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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Por que é que há doentes de Parkinson com problemas no andar?

Nas fases mais avançadas da doença de Parkinson, a estimulação cerebral profunda melhora a qualidade de vida dos doentes. Contudo, alguns que fazem esse tratamento acabam por ficar com o andar afectado. Ana Raquel Barbosa, médica interna, quer perceber quem são esses doentes, quais as suas características e como se poderá reverter as complicações na sua marcha. Com este projecto de investigação, a médica venceu o Prémio João Lobo Antunes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no valor de 40 mil euros. A cerimónia de entrega desta distinção é esta quarta-feira de manhã no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.
Ana Raquel Barbosa é médica interna de neurologia no Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, e a sua área específica é a das doenças de movimento. “Dentro das doenças de movimento, a doença de Parkinson é aquela em que temos mais doentes nas consultas”, diz a médica de 31 anos. Como tal, observou quais eram as dificuldades com que esses doentes se deparavam e como poderia intervir. “A investigação surge das necessidades que vão surgindo aos doentes”, salienta.
E que necessidades são essas? Nas fases avançadas da doença de Parkinson – a segunda doença neurodegenerativa mais comum, a seguir à Alzheimer –, a estimulação cerebral profunda é um tratamento eficaz para melhorar a qualidade de vida dos doentes. Para essa estimulação, através de uma cirurgia, são colocados eléctrodos em regiões profundas do cérebro dos doentes que estão ligados a uma espécie de bateria que está por baixo da pele, na região torácica. Essa bateria vai enviar energia para estimular o cérebro e controlar os sintomas da doença.
“No entanto, há um subgrupo de doentes que desenvolve algumas complicações na marcha”, refere Ana Raquel Barbosa. “Nesses doentes, a qualidade de vida piora bastante com a perturbação da marcha.” Os doentes ficam com os pés colados ao chão sem conseguir dar o próximo passo. Nalguns doentes isto pode acontecer esporadicamente ao longo do dia e noutros em toda a marcha.
Ana Raquel Barbosa quer então perceber se a forma como a estimulação é induzida pode ter influência na marcha, como as diferentes frequências em que é realizada. Quer saber ainda que doentes vão desenvolver essa perturbação, quais são as suas características e como pode ser revertida.
Para tal, juntamente com uma equipa do Hospital de Santa Maria e da Fundação Champalimaud (ambos em Lisboa), vai estudar doentes do Hospital de Santa Maria a partir de Janeiro de 2020. Este trabalho divide-se em dois estudos: um retrospectivo, em que se vão identificar cerca de 30 doentes que já têm essa perturbação e alterar os padrões da estimulação cerebral profunda; e outro prospectivo, em que vão seguir doentes que serão operados e identificar os que desenvolveram complicações na marcha.
Ao longo dos dois estudos, irão colocar-se nos doentes sensores de movimento – nomeadamente, sensores inerciais –, que permitem caracterizar e perceber quais são as alterações na marcha. Utilizar-se-á também a ressonância magnética para se saber quais são as alterações a nível das redes neuronais induzidas na estimulação cerebral. “Ao utilizarmos diferentes voltagens e frequências nos parâmetros de estimulação, vamos ver se conseguimos melhor a marcha dos doentes”, explica a médica.
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terça-feira, 4 de junho de 2019

Ciência para diferentes públicos alvos - 10º ano

Projecto realizado no âmbito da Unidade Curricular Projecto em Ciências Biomédicas do mestrado em Ciências Biomédicas da FCS/UBI, coordenação do Prof. Doutor Eduardo Cavaco, apoio da Prof. Doutora Ana Isabel Rodrigues Gouveia e Dr.ª Maria João Lima.
Este é um projecto que visa ir ao encontra das comunidades, onde os alunos são desafiados a pensar ciência para diferentes públicos desde os 3 aos 100 anos de idade.
Esta actividade decorreu com um turma do 10º ano na Escola Quinta das Palmeiras onde fomos muito bem recebidos. A actividade preparada e desenvolvida intitulou-se: “Aprender com a Ciência” organizada pelos alunos Aida Raposo, Mónica da Silva, Flávia Costa Ferreira e Miguel Moreira. A actividade passou por três estações com Dendrites de Estanho, Difusão: Um Movimento Misterioso e Velocidade das Reacções.
O nosso obrigado aos participantes, à Prof. Ernesta Parreira e à Escola Quinta das Palmeiras, estão todos de parabéns, pois as actividades foram um sucesso. MAIO 2019

