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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Investigadores identificam bactéria benigna da pele protege do cancro

"Esta espécie única de bactéria da pele produz um químico que mata vários tipos de células cancerígenas, mas não parece ser tóxico para as células normais", diz um comunicado da Universidade da Califórnia
Uma bactéria benigna da pele que tem capacidade para proteger contra o cancro foi identificada por investigadores da Universidade da Califórnia - San Diego, Estados Unidos, anunciou esta quarta-feira a instituição.
No trabalho publicado hoje na revista Science Advances, investigadores da Faculdade de Medicina da universidade norte-americana revelam o potencial novo papel para uma bactéria naturalmente presente na pele saudável, sublinhando que a ciência continua a desvendar as camadas do microbioma da pele para revelar as suas propriedades protetoras.
"Identificámos uma estirpe de 'Staphylococus epidermidis', comum na pele humana saudável, que tem uma capacidade seletiva para inibir certos tipos de cancro", disse Richard Gallo, responsável pelo Departamento de Dermatologia da faculdade.
"Esta espécie única de bactéria da pele produz um químico que mata vários tipos de células cancerígenas, mas não parece ser tóxico para as células normais", refere um comunicado divulgado pela universidade.
A equipa de investigadores descobriu que a bactéria produz o componente químico 6-N-hydroxyaminopurina (6-HAP). Em experiências com ratos, os animais com 'Staphylococus epidermidis' na pele que não produziram 6-HAP tiveram muitos tumores de pele depois de serem expostos a raios ultravioleta (UV) causadores de cancro, mas os ratos com a aquela estirpe da bactéria que produz 6-HAP resistiram ao desenvolvimento de tumores.
A universidade explica que a 6-HAP é uma molécula que reduz a produção de ADN, conhecida como síntese de ADN, e previne a expansão das células tumorais transformadas, além de ter potencial para suprimir o desenvolvimento de tumores de pele induzidos por UV.
Os ratos que receberam injeções intravenosas de 6-HAP a cada 48 horas durante um período experimental de duas semanas não apresentaram efeitos tóxicos, mas quando transplantados com células de melanoma, o tamanho dos seus tumores foi suprimido em mais de 50% face aos registos.
"Há indícios crescentes de que o microbioma da pele é um elemento importante na saúda humana. Na verdade, reportamos anteriormente que algumas bactérias na nossa pele produzem péptidos antimicrobianos que defendem contra bactérias patogénicas como a 'Staphylococus aureus', afirmou Gallo.
O melanoma é a forma mais séria de cancro da pele que começa nas células de produção de pigmento da pele, os chamados melanócitos.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Portugueses lançam aplicação de saúde que facilita o tratamento de doenças respiratórias

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) anunciou hoje a criação da versão espanhola de uma aplicação que facilita o tratamento de doenças respiratórias, um investimento de 50 mil euros.


Em comunicado enviado à agência Lusa, a FMUP explicou que aquele montante integra um financiamento global de 185 mil euros do programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg V-A España-Portugal (POCTEP) ao abrigo do projeto CódigoMais, destinado a impulsionar a saúde na Galiza e no Norte de Portugal.
A aplicação, designada INSPIRERS foi desenvolvida na FMUP em parceira com investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS).

"O financiamento de 50 mil euros vai permitir iniciar a internacionalização da INSPIRERS - aplicação que visa melhorar a adesão ao tratamento de doenças respiratórias como a asma", lê-se na nota.
Segundo a FMUP a aplicação pretende "incentivar os pacientes a seguirem as recomendações clínicas e a terapêutica indicada para as suas doenças respiratórias obstrutivas crónicas, através de um jogo interativo. Para ganharem pontos, os utilizadores deverão aderir ao tratamento, algo que é verificado através de imagens tiradas ao contador de doses do inalador".

"A falta de adesão à terapêutica é, atualmente, o grande problema nestas doenças porque aumenta o risco de agudizações e de hospitalizações", explicou o investigador responsável pela INSPIRERS, João Fonseca, citado naquela nota, lembrando que se estima que "mais de 50% dos doentes não façam a terapêutica como indicado".
A FMUP adiantou que a criação da versão espanhola da aplicação vai permitir, "além das possibilidades de cooperação entre entidades dos dois mercados, avaliar o desempenho da INSPIRERS junto de pacientes que sofrem de patologias respiratórias na Península Ibérica".

