitos aspectos desconhecidos sobre a lepra. Até há poucos anos, apenas se conhecia uma bactéria que originava esta doença, o bacilo Mycobacterium leprae. Mas em 2008 encontrou-se um outro bacilo num doente com lepra oriundo do México, o Mycobacterium lepromatosis. Uma equipa de cientistas sequenciou agora o genoma da nova espécie e comparou-o com o da antiga. Os resultados mostram que os dois bacilos são semelhantes, embora se tenham separado na árvore evolutiva há quase 14 milhões de anos, adianta um artigo na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

“Para nosso espanto, descobrimos que, estruturalmente, os dois genomas são muito semelhantes, apesar de terem divergido há muito tempo”, diz ao PÚBLICO Andrej Benjak, investigador da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça, e um dos autores do artigo publicado pela equipa liderada por Stewart Cole, que fez a sequenciação do genoma.
 
Esta informação sobre o genoma é importante. Quando se identifica uma bactéria nova associada a uma doença antiga, é necessário compreender se essa bactéria está, de facto, a originar a mesma doença ou uma doença semelhante. A descodificação do genoma – ao mostrar as características da bactéria, como o tipo de células humanas que é capaz de infectar – ajuda a desvendar esta questão.
No caso da lepra, tudo aponta para ambos os bacilos causarem a doença, explica Andrej Benjak: “As duas espécies não só são semelhantes em relação ao tamanho do genoma, como também têm os mesmos grupos de genes. Isto significa que, provavelmente, a biologia das duas espécies é muito semelhante.”
 
A lepra é uma doença infecciosa crónica e muito antiga. Terá surgido por volta de 2400 anos a.C., no Médio Oriente. O caso mais antigo de lepra que se conhece é o de um homem que viveu entre 1 e 50 anos d.C., cujo corpo foi encontrado nos arredores da cidade de Jerusalém. Análises ao ADN dos vestígios mostraram que o indivíduo tinha tido lepra. Ao longo dos séculos, a doença espalhou-se pelo mundo, estando associada à pobreza. Os leprosos, devido à sua aparência impressionante e por transmitirem uma doença então incurável, foram muitas vezes isolados e ostracizados.
 
Em 1873, Gerhard Armauer Hansen, um médico norueguês, identificou o agente patogénico que causa a lepra. A Mycobacterium leprae tornou-se então a primeira bactéria a ser associada a uma doença humana. E a lepra passou a ser também conhecida pela doença de Hansen, em referência ao médico.
 
Hoje, sabe-se que esta bactéria se multiplica muito lentamente e ataca os nervos periféricos, mais especificamente as células de Schwann. Estas células, que dão apoio ao sistema nervoso, envolvem as células nervosas com camadas de mielina, uma substância rica em gordura que permite a rápida propagação dos impulsos nervosos. Quando atacadas pelas bactérias, as células de Schwann morrem, o sistema nervoso começa a deixar de funcionar e os doentes começam a deixar de ter sensações em determinadas regiões da pele. E o resultado é uma neuropatia periférica. Um dos testes que ajuda a diagnosticar esta doença afere a sensibilidade das pessoas em zonas da pele onde surgem manchas. Mas além da pele, a doença afecta também as mucosas das vias respiratórias superiores e os olhos.
 
Depois de alguém ficar infectado pela bactéria, pode passar um grande período sem que a doença se manifeste. O período de incubação médio é cerca de cinco anos, mas os sintomas podem demorar 20 anos ou mais a surgir. Quando não é tratada, a doença causa danos permanentes na pele, nos nervos, nas mãos e nos pés e nos olhos, descaracterizando as pessoas, e destruindo os dedos. Os doentes acabam por ficar dependentes de terceiros para fazerem a sua vida diária.
 