A imagem pode conter: 25 pessoas, pessoas a sorrir, pessoas em pé e interiores

domingo, 2 de junho de 2019

Descoberto antídoto para um dos seres vivos mais venenosos do mundo: Através de um medicamento usado para o colesterol, conseguiu-se parar a necrose e atenuar a dor provocada pela picada da vespa-do-mar em ratinhos.
Ninguém se deixe encantar pela beleza da medusa Chironex fleckeri: ela tem veneno suficiente para matar mais de 60 pessoas. Conhecida como vespa-do-mar, esta medusa é assim um dos seres vivos mais venenosos do mundo. Portanto, a ambição para encontrar um antídoto que a afrontasse era grande. Agora, em testes com células humanas e de ratinhos, uma equipa de cientistas da Austrália e da China descobriu um medicamento que consegue bloquear os sintomas da picada desta medusa se for aplicado 15 minutos depois do ataque. No futuro, o objectivo é desenvolver um produto de uso tópico para humanos.
A vespa-do-mar tem cerca de 60 tentáculos que podem chegar aos três metros de comprimento. Vive nas águas costeiras da Austrália, da Papuásia-Nova Guiné, do Vietname e das Filipinas e é uma autêntica predadora. Quando está a caçar, pode nadar activamente 7,5 quilómetros por hora. Geralmente, caça pequenos peixes e camarões em águas superficiais.
Mas esta medusa também pode “caçar” humanos. O seu veneno – suficiente para matar mais de 60 pessoas – está escondido em milhões de “ganchos” microscópicos nos seus tentáculos. Se picar uma pessoa, a vespa-do-mar pode causar necrose na sua pele, dor e – se a dose de veneno for muita – pode provocar paragem cardíaca ou até mesmo a morte dessa pessoa em poucos minutos.
Estima-se que mais de 40 pessoas morram por ano devido aos ataques de medusas, segundo o site da revista Science. Contudo, Angel Yanagihara, bioquímica da Universidade do Havai e que não fez parte do recente estudo, refere que o número de mortes é bastante subestimado, assinalou à mesma revista. “As pessoas morrem e não há registos públicos”, afirmou a cientista, acrescentando que devem morrer cerca de 500 pessoas por ano devido a picadas de medusas.
Até agora, de acordo com o jornal espanhol ABC, o tratamento para as picadas consistia em aplicar vinagre ou água muito quente na zona afectada. Também, até ao momento, não se sabia como o veneno da vespa-do-mar atingia e entrava nas células humanas. Como se refere na Science, em estudos anteriores apenas se tinha percebido que toxinas no veneno podiam destruir os glóbulos vermelhos e danificar as membranas celulares, o que resultaria em dor ou até mesmo na morte. Percebeu-se ainda que haveria outros danos no corpo humano.
Agora, a forma como o veneno funciona foi desvendada através da tecnologia de edição genética CRISPR, uma ferramenta que permite editar o genoma através de tesouras moleculares. Neste estudo, esta ferramenta foi usada para bloquear genes humanos, para que se pudesse saber qual deles tinha uma função relacionada com o mecanismo de acção do veneno da medusa. Identificaram-se assim os factores humanos necessários para o veneno funcionar.
“A via do veneno que identificámos neste estudo precisa de colesterol, e visto que há vários medicamentos disponíveis que têm como alvo o colesterol, pudemos bloquear esta via para se ver qual era o seu impacto na actividade do veneno”, conta Raymond Lau, da Universidade de Sydney, na Austrália, e um dos autores do artigo publicado na revista Nature Communications, num comunicado da sua instituição. A equipa testou então medicamentos contra o colesterol em células humanas e em ratinhos.
Primeiro, usaram-se dois medicamentos (o metil-beta-ciclodextrina, ou MbCD, e o hidroxipropílico-beta-ciclodextrina, ou HPbCD) para evitar que o veneno da medusa matasse células mielóides humanas e glóbulos vermelhos de ratinhos. A equipa utilizou ainda o HPbCD – que é seguro para humanos – em ratinhos que tinham sido injectados com veneno da vespa-do-mar. “Em 15 minutos, o medicamento parou a dor e a morte dos tecidos”, lê-se no comunicado.
Creme ou spray?
“É um antídoto molecular. É a primeira vez que se percebe, a nível molecular, como este tipo de veneno funciona e possivelmente como qualquer veneno funciona”, diz Raymond Lau. Já Gregory Neely, também da Universidade de Sydney e autor do trabalho, refere: “Sabemos que o medicamento pára completamente a necrose e a dor e cicatriza a pele quando é aplicado. Mas não sabemos ainda se previne o ataque cardíaco. Precisaremos de investigar mais.”

