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sexta-feira, 30 de maio de 2014



Notícia do III Simpósio “Emprego e Oportunidades em Ciências Biomédicas”

Realizou-se no passado dia 22 de Maio de 2014, o III Simpósio “Emprego e Oportunidades em Ciências Biomédicas”, na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, promovido pelos alunos do 1º ano do 2º Ciclo do curso de Ciências Biomédicas, no âmbito da Unidade Curricular de Projeto em Ciências Biomédicas.
Foi com o Anfiteatro Amarelo lotado que o coordenador do Simpósio, o Prof. Eduardo Cavaco, deu início à sessão de abertura, dando as boas vindas a todo o público presente. Coube ao Prof. Doutor João Queiroz - FCS/UBI o 1º painel, "O Papel das CB na Inovação", onde falou sobre a criação do curso de Ciências Biomédicas na Universidade da Beira Interior, ele que foi um dos seus impulsionadores, abordando também perspetivas futuras sobre o curso. No 2º painel tivemos um depoimento de uma ex-aluna de CB da UBI, a Mestre Ana Sofia Silva - FCT-UNL e CICS/FCS, onde conseguiu empolgar a assistência com a apresentação do seu percurso académico, desde a UBI na Covilhã até MIT nos Estados Unidos. O Mestre Luís Rato - CICS/FCS discursou no 3º painel, onde também ele fez uma retrospetiva do seu percurso académico, expondo as incertezas com que se tem deparado ao longo do seu ciclo de estudos, no entanto deixou a convicção de ter feito a opção correta quando optou pelo curso de CB. Realizou-se o habitual Coffee Break, onde os alunos puderam descontrair e trocar ideias com os vários intervenientes sobre os temas expostos.
A segunda parte do Simpósio começou com a apresentação dos Projetos Empresariais  – desenvolvidos pelos alunos do Mestrado em CB, tendo 5 minutos para convencer a assistência sobre a viabilidade dos seus negócios/empresas. Os projetos apresentados foram os seguintes: Gloves4you, AllergicFast, Bye Pain Panties, MagicBox, High Tech Heels.
De seguida deu-se início à Mesa Redonda - Emprego e Oportunidades em CB, composta pelo Prof. Paulo Moniz - Vice-Reitor da UBI, Prof. Ilídio Correia - Diretor de Curso - 2º Ciclo em CB, Prof. Mafalda Fonseca - Diretora de Curso - 1º Ciclo em CB, Prof. Maria José Madeira - Diretora de Curso - 2º Ciclo Empreendedorismo e Criação de Empresas, Prof. Eduardo Cavaco - Coordenador UC Projeto em CB, Prof. João Queiroz - Impulsionador das CB na UBI, Luís Spínola- BioMedUBI - Núcleo de Estudantes de CB da UBI e Luís Crisóstomo - Associação Nacional de CB. Os elementos da Mesa deram a sua perspetiva sobre a empregabilidade do curso de CB, sendo aberto um espaço para questões, onde vários alunos puderam esclarecer algumas dúvidas que tinham no momento sobre o curso, tornando este momento numa sessão bastante participativa. Finalizada a Mesa Redonda, o Prof. Eduardo Cavaco realizou a Sessão de Encerramento, fazendo votos que este tipo de eventos se continue a realizar, pois o balanço foi bastante positivo e participativo, visto que esta iniciativa conseguiu captar a atenção de alunos dos vários anos do 1º e 2º Ciclo de CB, bem como de outros cursos.
Para finalizar realizou-se o Jantar do Simpósio, seguido do Programa Cultural, juntando alunos, professores e palestrantes, terminando assim em beleza este Simpósio.

Ficaremos a aguardar pelo IV Simpósio “Emprego e Oportunidades em Ciências Biomédicas”!!!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Investigadores fazem descoberta contra cancro de pele

Investigadores de Hong Kong, Macau e Taiwan obtiveram resultados promissores com um composto químico para tratar o cancro de pele, informa hoje o jornal South China Morning Post.

Uma equipa formada por investigadores da Universidade Baptista de Hong Kong, da Universidade de Macau e da Universidade Médica de Kaoshiung (Taiwan) descobriram, em experiências laboratoriais, que injeções de ródio -- elemento químico pertencente à classe dos metais -- podem inibir o desenvolvimento de cancro de pele.
Os cientistas reivindicam terem sido os primeiros a descobrir e a provar a função do composto metálico no tratamento de cancro de pele.
Cinco ratos com melanoma -- um dos tipos mais agressivos e perigosos de cancro de pele -- foram tratados com uma injeção do composto químico metálico quatro vezes por semana durante 35 dias no ano passado.
A experiência levou os investigadores a concluírem que o composto podia bloquear a atividade de uma proteína designada de STAT3, a qual desempenha um papel importante no desenvolvimento de vários cancros, incluindo o de pele, explicou Ma Dik-lung, professor assistente do Departamento de Química da Universidade Baptista de Hong Kong, citado pelo South China Morning Post.
Quando comparados com os do grupo de controlo que tinham cancro mas não receberam tratamento, os ratos que foram injetados com ródio (III) registaram um significativo abrandamento no crescimento do tumor.

Investigadores fazem descoberta contra cancro de pele


Por: Rúben Pires 
Fonte: http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3923228&seccao=Sa%FAde

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sonhar, talvez controlar os nossos sonhos...

Um estudo publicado no domingo na revista Nature Neuroscience conclui que a aplicação de uma corrente eléctrica ao cérebro durante o sonho induz um estado dito de “sonho lúcido” em que o sonhador se torna consciente de que está a sonhar e pode, muitas vezes, controlar os eventos do seu sonho. Os resultados mostram, pela primeira vez, que a indução de ondas cerebrais com uma frequência específica provoca o sonho lúcido.O trabalho de Ursula Voss, da Universidade J.W. Goethe de Frankfurt (Alemanha), e colegas foi inspirado por anteriores experiências de laboratório durante as quais voluntários humanos que se encontravam na fase REM do sono (a fase em que sonhamos) relatavam, ao acordar, que tinham tido um sonho lúcido. De facto, os electroencefalogramas registados durante o sono mostravam que esses sonhos eram acompanhados por uma actividade eléctrica cerebral particular, as chamadas ondas gama.Ora, este tipo de onda está relacionado com funções executivas tais como o pensamento de alto nível e a consciência do nosso próprio estado mental. Só que quase nunca tinha sido visto durante o sono REM.Visto que as ondas gama surgem durante o sonho lúcido, a equipa de Voss quis saber o que é que aconteceria se essas ondas fossem geradas induzindo uma corrente eléctrica no cérebro, durante a fase de sonho, da mesma frequência que as ondas gama naturais.Para testar esta ideia, os cientistas colocaram electrodos no coro cabeludo de 27 voluntários e utilizaram uma técnica dita de estimulação transcraniana de corrente alternada (tACS na sigla em inglês). Os participantes reportaram a seguir que tinham ficado conscientes de que estavam a sonhar. E também relataram que tinham sido capazes de controlar o enredo da história, por exemplo vestindo a sua personagem no sonho antes de ela sair de casa rumo ao emprego. Mais: tinham sentido ainda que o seu “eu” no sonho era uma terceira pessoa que eles observavam de fora.Porém, Voss não antevê qualquer aplicação comercial do sonho lúcido. Isto porque os dispositivos disponíveis no mercado “não funcionam muito bem”, disse a cientista numa entrevista.. E que os aparelhos que, como no seu estudo, permitem aplicar correntes eléctricas ao cérebro “devem ser sempre monitorizados por um médico”.Todavia, se os resultados se confirmarem, a técnica poderá permitir ajudar as pessoas que sofrem de stress pós-traumático e que têm frequentemente sonhos aterradores, nos quais revivem a sua experiência traumática.Se estas pessoas conseguirem sonhar de forma lúcida, poderão ser capazes de alterar o desenlace dos seus sonhos – por exemplo, virar numa rua diferente daquela onde foi colocada uma bomba ou entrando num restaurante antes de serem atacadas por um violador. “Ao aprenderem a controlar o sonho e a distanciar-se dele”, diz Voss, os doentes com stress pós-traumático poderiam reduzir o impacto emocional dos seus sonhos e começar a recuperar.