Desde a década de 1960 que há vários antibióticos para tratar a doença. Em 1995, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a distribuir de forma gratuita o tratamento à base de três antibióticos, o que permitiu reduzir muito a prevalência da lepra. Nos últimos 20 anos, 14 milhões de doentes com lepra foram curados. Em muitos países, a lepra foi erradicada – a OMS considera que um país deixa de ter lepra quando há menos de um caso por 10.000 habitantes. Em Portugal, entre 2009 e 2012 houve 31 casos importados de lepra, segundo o relatório Doenças de Declaração Obrigatória 2009-2012, da Direcção Geral da Saúde.
 
Ainda assim, todos os anos, há mais de 200.000 novos casos a nível mundial. E a doença é um problema em países como Angola, Brasil, República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Madagáscar, Moçambique, Nepal, Nigéria ou Sudão. Só a Índia teve mais de 127.000 novos doentes em 2011.
 
Bactérias incultiváveis
“Em 2008, uma nova espécie de micobactéria chamada Mycobaterium lepromatosis foi identificada numa autópsia de um sem-abrigo mexicano, que morreu no Arizona, Estados Unidos, com lepra do tipo lepromatosa difusa”, lê-se no novo artigo da PNAS, que têm ainda como autores investigadores da Universidade de Tubinga e do Instituto Max Planck para a Investigação da História Humana, em Jena, ambos na Alemanha, e da Universidade Autónoma de Nuevo Leon, no México. A lepromatosa difusa é uma forma mais grave de lepra, comum na região ocidental do México e na região das Caraíbas.
 
A equipa de Stewart Cole foi investigar melhor a nova espécie de bactéria. Uma das dificuldades do estudo dos dois bacilos – tanto do Mycobacterium leprae como do novo Mycobaterium lepromatosis – é que não é possível cultivá-los no laboratório. “O genoma [destas bactérias] perdeu todos os genes que são necessários para elas sobreviverem fora das células hospedeiras”, explica Andrej Benjak.
 
Esta impossibilidade dificulta a investigação destas bactérias. Há ainda muitas perguntas sobre a lepra. Por exemplo, não se sabe como é que os bacilos conseguem fugir ao nosso sistema imunitário, nem como e quando é que infectaram a espécie humana. Também não se explicou ainda por que é que o período de incubação é tão variável (há casos de bebés em que a lepra aparece poucos meses depois de terem estado em contacto com alguém infectado), nem se compreendeu completamente como é que as bactérias se transmitem. No seu site, a OMS refere que, apesar de não ser muito infecciosa, a lepra é transmitida pelas gotículas do nariz ou da boca de um doente, que não está a ser tratado, quando contacta com alguém saudável.
 
Com a descoberta da nova bactéria em 2008, surgiram ainda mais dúvidas, diz Andrej Benjak: “Ainda não sabemos se a Mycobacterium lepromatosis pode causar outras formas de lepra, ou se pode causar sintomas novos que nunca foram identificados ou nunca foram associados à lepra.”
Por isso, foi necessário sequenciar o genoma da Mycobacterium lepromatosis. “O primeiro passo para compreender um novo microorganismo é sequenciar o seu genoma e, se tal for possível, compará-lo com um genoma que esteja relacionado a nível evolutivo”, explica Andrej Benjak. Para tal, houve que utilizar o ADN do bacilo obtido numa biópsia de um doente do México, e ampliá-lo com técnicas de engenharia genética.
 
Ao compararem os genomas da Mycobacterium leprae e da Mycobaterium lepromatosis, os cientistas chegaram à conclusão de que 92% dos genes das duas bactérias são iguais, o que as torna muito semelhantes. Além disso, estimaram que as duas espécies se separaram há 13,9 milhões de anos. O antepassado comum destas bactérias foi perdendo a função de muitos genes, e os dois bacilos continuaram esse processo depois de se separarem em duas espécies, embora essa perda posterior tenha ocorrido em regiões diferentes do genoma de cada uma das espécies.
 
Os investigadores confirmaram ainda que o novo bacilo tem todos os genes necessários para infectar as células de Schwann. “Isto significa que é capaz de causar neuropatia periférica em humanos, a característica principal da lepra”, diz Andrej Benjak, explicando que, se a Mycobacterium lepromatosis não infectasse aquelas células, apenas causaria uma doença de pele e não a lepra.
 