O projeto CódigoMais tem como missão "impulsionar o desenvolvimento de um ecossistema de inovação na área da saúde entre a Galiza e o Norte de Portugal".
Desenvolvido no âmbito do POCTEP, o CódigoMAIS conta com um orçamento de mais de dois milhões de euros e "tem como principal missão unir esforços entre os vários atores públicos e privados do sector da saúde para fomentar as capacidades e oportunidades".
Além dos 50 mil euros atribuídos à criação da nova versão da aplicação, a FMUP "irá atribuir os restantes 135 mil euros a outras ideias e projetos na área da saúde".


Fonte: Sapo

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Remover glutamato da nossa dieta pode melhorar sintomas de dor crónica

Um novo estudo piloto provou a existência de uma ligação entre a dor crónica e o consumo de glutamato monossódico, um dos aminoácidos não essenciais mais abundantes, encontrado naturalmente em alimentos como o tomate.


À medida que os cientistas estudam o glutamato, estão a adquirir informações sobre como o produto químico reage no cérebro e no corpo humano. No cérebro, o glutamato é um neurotransmissor comum que também pode atuar como excitotoxina, superestimulante e danificar ou matar células nervosas.
Embora seja um produto químico natural presente em alguns alimentos, como o molho de soja, o tomate e o queijo parmesão, o glutamato é mais comum como um aditivo alimentar.

Enquanto que nos Estados Unidos, é adicionado a muitos produtos alimentares e encontrado sob muitos nomes, no Quénia, a exposição das pessoas ao glutamato é apenas a partir de alguns alimentos que contêm glutamato monossódico, sendo a maior exposição proveniente de um tempero chamado Mchuzi Mix, usado na cozinha diária.
De acordo com o Sci-News, um estudo, levado a cabo no Quénia e publicado recentemente no Nutrition, tinha como principal objetivo testar se uma intervenção dietética poderia funcionar e até substituir a medicação sem receita médica para aliviar a dor.

Numa amostra de 30 participantes, a investigadora Kathleen Holton e os co-autores do estudo, testaram os efeitos da remoção de glutamato monossódico e do aumento da ingestão de água – ou uma combinação de ambos – em relação ao paracetamol.
Os participantes do estudo sentiram dor crónica por pelo menos três meses e em pelo menos três quadrantes do corpo. A maioria também sofria de outros sintomas neurológicos, incluindo dores de cabeça, fadiga, disfunção cognitiva e problemas do sono.

Os participantes foram divididos em quatro grupos. Como a desidratação está associada à dor de dor de cabeça, os autores consideraram esse fator no desenho do estudo.
Os que consumiam Mchuzi Mix, receberam um substituto do tempero sem glutamato monossódico. Aqueles que relataram baixa ingestão de água e nenhum glutamato, receberam água e aumentaram o consumo diário para oito copos. Já os que apresentavam baixo consumo de água mas consumiam glutamato monossódico, receberam água e especiarias substitutivas. O grupo de controlo foi administrado com paracetamol.

O grupo que removeu o glutamato monossódico da sua dieta e consumiu mais água relatou melhorias significativas nos seus sintomas, assim como o grupo que recebeu acetaminofeno.
“Este estudo piloto sugere a necessidade de um ensaio clínico em larga escala, uma vez que a mudança na dieta pode ser uma opção efetiva no tratamento da dor crónica a baixo custo, em os países em desenvolvimento”, sugere a investigadora.

Fonte: ZAP

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Descobertas nanopartículas que influenciam evolução dos tumores

Os próximos passos desta investigação irão permitir definir especificamente as diferentes funções biológicas destas partículas no microambiente tumoral e na progressão da doença.


Uma equipa internacional de cientistas, que inclui investigadores do Instituto de Investigação e Inovação (i3S) da Universidade do Porto, identificou pela primeira vez nanopartículas que influenciam evolução dos tumores.
Em comunicado, o i3S afirma que "esta descoberta permitirá também desenvolver no futuro novas estratégias para melhorar o diagnóstico e, eventualmente, avaliar o seu potencial no tratamento".
De acordo com os investigadores, já se sabia que as células de cancro comunicam à distância com outras células e que essa comunicação inclui o envio de proteínas e de vesículas, como por exemplo os exossomas.
Aplicando às células cancerígenas uma técnica de fracionamento que nunca tinha sido aplicada neste contexto, os investigadores conseguiram separar em pormenor vários subtipos destas vesículas e, nessa separação, identificaram um novo grupo de vesículas a que chamaram exómeros e que têm aproximadamente 35 nanómetros (três mil vezes mais fino do que um fio de cabelo).
Utilizando linhas celulares de diversos tipos de cancro e também modelos animais, os investigadores descobriram também que estes exómeros têm uma distribuição pelos órgãos do animal diferente das outras vesículas, "sugerindo, por isso, uma função diferente no processo de progressão tumoral", explica Celso Reis, investigador principal do trabalho realizado em Portugal.
No decorrer do trabalho, "percebemos também que as proteínas que estão particularmente enriquecidas nos exómeros são proteínas que sabemos serem importantes na biologia tumoral, ou seja, contribuem para a evolução do tumor", acrescenta.
Segundo Celso Reis, os próximos passos desta investigação irão permitir definir especificamente as diferentes funções biológicas destas partículas no microambiente tumoral e na progressão da doença.
Os investigadores do Instituto de Investigação e Inovação (i3S) da Universidade do Porto integram o grupo do investigador David Lyden, do Weill Cornell Medicine, de Nova Iorque. O trabalho foi publicado esta semana na revista Nature Cell Biology.