Por: Patrícia D'Amil m6403

Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/sonhar-talvez-controlar-os-nossos-sonhos-1635613 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Criadas células que produzem insulina a partir de clones de embriões humanos

Recentemente, cientistas conseguiram clonar células de uma mulher com diabetes. Estes investigadores não só produziram embriões e células estaminais que são geneticamente idênticos à mulher, mas conseguiu ainda que as células estaminais se diferenciassem em células capazes de produzir insulina.
Este feito permite no futuro usar a investigação em células estaminais para criar células à medida de cada doente para tratar doenças como a diabetes, a doença de Parkinson, doenças cardíacas e outros problemas de saúde. Por outro lado, o feito mostra que está iminente a possibilidade de os cientistas criarem embriões humanos a pedido, algo que a Igreja Católica e os defensores pró-vida criticam fortemente.

Este estudo é de uma equipa de cientistas liderada por Dieter Egli, do Instituto de Investigação da Fundação para as Células Estaminais em Nova Iorque. A equipa conseguiu criar as células-beta, que no pâncreas produzem a insulina, a partir de embriões clonados de uma mulher de 32 anos com diabetes do tipo-1. Quando transplantadas para ratinhos de laboratório, estas células funcionaram normalmente, produzindo insulina em resposta à presença de glicose no sangue. Um dos mais importantes usos das células-beta criadas agora em laboratório será a investigação, e não o uso em terapias.


Por: Sara Cegonho



quarta-feira, 21 de maio de 2014

A regra dos 5 segundos pode mesmo existir!

Quem nunca ouviu falar da regra dos 5 segundos??!

Um estudo científico levado a cabo por alunos de Biologia da Universidade de Aston demonstrou que esta regra pode ter algumas bases científicas. Isto porque fizeram a monitorização (entre os 3 e os 30 segundos) da passagem de algumas bactérias, nomeadamente Escherichia coli (E.coli) e Staphylococcus aureus, de diversos tipos de superfície para diversos tipos de alimentos (torradas, biscoitos e doces).

Descobriram que a comida que passou menos tempo em contacto com a superfície tinha poucas probabilidades de conter bactérias em comparação com a que ficou mais tempo em contacto.

Por: Maria João Oliveira, m6304

Fonte: http://www.sciencedaily.com/releases/2014/03/140310102212.htm


terça-feira, 20 de maio de 2014

Common Chemicals Damage Sperm

Consumo de água engarrafada de braço dado com a redução da fertilidade masculina

Investigadores elucidam o mecanismo através do qual os disruptores endócrinos comprometem a viabilidade das gâmetas humanas.

Todos nos utilizamos com frequência determinados produtos como pastas de dentes, protectores solares, garrafas de plástico ou brinquedos. No entanto nem todos sabem que eles estão repletos de químicos nocivos para o ser humano. Uma destas classes de químicos são os disruptores endócrinos.

“Neste estudo demonstramos pela primeira vez a relação entre a exposição a disruptores endócrinos presentes em produtos industriais e os efeitos no esperma humano”. Referiu um dos coautores do estudo Niels Skakkebaek.

Os disruptores endócrinos comprometem a fertilidade interferindo com um canal de cálcio presente nas membranas que controla a motilidade do esperma. Eles fazem abrir este canal levando à entrada do cálcio. Isto vai levar à perda de motilidade do esperma levando posteriormente à libertação prematura das enzimas que deveriam destruir as camadas mais exteriores do óvulo. Para além disso são ainda capazes de diminuir a sensibilidade à progesterona e as prostaglandinas, responsáveis por guiar os espermatozóides no órgão feminino.




Common Chemicals Damage Sperm


Researchers elucidate a molecular mechanism through which endocrine disrupting compounds compromise the viability of human gametes.

Additives known as endocrine disrupting chemicals (EDCs) compromise male fertility by interfering with a membrane-bound calcium channel that normally controls motility of sperm cells, according to researchers in Germany and Denmark. EDCs are used in hundreds of household products—including toothpastes, sunscreens, cosmetics, plastic bottles, and toys—and scientists determined that they can cause fertility problems in previous studiesl . But a study published in the journal EMBO reportes (May 12) is the first to posit a mechanism for how the chemical additives affect fertility in the human reproductive tract.

“For the first time, we have shown a direct link between exposure to endocrine disrupting chemicals from industrial products and adverse effects on human sperm function,” study coauthor and Copenhagen University Hospital researcher Niels Skakkebaek said in a statement



Skakkebaek and his colleagues tested 96 EDCs and found that about a third of them disrupted the function of an ion channel, called CatSper, in the membranes of sperm cells in vitro. EDCs, at concentrations typical for bodily fluids, added to human sperm opened CatSper channels, causing calcium to rush into the cells. This increased concentration of calcium ions changed the swimming behavior of the sperm, triggering the premature release of digestive enzymes that sperm need to breach the outer layers of egg cells. EDCs also appeared to decrease sperm’s sensitivity t progesterone and prostaglandins, hormones released by egg cells to guide the swimming cells to their ultimate target. “Compare it with your GPS receiving abnormal signals,” Skakkebaek told CNN “This may result in a wrong destination—read: the sperm may not reach the egg and fertilization may not occur.”