Por agora, a equipa só encontrou a nova bactéria em doentes do México, embora também a tenham procurado em doentes do Brasil, do Mali e da Venezuela. Segundo Andrej Benjak, o próximo passo é tentar fazer um mapa-múndi da nova espécie: “Primeiro, queremos analisar mais amostras [de tecidos com bactérias] do México e da área envolvente. Depois, gostaríamos de fazer um mapa geográfico da Mycobacterium lepromatosis para ver a distribuição mundial deste agente patogénico. Isto contribuirá para compreender a evolução tanto da Mycobacterium lepromatosis como da Mycobacterium leprae. Estes novos conhecimentos poderão ajudar a desenvolver estratégias mais eficazes de monitorizar e prevenir esta doença.”
 

Mitochondrial gene therapy passes final U.K. vote

The United Kingdom’s House of Lords has approved legislation to allow a new type of in vitro fertilization (IVF) that would replace faulty DNA, preventing certain types of genetic diseases. The vote follows the House of Commons approval of the measure on 3 February, making the United Kingdom the first country to explicitly allow the procedure, which would combine DNA from two biological parents and an egg donor.
 


The technique will be allowed under fairly tight regulation: Researchers who wish to offer the service to couples still must apply for and receive a license from the country’s Human Fertilisation and Embryology Authority.
The technique, called mitochondrial DNA replacement therapy, would allow women who have mutations in the DNA of their mitochondria, the organelles that provide chemical energy for cells, to have genetically related children who don’t carry the mutations. It is controversial, however, because it would modify the DNA of an embryo in a way that could be passed on to future generations.

People who have faulty mitochondria can experience a variety of symptoms, including heart problems, seizures, and blindness. The symptoms are variable, however, and the condition can be difficult to diagnose. Some babies born with defective mitochondria die within months. Other people don’t show any symptoms until much later in life.
 
Mitochondria are passed on through the egg cell, so the diseases are inherited through the mother. Researchers have developed ways to transfer the genetic material from an egg cell that carries faulty mitochondria into a donor egg that has healthy mitochondria. And after that egg has been artificially inseminated with sperm, the resulting embryo carries nuclear DNA from the mother and father and mitochondrial DNA from the egg donor.
 
The United Kingdom has conducted several scientific and ethical studies on the issue since 2011, all of which concluded that the technique was potentially safe and ethical. But some researchers have argued that not enough is known about potential side effects of the technique.
After several hours of debate, the Lords defeated a proposed amendment to the legislation that would have established a committee to further study the possible risks of the technique. They then quickly approved the proposed regulations.
 
Opponents of the IVF method expressed their dismay afterward. “Unlike experimental gene therapies where risks are taken on by consenting individuals, these techniques turn children into our biological experiments and forever alter the human germline in unknowable ways. There is no precedent for this,” said Marcy Darnovsky, executive director of the Center for Genetics and Society, which has argued against approval of the technique. “We call on those who have supported moving forward with these techniques to make it clear that other kinds of inheritable genetic changes remain off-limits.”
 
In the United States, the Food and Drug Administration has asked the Institute of Medicine to study the ethical and scientific issues involved in the technique and issue a consensus report. The expert committee’s next meeting is scheduled for 31 March. 
 

Polícia Técnica utiliza aparelho inovador que identifica drogas em segundos

Aparelho portátil que faz a identificação de substâncias químicas através do contato de raios infravermelhos, o Raman é uma das novidades do Departamento de Polícia Técnica neste Carnaval para a constatação de drogas. O equipamento analisa de maneira rápida e segura a composição de substâncias, em qualquer lugar, com base em uma biblioteca interna onde estão catalogados vários tipos de entorpecentes e medicamentos em geral.



A Bahia é um dos poucos estados que possui o equipamento, braço direito de profissionais do DPT, como explica o perito criminal Augusto Sérgio Costa Souza. “Entre os benefícios do uso do Raman, além da agilidade, estão a utilização de técnica não destrutiva ao ambiente e a necessidade de pequena quantidade de amostra do produto para análise”, afirmou.