sábado, 24 de fevereiro de 2018

Investigadores criam bebida à base de bolotas que pode substituir o café

A equipa portuguesa criou um pó, com um sabor menos intenso, que tem que ser disperso em água e filtrado antes de ser consumido

Investigadores da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto (FFUP) desenvolveram um produto à base de bolotas para substituir o café, de forma a evitar os efeitos negativos que esta bebida pode ter nos consumidores.

"O café é uma das bebidas mais apreciadas e consumidas em todo o mundo. Contudo, a presença de cafeína pode causar alguns efeitos negativos nos consumidores", disse à Lusa Diana Pinto, investigadora da FFUP e uma das responsáveis pelo projeto.

Quando consumido em doses elevadas, continuou, o café pode originar ou aumentar sintomas como taquicardia, palpitações, insónias, ansiedade, tremores e dores de cabeça.
Segundo a investigadora, esses efeitos indesejáveis verificam-se igualmente em indivíduos mais sensíveis à cafeína, mesmo que não consumam elevadas quantidades de café.
"Certos consumidores com distúrbios gástricos, anemia por deficiência de ferro, hipertensos ou em situações de 'stress' podem apresentar sensibilidade aumentada ao café", referiu.

Para ultrapassar esta questão, contou a investigadora, torna-se necessário procurar alternativas para o desenvolvimento sustentável de substitutos do café, onde se incluem produtos alimentares sem valor comercial.
Neste projeto, a equipa usou as sementes de 'Quercus cerris', conhecidas por bolotas e consideradas um recurso com baixo impacto na alimentação humana, para desenvolver uma bebida que pode ser um substituto do café tradicional.
Utilizando as sementes, a equipa criou um pó, com um sabor menos intenso do que o do café, que tem que ser disperso em água e filtrado antes de ser consumido, à semelhança do que acontece com o café em pó ou com os seus substitutos.
De acordo com Diana Pinto, estas sementes são ricas em compostos antioxidantes, como polifenóis e vitamina E, e têm uma elevada captação de espécies reativas de oxigénio e de azoto.
Além disso, não apresentam toxicidade para as células intestinais.
Os próximos passos do projeto passam pela identificação e quantificação dos compostos bioativos presentes na constituição da bebida desenvolvida e pela análise sensorial do produto.
Participam no projeto os investigadores da FFUP Santiago Diaz Franco, Anabela Costa, Sónia Soares, Francisca Rodrigues e Maria Beatriz Oliveira, também membros do REQUIMTE, LAQV/Departamento de Ciências Químicas, e Snezana Cupara, Marijana Koskovac e Ksenija Kojicic, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Kragujevac (Sérvia).

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

1.º Ciclo em Ciências Biomédicas acreditado por seis anos

A A3ES deu luz verde ao funcionamento de uma licenciatura com características inovadoras, que faz a síntese das Ciências Básicas, Engenharias e Biomedicina.

 O curso de 1.º Ciclo em Ciências Biomédicas está acreditado por um período de seis anos, de acordo com a decisão da A3ES - Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. A entidade que avalia os cursos superiores em Portugal reconhece assim a qualidade de uma formação de vanguarda da Universidade da Beira Interior (UBI), que combina as Ciências Básicas, Engenharias e Biomedicina, preparando profissionais capazes de responder aos principais desafios científicos e tecnológicos na área da Saúde.

A decisão é “muito motivadora para continuar a alicerçar uma identidade forte, para reunir esforços na renovação, consolidação e prossecução de uma excelente qualidade científica, pedagógica e tecnológica que eleva ainda mais o patamar de excelência na formação dos nossos alunos”, salienta a diretora do curso, Liliana Bernardino.