The European Commission is currently reviewing its policies on EDCs. Allan Pacey, a researcher at Sheffield University in the United Kingdom, told the Guardin that the new study is interesting, but should not, in isolation, change the advice that physicians give to their patients regarding EDCs. “Although sperm calcium changes may be seen in the laboratory, this is a long way removed from what might happen in living people,” he said.


http://www.the-scientist.com/?articles.view%2FarticleNo%2F39959%2Ftitle%2FCommon-Chemicals-Damage-Sperm%2F

Por: Pedro Videira, m6298

segunda-feira, 19 de maio de 2014

UMinho desenvolve modelo cerebral em fibra

O Grupo de Investigação em Materiais Fibrosos (FMRG) da Escola de Engenharia da Universidade do Minho está a desenvolver um modelo cerebral à base de fibras que ajudará a detectar e tratar doenças do sistema nervoso central. A pesquisa é liderada pela Universidade de Pittsburgh, no nordeste dos EUA, e já foi elogiada pela primeira-dama Michelle Obama. O objetivo é ajudar os 50 milhões de vítimas anuais de traumatismos crânio-encefálicos e os 30 milhões de novos doentes de Alzheimer a cada ano, entre outros.


Os traumatismos cerebrais resultam sobretudo de acidentes rodoviários, além de agressões físicas, quedas ou lesões por arma de fogo. Nesse impacto dá-se a ruptura dos axónios, que são as fibras dos neurónios condutoras dos impulsos eléctricos para todas as partes do corpo. Esta ruptura gera danos pontuais ou permanentes a nível cognitivo e físico para o paciente. Os métodos de diagnóstico existentes (ressonância magnética, tensor por difusão, tomografia axial computorizada – TAC) detectam a localização e gravidade destas lesões apenas em 30% dos casos, impedindo a avaliação e recuperação esperada dos doentes. Em Pittsburgh, o cientista Walter Schneider inventou uma promissora técnica de imagiologia com maior resolução, a high-definition fiber tractography (HDFT). A partir do movimento das moléculas de água que estão no interior dos axónios, extrapola uma imagem tridimensional em alta definição das estruturas fibrosas do cérebro. A resolução de dois milímetros das áreas afectadas é quase como observar um osso partido na radiografia. A HDTF permite até mapear gliomas (tumores de células que nutrem os neurónios) ou desordens na base do autismo e de doenças degenerativas como Parkinson.

Milhões de fibras conectadas entre si

Antes desta nova técnica ser aplicada à prática clínica, é preciso testar, calibrar e validar com perfeição. O problema é haver modelos do cérebro humano (“fantomas”), computacionais ou físicos, que se aproximem com o realismo suficiente. Walter Schneider abordou inúmeros grupos de pesquisa no mundo. O da UMinho, coordenado por Raul Fangueiro, “foi o único com a capacidade e o interesse à altura do desafio”: “É preciso mimetizar o comportamento do cérebro humano, criar milhões de fibras estreitas e intrincadas, organizando-as e conectando-as entre si”.
O Grupo de Investigação em Materiais Fibrosos espera ter dentro de dois anos um cérebro artificial de estruturas de fibras ocas que replicam os axónios e as suas ligações, servindo assim de referência para calibrar a técnica norte-americana de tractografia de alta definição e ajudando à detecção precoce de danos quase imperceptíveis pelos meios atuais.

“Com este modelo aprovado, os ganhos serão assinaláveis, com enorme impacto socioeconómico e na saúde pública”, realça Catarina Guise, que desenvolve a investigação no FMRG, no âmbito do seu doutoramento "Development of fibrous structures for brain phantoms". Os axónios são formados por microtubos, aproximando-se a fibras ocas unidas. Este foi o ponto de partida para se criar na UMinho um “fantoma” com materiais fibrosos, produzidos por extrusão.
As fieiras têm perfil especial, regulando as dimensões do orifício oco e o número de cavidades. O diâmetro tem 10 a 35 micrómetros (um quinto da espessura do cabelo humano) e deve permitir observar o comportamento de difusão no interior das fibras.
Como o sistema nervoso central tem diferentes regiões e configurações, há também técnicas de entrançamento e tecelagem estreita, salvaguardando aspectos como a restrição ou não do movimento das moléculas de água consoante as áreas brancas ou cinzentas do cérebro.

Por: Márcia Fonseca, m6277
Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=58595&op=all

sexta-feira, 16 de maio de 2014

GPS genético calcula as nossas coordenadas geográficas ancestrais

O Geographic Population Structure – ou GPS – é um software que permite, a partir da leitura de bocadinhos do ADN de qualquer pessoa, dizer de onde vieram os seus antepassados.


           São cada vez mais as pessoas que recorrem à genética para tentar saber de onde vieram os seus antepassados. Nuno Ferreira Santos

   Uma equipa internacional de cientistas desenvolveu uma ferramenta informática que permitiu identificar, em 83% dos casos, o país de origem de centenas de pessoas de todo o mundo com base no seu ADN. Os resultados, que segundo os autores têm implicações para a história das migrações humanas, as ciências forenses e a medicina personalizada, foram publicados na edição desta semana da revista Nature Communications.
   E mais: quando aplicado a cerca de 200 habitantes de dez aldeias na Sardenha, uma população com séculos de insularidade e endogamia, a ferramenta – baptizada Geographic Population Structure ou GPS – conseguiu “geolocalizar”, tal como o autêntico GPS por satélite, a área de residência de todos eles com uma precisão de 50 quilómetros… e até, em 25% dos casos, a sua aldeia. O mesmo aconteceu com 20 ilhas da Oceânia, onde 90% das pessoas cujo ADN foi analisado foram atribuídas à ilha certa pelo algoritmo, desenvolvido pela equipa de Eran Elhaik, da Universidade de Sheffield (Reino Unido), e Tatiana Tatarinova, da Universidade da Califórnia do Sul (EUA).
   O GPS não é o primeiro método a utilizar a genética para mapear a nossa geografia ancestral. “Nas últimas quatro décadas, os especialistas (…) têm-se esforçado por atingir esta meta, mas com um sucesso limitado”, escrevem os autores. De facto, os algoritmos utilizados até aqui “apenas conseguiam atingir uma precisão de 700 quilómetros na Europa e eram muito imprecisos em todos os outros sítios”, acrescentam.
   Existem empresas que comercializam online análises de ancestralidade genética. Por uma centena de dólares, podemos comprar um kit, recolher um pouco de saliva e fazer um teste. A seguir, a “leitura” de uma série de mutações genéticas pontuais, ou SNP, contidas no ADN dessa amostra biológica – e ali gravadas ao longo das gerações – permite reconstituir, nas suas grandes linhas, o rasto genético que persiste em nós da história e das deslocações dos nossos antepassados.
Porém, para desenvolver o GPS, os autores recorreram agora a um kit que afirmam ser muito mais preciso do que qualquer outro: o GenoChip, comercializado pela revista National Geographic no site do seu Genographic Project. Este teste contempla dezenas de milhares de SNP, distribuídas por todo o genoma, que se pensa serem particularmente informativas em termos de ancestralidade. Por outro lado, os cientistas também utilizaram amostras de ADN vindas do Projecto 1000 Genomas, que embora não esteja aberto à participação pública já permitiu sequenciar a totalidade do ADN de uma série de pessoas pertencentes a diversas populações humanas.