A proximidade do posto do DPT com o Departamento de Narcóticos da Bahia (Denarc), no circuito Dodô (Barra/Ondina), facilita ainda mais a análise dos produtos aprendidos durante o Carnaval. “A parceria com o Denarc durante a festa faz com o que os resultados agilizem, inclusive, o andamento dos inquéritos”, afirmou a perita Dayana Barbosa Souza.

Antes da aquisição do equipamento, a identificação de drogas apreendidas era feita através de reações químicas, mas o método continua sendo utilizado para uma segunda confirmação. Com o Raman, é possível saber qual a substância existente em um produto em poucos segundos.
 

Un implante flexible hace andar a ratones paralíticos

Una nueva prótesis elástica permite estimular durante meses la médula espinal cuando está dañada, lo que favorece la recuperación del movimiento que se pierde en las extremidades. El prototipo se ha probado con éxito en ratones, que han vuelto a caminar después de una lesión medular, pero está previsto aplicarlo en personas con el mismo problema o en aquellas que padecen enfermedades neurodegenerativas.


Una de las técnicas que ayudan a tratar las lesiones en la médula espinal es colocar un dispositivo electroestimulador bajo la duramadre, la envoltura que protege el sistema nervioso. El problema es que estas prótesis son rígidas y rozan con el tejido nervioso cuando se mueve, causando inflamación, cicatrices y rechazo a las pocas semanas.
 
Ahora un equipo internacional de científicos, liderados desde la Escuela Politécnica Federal de Lausana (EPFL) en Suiza, ha creado un dispositivo flexible y elástico que se puede implantar en la médula espinal para estimularla, eléctrica y químicamente, sin causar fricción ni daño tisular. Lo han bautizado como ‘duramadre electrónica’ (e-Dura), según explican esta semana en la revista Science.
 
Cuando este implante se ha insertado en la médula de ratas paralíticas, los roedores han conseguido volver a caminar después de un periodo de entrenamiento. Los investigadores han confirmado que transcurridos dos meses no se detecta ningún rechazo, y calculan que el dispositivo podría funcionar hasta casi 10 años en un paciente humano.
 
"Nuestro implante e-Dura puede permanecer durante mucho tiempo en la médula espinal o la corteza cerebral porque tiene las mismas propiedades mecánicas que la duramadre; y esto abre nuevas posibilidades terapéuticas para los pacientes que han sufrido traumatismos o trastornos neurológicos, en particular para aquellos que quedaron paralizados después de una lesión medular", destaca Stéphanie Lacour, investigadora del EPFL participante en el estúdio.
 
Según los autores, el potencial de aplicación de los nuevos implantes es enorme, ya que también podría ayudar en los tratamientos de la epilepsia, la enfermedad de Parkinson y la terapia contra el dolor. El equipo tiene previsto realizar ensayos clínicos en seres humanos, y ya preparan el prototipo para su comercialización.
 
 
Silicio, oro y microperlas
 
La prótesis e-Dura está fabricada de un sustrato transparente de silicio donde se embeben los elementos electrónicos y químicos que estimulan la médula espinal en el punto de lesión. En concreto, incorpora líneas conductoras de oro agrietado y electrodos con ‘microperlas’ –lo que facilita la elasticidad del material–, así como microcanales por donde fluyen fármacos neurotransmisores que reaniman a las células nerviosas.
 
El conjunto es tan flexible como un tejido vivo y se amolda bien al sistema nervioso, por lo que los riesgos de rechazo se reducen drásticamente. Además, el implante se puede usar para monitorizar los impulsos eléctricos del cerebro en tiempo real. De hecho, cuando hicieron esto con los ratones, los científicos pudieron averiguar con precisión la intención motora del animal antes de que ejecutara el movimiento.
 
"Para construir e-Dura hemos tenido que combinar las aportaciones de un número considerable de áreas, desde la ciencia de los materiales y la electrónica, hasta la neurociencia, la medicina y la programación de algoritmos”, resume Grégoire Courtine, otro de los autores.