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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Análise ao sangue poderá revelar risco de se morrer prematuramente

Quatro marcadores biológicos parecem estar relacionados, mesmo nas pessoas aparentemente saudáveis, com um risco bastante acrescido de morrer nos cinco anos que se seguem.




Um estudo de um género inédito, realizado por uma equipa internacional de cientistas, mostra que pode ser possível detectar, no sangue de uma pessoa, uma “assinatura” do seu risco de morte por doença num futuro relativamente próximo. Os resultados ainda precisam de ser validados, escrevem os autores na revista online de acesso livre PLos Medicine, mas, a serem confirmados, poderão um dia ajudar a identificar as pessoas de alto risco, mesmo que elas ainda não apresentem sinais de doença. Essa análise poderá permitir que recebam tratamentos atempados.

Os cientistas analisaram separadamente os casos de 7500 finlandeses e de quase 10 mil estonianos, à procura de marcadores biológicos com valor preditivo em termos do risco de morte. Após a recolha de sangue, a saúde desses dois grupos – representativos das respectivas populações gerais – foi acompanhada durante pelo menos cinco anos e as mortes em cada grupo devidamente registadas.

Nas amostras de sangue, os autores testaram, através da técnica de espectroscopia por ressonância magnética nuclear, 106 substâncias candidatas a marcadores de mortalidade prematura. Identificaram assim quatro substâncias relevantes, todas relacionadas com mortalidade por cancro, doença cardiovascular e outras doenças não vasculares. Porém, fazem notar, não é possível concluir que existe uma relação de causa da efeito entre os marcadores e a mortalidade prematura. São, por enquanto, apenas isso: marcadores.

Seja como for, quando os cientistas calcularam um índice de risco de morte baseado nesses quatro marcadores, constataram, no caso dos estonianos, que o risco de morte a cinco anos das pessoas com índices entre os 20% mais elevados era 19 vezes maior do que o das pessoas com índices entre os 20% mais baixos. No primeiro grupo tinha havido 288 mortes, contra apenas 15 entre no segundo.

Os resultados revelaram-se independentes de factores de risco conhecidos como sexo, idade, estilo de vida, pressão arterial ou níveis de colesterol, explica em comunicado a Universidade da Finlândia Oriental, que participou no estudo. E também permaneceram inalterados quando apenas foram consideradas as pessoas aparentemente saudáveis.

Os quatro marcadores biológicos agora relacionados com a morte prematura são: os níveis de albumina, de orosomucóide (uma proteína associada à inflamação) e de citrato (um derivado do ácido cítrico); e ainda o tamanho das chamadas "partículas de lipoproteína de muito baixa densidade" ou VLDP, que permitem a circulação no sangue das gorduras e do colesterol.

“O que é particularmente interessante é que este biomarcadores reflectem o risco de morrer de uma série de doenças muito diferentes, tais como doenças cardíacas ou cancro. Parecem ser sinais de uma fragilidade geral do organismo”, diz Johannes Kettunen, co-autor, da Universidade da Finlândia Oriental, citado no mesmo comunicado. A seguir, os cientistas tencionam determinar se existe alguma ligação entre esses quatro biomarcadores.

“Acreditamos que, no futuro, estas medições possam vir a ser utilizadas para identificar as pessoas que, apesar de parecerem de boa saúde, sofrem na realidade de doenças subjacentes graves, de forma a se conseguir orientá-las para os tratamentos adequados”, acrescenta Kettunen. “Porém, vão ser precisos mais estudos antes de ser possível aplicar estes resultados na medicina clínica.”


Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/analise-ao-sangue-poderia-revelar-risco-de-se-morrer-prematuramente-1626264
Por: Mariya Hrynchak m6004
 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Homem amputado voltou a sentir objectos com mão biónica

O movimento de uma mão é o resultado de informação vinda de duas direcções. Por um lado, o nosso tacto dá-nos a conhecer o que a mão está a sentir. Por outro, o cérebro interpreta esta informação e comanda os movimentos da mão de acordo com a nossa vontade. É assim que sabemos quando estamos a apertar com demasiada força uma garrafa de plástico. Também por isso é tão difícil criar uma mão para pessoas amputadas que replique este sistema complexo. Mas uma equipa internacional criou a primeira mão biónica que fez um homem amputado voltar a sentir. Para isso, quatro eléctrodos foram implantados, por cirurgia, nos nervos do braço de um dinamarquês que há nove anos ficou sem a mão esquerda. A novidade foi publicada num artigo da revista Science Translational Medicine. “O feedback sensorial foi incrível”, diz Dennis Aabo Sørensen, 36 anos. “Pude sentir coisas que não sentia há nove anos”, explicou, citado num comunicado da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça. O dinamarquês perdeu a mão quando estava a manusear fogo-de-artifício, durante um feriado. Quando o acidente aconteceu foi imediatamente levado para o hospital, onde lhe amputaram a mão. Desde aí tem uma mão prostética que detecta o movimento muscular no que resta do braço, o que permite à mão artificial abrir-se ou fechar-se para agarrar objectos. “Funciona como o travão de uma mota”, explica Dennis Aabo Sørensen. “Quando se aperta o travão, a mão fecha. Quando se relaxa, a mão abre.”