Geolocalização genética
O GPS genético que agora apresentaram foi desenvolvido para determinar a origem geográfica de uma dada pessoa. Só que, quando a pessoa pertence a uma população heterogénea do ponto de vista genético – fruto de sucessivas migrações e invasões ao longo da sua história –, o método serve sobretudo para identificar o local de origem ancestral e não o local de residência, explica a revista Nature num artigo jornalístico publicado no seu site.
“O que de facto descobrimos é uma maneira de determinar, não onde nasceu uma pessoa – essa informação consta do nosso passaporte –, mas sim onde é que o ADN dessa pessoa se formou, por vezes até há mil anos, devido a processos de mistura genética” de diferentes populações, diz Elhaik em comunicado da sua universidade. “E o que é notável é que conseguimos localizar com precisão a aldeia onde os antepassados de cada pessoa viveram há centenas e centenas de anos – algo que até aqui nunca fora possível.”
Tirando algumas excepções, a mistura genética costuma ser a regra nas populações actuais. E para Elhaik, também citado pela Nature, essa terá sido a razão pela qual só 83% das mais de mil pessoas por eles testadas no total foram devidamente colocadas no seu país de origem pelo GPS genético. Nos 17% restantes, o “erro” deveu-se provavelmente à história migratória dos seus antepassados.
Um exemplo particularmente ilustrativo – e diametralmente oposto ao da Sardenha – foi o do Kuwait. “As pessoas do Kuwait (…), originárias da Arábia Saudita, do Irão ou de outros locais da Península Arábica, foram atribuídas [pelo GPS] a essas regiões e não ao seu local de residência actual”, escrevem os cientistas.
Claro que não se tratou de um engano, mas apenas de um reflexo da diversidade étnica daquele país. “O facto de ter colocado os kuwaitianos no Irão e países circundantes não foi um erro, porque é mesmo dali que eles vieram”, frisa Elhaik. “E o mesmo vai acontecer com os norte-americanos actuais: a maioria deles vai ser mapeada para qualquer outro sítio que não os EUA.”
 Um dos aspectos que interessam à equipa é a aplicação da nova ferramenta à medicina personalizada. “Uma massa crescente de resultados mostra que certos medicamentos têm efeitos terapêuticos diferentes em populações diferentes”, explica ainda Elhaik. O facto de a genética fornecer as origens [geográficas ancestrais] de um doente, sobretudo em populações muito heterogéneas, poderá permitir melhorar a adequação dos medicamentos administrados.

Fonte: Publico;  http://www.publico.pt/ciencia/noticia/gps-genetico-calcula-as-nossas-origens-geograficas-ancestrais-1634153

Adriana Rabaca ; m6270

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cegueira provocada por doenças da córnea pode ser reversível

                                                               Paulo Torres (imagem Oftalpro)


A córnea é uma estrutura da superfície ocular externa, transparente, sem vasos sanguíneos, com uma curvatura e espessura muito próprias que permitem a entrada da luz dentro do olho. É um importante tecido ocular e a sua integridade é fundamental para que todo o processo da visão se possa realizar normalmente. Os transplantes são muitas vezes a única solução para reverter a cegueira provocada pelas doenças da córnea. Segundo a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) são feitos 700 por ano em Portugal, em cinco grandes centros de especializados neste tipo de procedimento. 

Paulo Torres, presidente da SPO, refere que há muitas doenças que afectam directamente a córnea, destacando as que induzem alterações anatómicas com diminuição da sua espessura e aumento da sua curvatura, infecções e traumatismos que originam cicatrizes e as que alteram as células mais internas da córnea com modificação do estado de relativa desidratação da mesma, originando, consequentemente, edema da córnea. Todas estas situações, se não tratadas ou se a sua progressão não for travada, poderão levar a uma acentuada diminuição da acuidade visual e por vezes cegueira.

“A cegueira provocada por patologia da córnea pode ser reversível” realça o especialista, “desde que as outras estruturas do olho estejam preservadas. Para tal recorre-se aos transplantes de córnea, isto é, substituição da córnea do doente ou parte dela por uma córnea total ou por lamelas corneanas provenientes de cadáver”.

Em Portugal, as principais doenças que motivam a realização de transplantes de córnea são o queratocone nos seus estados mais avançados, as opacidades da córnea originadas por infecções e traumatismos, as descompensações celulares corneanas originadas por doença da própria córnea ou por traumatismo cirúrgico prévio.
O presidente da SPO refere ainda: “Não nos podemos esquecer do grande inimigo do transplante de córnea, como em todos os transplantes de órgãos, que é a rejeição. Nas consultas de seguimento, os doentes são avisados dos sinais e sintomas de alerta desta complicação em particular, pelo que o acompanhamento próximo por parte do oftalmologista assistente na fase pós-transplante é fundamental”.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Gabriel Martins construiu um microscópio para fotografar embriões a 3D


Peça a peça, fabricou um microscópio e as imagens que tirou com ele valeram-lhe um prémio da Nikon. “As imagens bonitas são só o chamariz”, diz o cientista. O que está por trás é uma questão fundamental: como é que as formas das espécies divergem durante o desenvolvimento embrionário?


No ecrã do computador, há imagens de embriões de codornizes, de coelhos, de ratinhos, peixes e até plantas. Todos surgem em imagens tridimensionais, graças a um microscópio que o próprio biólogo Gabriel Martins construiu peça a peça. Não só é possível observar a parte externa, visível a olho nu, mas também a parte interna, aquela que só o microscópio capta. Nos animais, fica registada camada após camada, os ossos, os vasos sanguíneos, os tendões, os músculos, os nervos, os outros órgãos.

“As imagens bonitas são só o chamariz”, refere Gabriel Martins, espicaçando a nossa imaginação com o que se poderá descobrir utilizando a nova técnica de microscopia. Para já, as novas fotografias são um fim em si mesmo. “Por que gosto tanto de imagem de microscopia? Olhe para aquilo!”, diz-nos o cientista, sorriso aberto, braços e mãos esticadas em direcção ao ecrã do computador onde se vê um vídeo de um embrião de codorniz com dez dias de desenvolvimento.


Video referido em cima e que valeu o prémio internacional:

http://www.youtube.com/watch?v=40ED0djh59o

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Foi com este vídeo que o biólogo ganhou, em Abril, o primeiro prémio Nikon Small World in Motion Competition 2013, que distingue imagens em movimento. O filme, de apenas 13 segundos, é uma sequência impressionante de mais de mil imagens de cortes, de alto a baixo, de um embrião de codorniz. A partir de uma extremidade, as camadas vão-se sobrepondo até vermos o corpo do embrião inteiro, de cima, quando o filme termina.