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sábado, 1 de junho de 2019

O que liga a orquídea ao cancro? Regeneração de tecidos e imunoterapia

Segundo uma investigação pioneira, poderá ter um impacto previsível na regeneração de tecido ósseo e em futuros tratamentos do cancro.
Uma equipa da Universidade de Macau está a realizar uma investigação pioneira a partir de uma orquídea com previsível impacto na regeneração de tecido ósseo e em futuros tratamentos do cancro.
"Há um caminho longo a percorrer", mas duas das aplicações médicas da descoberta podem passar pela "regeneração de tecido e imunoterapia para tratamento do cancro", sublinhou o professor Wang Chunming em declarações à Lusa.
A 17 de abril, a Universidade de Macau tinha anunciado que a equipa liderada por Wang era "a primeira no mundo a desenvolver com sucesso um novo tipo de substituto de tecido baseado em fatores bioativos isolados de uma erva medicinal chinesa", a 'Bletilla Striata', espécie de orquídea do Sudeste Asiático.
A equipa concluiu testes de laboratório e explora agora a possibilidade de avançar com estudos pré-clínicos em colaboração com médicos, depois de a pesquisa, que durou cinco anos, ter sido publicada em revistas internacionais da especialidade.
"Muitos acidentes podem causar fraturas nos nossos ósseos e cartilagens, danos que muito dificilmente podem ser curados pelo próprio organismo, por isso queremos fornecer este tipo de polissacarídeos nas partes danificadas para curar o corpo", explicou o professor, doutorado em Engenharia Biomédica pela Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura.
"Este é um tipo de aplicação (...). No nosso processo inicial [de estudo] da interação entre estas moléculas e as nossas células imunitárias também descobrimos que estes podem ativar as células imunitárias para um estado que pode ser benéfico para o tratamento o cancro", adiantou.
Durante a investigação, Wang disse ter sido percebido que "as moléculas de açúcar podem ativar o corpo e curar, seja um osso ou pele danificada, pelo poder das [células] macrófagos".
"Nós concebemos este tipo de 'açucares' e acreditamos que no futuro podem ser utilizados através da aplicação de diferentes tipos de membranas, películas e géis (...) no tecido danificado ou usados como hospedeiro, como um veículo, como um carro para distribuir células vivas no corpo", sustentou.
Os investigadores, ressalvou o professor, são químicos e não botânicos, mas ainda assim apostaram na análise de 21 tipos de ervas medicinais chinesas e acabaram por encontrar um tipo de polissacarídeos bioativos capaz de estimular o crescimento de células pela ativação de citocinas, que são proteínas produzidas pelas células.

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