O ciclo de estudos em Ciências Biomédicas fornece uma formação multidisciplinar sólida em várias áreas do saber, nomeadamente na Matemática, Química, Física, Bioquímica, Engenharias e Biomedicina.

É lecionado por um corpo docente com formações diversificadas e contribuições relevantes em investigação, tecnologia, saúde ou transferência de conhecimento. A sua disponibilidade, proximidade e motivação são uma mais-valia à formação dos estudantes, que permite a aquisição de competências essenciais ao sucesso profissional, desde o desenvolvimento de projetos de investigação biomédica básica ou aplicada ao desenvolvimento tecnológico ou de diagnóstico.

Uma das vantagens para o funcionamento do curso é a articulação e colaboração com outras Faculdades da UBI, “que possibilita uma maior abrangência na aplicação do saber e estimula o desenvolvimento de parcerias e projetos mais abrangentes, dinâmicos e inovadores”, ainda de acordo com a responsável.

Além da importância do curso para o setor da saúde, “o seu funcionamento na UBI é também de extrema importância para a comunidade em geral”, refere Liliana Bernardino. A diretora destaca o envolvimento dos alunos em várias atividades de intervenção social, que fomenta uma valorização social, cultural e/ou económica para a comunidade estudantil e civil. “Por seu lado, os estudantes beneficiam em estudar numa universidade nova, dinâmica e de proximidade, enquanto vivem numa cidade de menor dimensão, acolhedora e com um baixo custo de vida”, acrescenta.

A Licenciatura em Ciências Biomédicas, um dos cursos da Faculdade de Ciências da Saúde, caracteriza-se por ter um plano curricular que fornece, no primeiro ano, conhecimento sólido em Ciências Básicas, tais como a Física, Química, Matemática e Biologia. Nos 2.º e 3.º anos, os estudantes têm a oportunidade de aprofundar conhecimentos nas áreas da Bioquímica, Engenharias e Biomedicina. No 3.º ano, possibilita aos estudantes personalizarem o curriculum vitae de acordo com os principais interesses e motivações, através da escolha de uma ampla oferta de unidades curriculares optativas.

“Este plano curricular sólido permite dotar os alunos com um conhecimento profundo e competências relevantes para o ingresso no mundo profissional ou para dar continuidade aos seus estudos, por exemplo, no 2.º ciclo em Ciências Biomédicas da UBI”, conclui Liliana Bernardino.

Fonte:  UBI

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Estudante da UBI preside à Associação Nacional de Ciências Biomédicas

Ulisses Gaspar, do 3.º ano da Licenciatura em Ciências Biomédicas, tem pela frente um mandato de um ano.

A ANCiB - Associação Nacional de Ciências Biomédicas será presidida ao longo do próximo ano por um estudante da Universidade da Beira Interior (UBI). Ulisses Gaspar tomou posse no cargo a 6 de fevereiro, com o propósito de dar um novo impulso ao organismo que junta elementos de três instituições de Ensino Superior portuguesas onde funcionam cursos desta área: Algarve, Aveiro e UBI.

O estudante do 3.º ano de licenciatura é o primeiro aluno da UBI a presidir ao organismo fundado em 2014. No Conselho Diretivo contará com o apoio de três elementos da Universidade da Beira Interior. Diogo Ramos terá a função de Secretário-Geral, Jorge Ferreira a de Tesoureiro e Marta Pereira será Vogal. Nos restantes órgãos sociais, e ainda da UBI, Micaela Almeida preside ao Conselho fiscal e Gonçalo Laranja será o secretário. Marília Figueira foi eleita Presidente da Mesa da Assembleia Geral e Diogo Monteiro Secretário Adjunto.

“Criar uma identidade sólida do que é um biomédico e como ele se pode destacar” é um das prioridades que Ulisses Gaspar define para o mandato. As outras são “englobar e consolidar o conhecimento e experiência dos alunos a área, apostar na imagem externa da associação – tanto empresarial como social –, dinamizar iniciativas, assim como promover prémios e estudos dos alunos”. Ser um apoio direto aos núcleos de estudantes, impulsionar intercâmbios internacionais, defender um perfil dos estudantes de Ciências Biomédicas e reconhecer todos os elementos da classe também fazem parte do programa do presidente da ANCiB.

Esta Associação surgiu para colmatar a necessidade de divulgação e de proteção dos profissionais Biomédicos. Esta área de formação existe no país desde 2005, tendo colocado no mercado de trabalho profissionais nos setores da saúde, biologia e engenharia.

Fonte: UBI