“Fiquei contentíssimo”, diz Gabriel Martins, referindo-se ao prémio, cujo valor monetário foi de 3000 dólares (2179 euros). “Acho as imagens fantásticas, uso-as em todas as palestras para apresentar este aparelho. E foi a prova que precisava de que aquilo que faço tem interesse e impacto. Qualquer pessoa que vê as imagens sente que é fixe fazer coisas em ciência, mesmo quando não há orçamento, mesmo quando não há dinheiro, mesmo quando as adversidades são tantas. Só precisa encontrar uma coisa gira, acreditar nela e levá-la até ao fim.

Não cabiam no microscópio
Estamos numa salinha no IGC. Gabriel Martins é coordenador desde Setembro de 2013 da Unidade de Microscopia Avançada do instituto, gerindo o equipamento de microscopia. É aqui, na sala pequena, que agora está instalado o microscópio OPenT, o primeiro microscópio português deste tipo, construído pelo investigador em 2012, quando ainda trabalhava na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

O aparelho não tem o aspecto de um microscópio convencional. As peças estão montadas em cima de uma base larga. Do lado esquerdo, há um motor controlado de forma robotizada. É aqui que se coloca um frasco com os embriões. Do lado direito, a alguns centímetros, está uma câmara apontada para o frasco. Uma lâmpada projecta para lá uma luz azul. Fios distribuídos em cima da base fazem lembrar uma experiência de garagem.

Como é que daqui se passa para um vídeo premiado? Com química, robótica, óptica, informática e matemática. Para obter aquelas imagens tridimensionais, o cientista começa por descolorar um embrião e substitui a água das suas células por um óleo que não refracta a luz, ao contrário da água. O frasco, onde se encontra o embrião, está acoplado a um motor que é capaz de o girar em 3000 ângulos diferentes.

E a câmara tira 1600 imagens com o embrião em diferentes posições. Como a amostra é transparente e está carregada de óleo, a câmara consegue obter imagens focadas do interior do embrião e não só à superfície. Esta captação é feita graças a um sistema robótico, que comanda quando as luzes se ligam ou desligam, além de controlar a câmara e o motor.

O microscópio está ligado a um computador e as imagens são, depois, processadas pelo mesmo algoritmo utilizado na tomografia axial computorizada (TAC), muito usada em medicina. O algoritmo processa todas as fotografias obtidas pela câmara numa nova imagem para cada camada do embrião. O resultado é um ficheiro que facilmente tem mais de um gigabyte de tamanho.

Uma ideia para todos

Esta técnica de microscopia foi inventada em 2002 no Medical Research Council, em Edimburgo, na Escócia. Durante uns anos, os microscópios com esta técnica custavam “80 ou 90 mil euros”, segundo Gabriel Martins. Mas depois deixaram de ser vendidos. Por isso, o cientista português resolveu construir ele próprio um microscópio, materializando assim uma ideia que fez parte de projectos seus rejeitados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

“Montei-o por carolice”, admite Gabriel Martins, explicando que fez as imagens vencedoras depois do seu contrato de cinco anos na FCUL (contratos Ciência da FCT) ter terminado em final de 2012 e ele já estar sem trabalho. “Mas era o tipo de imagiologia que gostava de fazer porque sou embriologista: estudo como se formam os órgãos. Estamos sempre um bocado restringidos a ver células individuais e embriões pequeninos. Não temos acesso aos estádios mais tardios [quando os animais estão quase a nascer] porque não cabem no microscópio.”

Mas o novo aparelho, que custou apenas cerca de 3000 euros em materiais, consegue obter imagens de embriões maiores, com mais de quatro centímetros de altura. Gabriel Martins teve algumas indicações da equipa de Edimburgo para a sua construção, mas foi um esforço quase autónomo, em que até teve de aprender na Internet alguns princípios de robótica. “Como foi feito à mão, é tudo muito caseiro. O que acabou por ser uma das grandes vantagens”, explica o biólogo, que diz que conceptualmente este aparelho é muito simples. “Nenhum destes bichos que aqui estão dava para observar no aparelho original [de Edimburgo], que não foi construído a pensar em coisas deste tamanho.”

Até agora, apenas com um sistema de microscopia por ressonância magnética (que produz imagens tridimensionais por ressonância magnética aplicada a amostras pequenas, incluindo embriões) ou microscopia utilizando a técnica da TAC seria possível obter imagens semelhantes. Mas estes equipamentos chegam a custar entre centenas de milhares de euros até alguns milhões de euros, diz Gabriel Martins.

Depois de construir o microscópio, o investigador e mais dois cientistas do IGC, o espanhol Emilio Gualda e o português Nuno Moreno, decidiram fazer um site (sites.google.com/site/openspinmicroscopy/) no qual explicam como se constrói este e outro microscópio. É um sistema de partilha aberta (open source), onde estão indicados os passos de construção dos aparelhos, assim como a melhor forma de processar as imagens obtidas.

“Se nós não fizermos open source, há empresas que podem especializar-se em vender versões robotizadas e isso é caríssimo. O microscópio foi criado para ser barato, fácil e simples. É para poder ser feito por qualquer pessoa sem grandes conhecimentos”, sublinha o investigador. “As empresas não querem pôr estes novos tipos de microscopia cá fora, estão a ter dificuldade em construir um aparelho com o qual se consiga trabalhar. Por que não dar a outras pessoas oportunidades de o fazer? Isto torna o nosso trabalho mais abrangente e mais útil a outros cientistas.” Neste momento, seis cientistas têm estado a pedir indicações à equipa de Gabriel Martins para construírem o mesmo modelo.

Atlas das codornizes
Com o novo microscópio, Gabriel Martins tirou fotografias de codorniz em estádios mais avançados para um atlas do desenvolvimento embrionário desta ave, que estava a ser elaborado pela equipa de Robert Bryson-Richardson, da Universidade de Monash, Austrália. O atlas estava incompleto, só tinha fotografias até ao nono dia do desenvolvimento (a ave só sai do ovo entre o 16º e 17º dia), que foi o máximo que a equipa australiana conseguiu com os microscópios comerciais.

“O artigo [do atlas] saiu na semana em que ganhámos o prémio”, conta o cientista, referindo-se aos primeiros resultados do uso do microscópio. Além do vídeo, foram distinguidas pela Nikon outras duas fotografias (uma de codorniz e outra de coelho) tiradas com este microscópio por Gabriel Martins. No comunicado do prémio, a Nikon defende que “com esta técnica, é possível estudar toda a anatomia de grandes exemplares”.

O que falta agora, segundo o investigador, é obter a informação quantitativa destas imagens. Imagine-se um embrião de codorniz de dez dias, e pense-se numa forma de retirar destas imagens tridimensionais todo o sistema circulatório: coração, veias, artérias, indo até aos vasos sanguíneos mais pequenos. Depois, criam-se métodos matemáticos para obter as medidas deste sistema: os comprimentos, as áreas e os volumes.

A partir daqui será possível estudar o verdadeiro impacto das mutações genéticas. “Nos artigos científicos, alguém tira uma fotografia ao microscópio de uma malformação congénita do coração de um embrião mutante e tira outra fotografia de um coração de um embrião normal”, diz o investigador, explicando o paradigma actual da descoberta do efeito de uma mutação genética no desenvolvimento de um animal. Com as imagens tridimensionais criadas neste microscópio, pode ir-se mais longe. “Se o coração tem um defeito, será que os vasos sanguíneos também têm um defeito? Então, vamos ver os vasos sanguíneos em três dimensões”, exemplifica o cientista. Este tipo de avanço poderá vir a ser importante na medicina.

No entanto, será ainda necessário muito trabalho para chegar a este grau de sofisticação na utilização da técnica. Mas só assim, introduzindo a medição rigorosa no estudo da morfologia durante o desenvolvimento embrionário, é que Gabriel Martins poderá tentar responder a uma pergunta fundamental. “Estão a começar a aparecer provas quantitativas que, de facto, existe um período no desenvolvimento dos animais em que os embriões são parecidos. E não é no início nem no fim, é algures no meio”, conta o biólogo, que quer compreender este fenómeno nas aves através do estudo comparativo entre o desenvolvimento embrionário da codorniz, uma ave pequena, e o da avestruz, de tamanho formidável.

“Desta forma, é possível quantificar e saber exactamente se existe essa fase e quando é ela”, diz o cientista, referindo-se ao uso da nova técnica. Até agora, as observações originaram apenas especulações. “Muitas pessoas pensam que há um constrangimento evolutivo que faz com que, numa determinada altura, os embriões organizem os órgãos todos e, para isso, teriam de seguir o mesmo molde. Só a partir daí é que divergem.”

Agora, os cientistas poderão voltar a olhar para a forma, a morfologia dos seres vivos, como faziam até meados do século XX. Depois da genética, da bioquímica ou da biologia molecular terem aberto novos mundos à investigação da vida e terem tornado o estudo da morfologia “fora de moda”, como diz Gabriel Martins, esta nova técnica pode vir a reavivar uma disciplina antiga: “O conhecimento aprofundado da anatomia vai passar a ser novamente alvo de interesse dos cientistas, que agora têm ferramentas novas para fazer de forma quantitativa o que antigamente eram observações maioritariamente qualitativas.”


Fonte:http://www.publico.pt/ciencia/noticia/gabriel-martins-construiu-um-microscopio-para-fotografar-embrioes-a-3d-1635645?page=3#/2

Por: Diogo Ministro Ferreira, m6247

terça-feira, 13 de maio de 2014

Impacto da doença inflamatória do intestino na vida das pessoas
Estudo europeu revela absentismo laboral e desconforto social


No âmbito do Dia Mundial da Doença Inflamatória do Intestino, que se comemora no dia 19 de Maio, foram divulgados os resultados de um estudo europeu recente sobre o impacto que esta doença tem na vida dos doentes. As entrevistas foram feitas cinco mil doentes, de mais de 21 países, inclusive Portugal – 160 doentes dos quais 69% eram doentes de Crohn e 29% eram doentes de colite ulcerosa.

Entre os principais resultados do estudo a nível nacional destacam-se os ligados ao absentismo laboral mas também ao desconforto social e relações pessoais. A frequência da necessidade de ir à casa de banho é um dos resultados com mais destaque no estudo, por este motivo, esta rotina é considerada um fardo na vida dos doentes. Do total dos 160 doentes portugueses entrevistados, 36% afirmam já ter sido alvo de piadas por parte de terceiros relativamente à frequência com que têm necessidade de ir à casa de banho.

E quando a pergunta se refere a viagens ou a programas sociais, 53% dos inquiridos preocupam-se com a disponibilidade das casas de banho sempre que vão a algum sítio e 56% consideram mesmo este assunto como uma questão fundamental na altura de fazer planos de viagem ou mesmo planos para uma simples saída.

Relativamente ao absentismo laboral, 59% dos doentes sentem-se stressados e pressionados por ter de faltar ao trabalho por causa da doença, mas 75% indicaram já ter faltado pelo menos um dia durante o ano por causa da doença e 21% já faltaram mais de 25 dias.

Como principais razões apontam as consultas médicas (69%), emergências médicas com necessidade de ida ao hospital (54%), fadiga (43%) e cólicas ou dor abdominal (34%). Em termos de hospitalizações, 87% dos doentes dizem ter sido hospitalizados pelo menos uma vez em cinco anos por causa da doença.

No patamar da discriminação e estigma social, 24% dos entrevistados dizem ter sido vítimas de queixas e comentários injustos ao seu desempenho profissional e 19% revelam mesmo já ter sido discriminados no local de trabalho.


Em termos de profissionais, 49% dos doentes afirmam que as suas perspectivas de futuro foram afectadas negativamente pela doença inflamatória do intestino e 31% dos doentes indicam que a doença já fez com que se despedissem ou que fossem despedidos do seu trabalho.


Em termos pessoais, 22% dos inquiridos relevam que a doença os impediu de fazer ter amigos e 45% referem que a doença inflamatória do intestino os impediu de apostar numa relação pessoal. Contudo, 66% negam que a doença tenha sido a causa do fim de uma relação.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=58565&op=all 


Por: Catarina de Matos Luís, M6203

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Qualidade do sémen diminui com o aumento do consumo de álcool nas semanas académicas


A investigadora Margarida Fardilha

Investigação de Margarida Fardilha, do Centro de Biologia Celular da Universidade de Aveiro



A qualidade do sémen dos estudantes universitários diminui devido a alterações do estilo de vida, onde se inclui o excesso de consumo de álcool, durante os festejos das semanas académicas. As conclusões do estudo realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) apontam não só para um decréscimo em 65 por cento na concentração de espermatozóides, como também para um aumento em 53 por cento de danos no DNA e morte das células reprodutoras masculinas dos estudantes após as festas académicos.
O trabalho, realizado com amostras de sémen recolhido a cerca de uma centena de participantes, antes e depois da participação nas três últimas semanas académicas das universidades de Aveiro e Coimbra, confirma, pela primeira vez, que a ingestão aguda de álcool durante um curto período diminui consideravelmente a capacidade reprodutora no homem.

O estudo do Centro de Biologia Celular (CBC) da UA adianta ainda que, relativamente ao período que antecede a participação nas semanas académicas, onde se verifica um aumento de oito vezes o consumo de álcool, o volume do sémen dos participantes não só diminuiu em 43 por cento como houve um aumento de 38 por cento de células reprodutoras com defeitos morfológicos, nomeadamente na cauda e na peça intermédia.

Apesar de existirem já vários estudos que indicam que o consumo prolongado de álcool e drogas diminui a capacidade reprodutora masculina, no que diz respeito a ingestões agudas durante um curto período de tempo o trabalho da UA é pioneiro. Margarida Fardilha, coordenadora do estudo e responsável pelo Laboratório de Transdução de Sinais do CBC, sublinha que “os resultados mostram que as alterações agudas no estilo de vida que ocorrem no decorrer da semana académica conduzem a um aumento nos níveis de marcadores apoptóticos nos espermatozóides [marcadores de danos no DNA e morte celular], a uma diminuição na concentração de espermatozóides e do número total de espermatozóides no ejaculado e no volume de sémen, assim como, um aumento dos defeitos morfológicos nos espermatozóides”.

Numa terceira recolha de sémen, realizada aos estudantes três meses após a participação nas semanas académicas e a respectiva alteração aguda no estilo de vida que incluem não só um enorme aumento do consumo de álcool como de tabaco e de drogas, assim como, alterações do ciclo circadiano e má alimentação, a equipa de Margarida Fardilha regista que os valores estudados recuperam a normalidade mas, acrescenta, “desconhece-se o efeito a longo prazo da exposição continuada a estes factores”.

300 mil casais portugueses inférteis

O estudo pretende compreender ao nível molecular e celular o efeito das alterações do estilo de vida na qualidade seminal utilizando como modelo de estudo as festividades académicas.

Margarida Fardilha recorda que em Portugal a taxa de natalidade decresceu para 1,5, abaixo da média de 2,1 necessária para manter os níveis populacionais. “As consequências são dramáticas pois haverá menos mulheres em idade fértil, menos membros da família para cuidar dos idosos, as pensões aumentarão os gastos públicos e os trabalhadores serão mais velhos e menos adaptáveis diminuindo a produtividade”, antevê a investigadora.

Neste momento, em Portugal, a infertilidade afecta cerca de 300 mil casais. Nos últimos 50 anos verificou-se uma diminuição, de aproximadamente 50 por cento, na qualidade seminal e cerca de 20 por cento dos jovens europeus têm uma concentração de espermatozóides abaixo do limite inferior de referência da OMS.



Ana Sofia Soares, m6175

sábado, 10 de maio de 2014

Criado primeiro organismo vivo com “letras” artificiais dentro dos genes

O ADN da nova bactéria, que se reproduz mais ou menos normalmente, integra componentes de base que não existem na natureza, expandindo assim, pela primeira vez, o “alfabeto” do código genético.



O património genético dos seres vivos sempre se escreveu com quatro letras apenas – A, T, G, C. É assim que são designadas as quatro moléculas, ou bases, que formam a grande cadeia de ADN que todos temos nas nossas células. Mas a partir desta quarta-feira, o chamado código genético passou a ter… mais duas letras, totalmente artificiais e nunca vistas na natureza. O avanço, que segundo os autores abre o caminho a aplicações que vão da medicina à nanotecnologia, foi anunciado na revista Nature.
O que os cientistas, liderados por Floyd Romesberg, do Instituto Scripps (EUA), conseguiram fazer foi introduzir essas duas novas moléculas no ADN de uma bactéria que, apesar das intrusas, continuou a ter uma vida – e uma reprodução – essencialmente normais.
As letras do código genético não se combinam de qualquer maneira, mas apenas para formar dois pares: A-T e G-C. São estes pares de bases que constituem os degraus da longa “escada” (a dupla hélice) enrolada sobre si própria da molécula de ADN. E é este rígido emparelhamento químico que faz com que, quando uma célula viva se divide, o seu ADN seja capaz de fabricar uma cópia de si próprio. Abrindo-se tal e qual um fecho éclair, dá lugar a duas “metades” que irão cada uma reconstituir, de forma fidedigna (ligando sempre A a T e C a G), duas novas moléculas de ADN. Uma para cada célula-filha.
Desde finais da década de 1990 que o laboratório de Romesberg se lançou na pesquisa de moléculas artificiais que pudessem desempenhar o papel das bases do ADN – e que, em princípio, seriam portanto capazes de comandar o fabrico de novas proteínas e até de novos organismos, explica o Instituto Scripps em comunicado. Mas só a partir de 2008 é que os cientistas começaram a obter resultados decisivos.
A tarefa era hercúlea por várias razões. Por um lado, as moléculas que compõem o novo par de bases têm de se ligar com a mesma afinidade do que as bases habituais do ADN; também têm de permitir que o “fecho éclair” molecular se abra e se feche sem problemas, sob a acção da maquinaria natural da célula; e têm ainda de passar o crivo dos mecanismos celulares encarregados de reparar o ADN quando surgem erros de replicação. Se não for o caso, rapidamente as novas bases serão expulsas do património genético.
Em 2008, os cientistas identificaram possíveis candidatos a pares de bases e mostraram que funcionavam in vitro – ou seja, fora das células. Mas só agora é que conseguiram transpor a experiência para o interior de uma célula viva.
Ainda demoraram algum tempo a ultrapassar o que consideram ter sido o maior obstáculo: fazer com que essas duas moléculas artificiais (designadas d5SICS e dNaM) conseguissem penetrar nas células de Escherichia coli, uma bactéria comum do intestino humano muito utilizada em engenharia genética. Uma vez que estas bactérias não produzem elas próprias as novas bases, era obrigatório fornecer-lhas do exterior.
A equipa acabou por descobrir a solução em 2012: um gene vindo de uma alga, quando introduzido nas bactérias, permitia fazer exactamente isso. “Esse foi um ponto fulcral no nosso trabalho”, diz Denis Malyshev, autor principal, no mesmo comunicado. Cerca de um ano mais tarde, obtinham culturas de E. colique, apesar de conterem material genético não natural, se multiplicavam e reproduziam o seu ADN, incluindo a parte artificial.
Os cientistas salientam que não é possível surgirem acidentalmente linhagens de bactérias com estas moléculas no seu código genético. “As novas bases só conseguem entrar nas células quando activamos” o gene vindo das algas, diz Malyshev. E mesmo assim, “se pararmos de as fornecer às células, elas desaparecem do genoma”.
“A vida na Terra, com toda a sua diversidade, está codificada por apenas dois pares de bases (…) e o que fizemos foi criar um organismo que contém esses dois pares mais um, que não é natural”, diz Romesberg. “Isso mostra que existem outras soluções de armazenamento da informação [genética] e, claro, aproxima-nos de uma biologia à base de ADN ‘expandido’, que poderá ter muitas aplicações entusiasmantes.”
A próxima etapa, dizem os autores, consistirá em mostrar que a maquinaria celular consegue transcrever o ADN semi-sintético em ARN, a molécula a partir da qual a célula fabrica as suas proteínas. “Em princípio (…), isso dar-nos-ia uma capacidade sem precedentes de fabricar proteínas feitas à medida para fins terapêuticos”, salienta Romesberg – ou para desenvolver novos nanomateriais.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Sangue novo ajuda a rejuvenescer corpo velho... pelo menos no ratinho

Três estudos concluem que o sangue de ratinhos novos permite reverter os efeitos do envelhecimento em ratinhos idosos. E dois deles identificam a substância que poderá estar por trás destes benefícios.

Duas equipas vão publicar, na revista Science com data da próxima sexta-feira, estudos que indicam, respectivamente, que uma proteína do sangue, a GDF11, pode ajudar a reparar os estragos que o tempo opera nos músculos e no tecido cerebral de ratinhos idosos. Entretanto, na revista Nature Medicine do início desta semana, uma terceira equipa publicou resultados que sugerem que o sangue de ratinhos mais novos permite reverter o declínio das capacidades mentais de ratinhos mais velhos.

A proteína GDF11 é um “factor de crescimento” que existe naturalmente no organismo dos ratinhos – e também dos seres humanos. E sabe-se que a concentração de GDF11 no sangue dos ratinhos novos é muito mais elevada do que no sangue de ratinhos de idade mais avançada.

Amy Wagers e Richard Lee, do Instituto de Células Estaminais da Universidade Harvard (HSCI), nos EUA, líderes de um dos estudos agora publicados na Science e co-autores do outro, já tinham mostrado, em 2013, o efeito rejuvenescedor do sangue de ratinho jovem sobre o músculo e a função cardíacos de ratinhos mais velhos, lê-se num comunicado do HSCI. E tinham, a seguir, identificado a GDF11 como sendo a potencial responsável deste efeito “anti-idade”.

Regenerar os músculos

Mas agora, eles e a sua equipa descobriram que os benefícios da proteína não parecem limitar-se ao coração. “O nosso trabalho mostra que a GDF11 é activa em múltiplos órgãos e tipos de células”, diz Amy Wagers, citada no mesmo documento. Os cientistas mostraram que a GDF11 vinda de ratinhos mais novos melhora a função das chamadas “células-satélite” dos ratinhos mais velhos, ao contribuir para a reparação do material genético destas células. ­Ora, são as células-satélite que asseguram a regeneração dos músculos de todo o corpo ao longo da vida – e o seu desempenho diminui com a idade.

Pelo seu lado, a equipa liderada por Lee Rubin, também do HSCI, autora do segundo estudo na Science, interessa-se pelas doenças neurodegenerativas ligadas ao envelhecimento. E descobriu agora que a GDF11 dos ratinhos novos também faz aumentar a quantidade de vasos sanguíneos cerebrais que alimentam as células precursoras das células nervosas. O que, por sua vez, estimula a geração de novos neurónios.

As duas equipas utilizaram as mesmas duas técnicas experimentais. Por um lado, ligaram o sistema circulatório de um ratinho novo e de um ratinho idoso (com uma idade equivalente, nos seres humanos, a 70 anos), fazendo circular o sangue do animal novo pelo corpo de ambos; por outro, administraram injecções diárias de sangue de ratinho novo a ratinhos velhos.

No caso do cérebro, ambos os “tratamentos”, aplicados às áreas cerebrais associadas ao olfacto, devolveram nos ratinhos idosos uma acuidade perdida. “Os ratinhos mais novos têm um faro muito apurado, explica Rubin. "E quando testámos esses ratinhos novos, eles evitavam o cheiro a mentol, ao contrário dos animais mais velhos. Porém, quando expusemos os mais idosos ao sangue dos mais novos, os mais velhos também passaram a discriminar o cheiro a mentol" e a ter a mesma reacção.

Todos estes autores acreditam que, se tudo correr como previsto, a GDF11 poderá começar a ser ensaiada no ser humano daqui a três a cinco anos. “Pensamos que, pelo menos em princípio, deve ser possível reverter parcialmente o declínio associado ao envelhecimento com uma única proteína, que poderá ser a GDF11 ou uma molécula semelhante”, declara Rubin, especulando "não estar fora de questão que a GDF11 (ou algo parecido) possa vir a ser útil no tratamento da doença de Alzheimer”. Quanto a Wagers, a investigadora diz-se disposta a “apostar que os resultados destes trabalhos irão dar origem a um ensaio clínico e a um tratamento”.

Recarregar o cérebro

O artigo publicado na Nature Medicine, quanto a ele – da autoria de Tony Wyss-Coray, da Universidade de Stanford (EUA), e colegas – , não aponta para uma substância em particular. Mas confirma, mais uma vez no ratinho, a existência de factores sanguíneos capazes de combater os estragos do tempo.

Estudos anteriores já mostraram que certas substâncias presentes no sangue de ratinhos velhos podem, ao ser injectadas em ratinhos novos, perturbar as suas funções cognitivas. Mas o inverso – o facto de existirem substâncias no sangue dos mais novos que pudessem melhorar o desempenho cognitivo dos mais velhos – não era claro, explica a revista britânica.

Agora, a equipa de Stanford administrou repetidas doses de sangue de ratinhos novos (com três meses de idade) a ratinhos idosos (com 18 meses de idade) e observou uma melhoria do desempenho dos mais velhos em tarefas de aprendizagem e de memória. Para mais, este efeito rejuvenescedor também foi visível ao nível estrutural e molecular do cérebro dos animais tratados. Pelo contrário, quando os cientistas administraram sangue jovem, mas previamente aquecido, aos animais mais idosos, nada aconteceu. Segundo eles, isso indica que uma das substâncias do sangue jovem responsáveis pelo efeito terá sido destruída pelo calor.

“Mostrámos que pelo menos algumas deficiências da função cerebral ligadas ao envelhecimento são reversíveis”, diz o co-autor Saul Villeda em comunicado da universidade californiana. “É como se esses velhos cérebros tivessem sido recarregados pelo sangue novo”, diz por seu lado Wyss-Coray.

Quanto a saber quais serão as substâncias responsáveis, estes cientistas especulam que uma delas poderá ser uma proteína, chamada Creb, que se activa em particular no hipocampo – uma estrutura cerebral importante para a memória. “Estamos a trabalhar intensivamente para descobrir quais poderão ser os factores [sanguíneos envolvidos] e quais são exactamente os tecidos do organismo que os produzem”, acrescenta Wyss-Coray.

Embora ainda não saibam se os resultados se estendem aos seres humanos, estes cientistas também esperam testar essa hipótese a curto prazo através de ensaios clínicos. E também especulam que venham um dia a dar origem a novos tratamentos contra demências como a doença de Alzheimer.

Diogo Tomé 
M6110