Continuação da notícia no link abaixo mencionada.
Por: Cristina Lemos, e8463
Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/homem-amputado-voltou-a-sentir-objectos-com-mao-bionica-1622519#/1


Tratamento promissor para Psoríase pode passar por terapia com microRNA

Tratamento promissor para Psoríase pode passar por terapias com microRNA Com o avanço da investigação científica é atualmente possível silenciar uma pequena porção de material genético que influencia a produção de proteínas a nível celular - microRNA. No caso concreto da Psoríase, uma doença inflamatória crónica da pele, verificou-se que em alguns casos os níveis de microRNA miR-21 se encontrava elevado nas lesões cutâneas dos pacientes. Este estudo realizado em Madrid no Nacional Cancer Research recorreu a um inibidor do miR-21, o anti-miR-21 para estudar a relação deste microRNA com a patologia. A terapia com anti-miR-21 funcionou aumentando a enzima TIMP-3, que reduz a atividade da enzima responsável pela produção de citocinas inflamatórias associadas ao crescimento anormal de células da pele, culminando em Psoríase, tratando-se de uma terapia promissora.


NATURE MEDICINE | SPOONFUL OF MEDICINE

Promising psoriasis treatment signals hope for microRNA therapies

Nearly 2% of people worldwide chronically suffer from itchy and painful patches on their bodies, the manifestation of psoriasis, an incurable inflammatory disease in which immune cells infiltrate the skin and release molecules called cytokines that stimulate the skin cells to grow too rapidly. Treatments such as corticosteroids and immunosuppressants can help alleviate mild forms of the disease, and newer antibody-based therapies provide some relief for some of the most severe cases, but some patients fail to respond to these treatments or experience harmful side effects. Now, a new study shows that inhibiting a specific microRNA—a short bit of genetic material that influences the production of proteins in cells—appears to be an effective psoriasis treatment in mice, leaving researchers hopeful that this therapeutic approach will one day be tested in clinical trials.
Psoriasis researchers have known for some time that the levels of a microRNA called miR-21 are elevated in the skin lesions of patients with psoriasis. To determine whether miR-21 plays a crucial role in the disease, a team of scientists led by Erwin Wagner at the Spanish National Cancer Research Centre in Madrid inhibited these genetic elements using an anti-miR-21 treatment. The anti-miR-21 molecules are tiny strands of nucleotides that specifically glom onto miR-21 and prevent it from functioning. Wagner and his colleagues injected this treatment into the skin of mice bearing grafts of diseased tissue from human patients with psoriasis. The anti-miR-21 reduced the thickness of the human skin lesions by about half, a response similar to that obtained using the antibody-based psoriasis therapy etanercept (commercially available from California-based Amgen as Enbrel).
The anti-miR-21therapy appears to work by increasing the levels of an enzyme called tissue inhibitor of matrix metalloproteinase 3 (TIMP-3), which reduces the activity of the enzyme responsible for producing the inflammatory cytokine that triggers the abnormal growth of skin cells in psoriasis. The researchers report their findings online today in Science Translational Medicine.
“This is a completely new way of dealing with the disease,” says Andor Pivarsci, an immunologist at the Karolinska Institutet in Stockholm who studies psoriasis and was not involved in the study. He adds that the small size of the inhibitor might allow it to be applied topically to the skin, which is a formidable barrier to most substances unless they are small, uncharged, and relatively fat-soluble. For patients who don’t respond to the available psoriasis therapies, “this could be a new hope,” he says. 
Por: Patrícia Lindeza m5945

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Experiência pioneira na Suécia permite transplante de útero a nove mulheres

Úteros foram doados por familiares das pacientes. As mulheres vão agora tentar engravidar.
Depois de duas gravidezes bem sucedidas, os úteros serão removidos para que possa ser interrompida a medicação anti-rejeição.

Nove mulheres receberam com sucesso úteros doados por familiares vivas, na Suécia. As pacientes vão tentar engravidar em breve, segundo disse à agência Associated Press (AP) o médico responsável pelas cirurgias.

Algumas destas mulheres nasceram sem útero – sofrem de síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH), uma anomalia congénita que afecta uma em cada 4500 mulheres –, outras tiveram de remover o útero devido ao cancro do colo do útero. A maioria tem cerca de 30 anos. O objectivo, após estas operações que os médicos classificam como pioneiras, é que as pacientes possam dar à luz os próprios filhos.

Outra opção para estas mulheres seria o recurso à maternidade de substituição – conhecida como “barriga de aluguer” – mas esta prática é proibida na Suécia, tal como em Portugal e na maioria dos países europeus.

Apoiados nos casos de sucesso de transplantes de outros órgãos, como corações ou fígados, que permitem salvar vidas, os médicos têm tentado aplicar a mesma técnica para proporcionar a maternidade às mulheres impossibilitadas de engravidar. Antes desta experiência houve outras, que falharam.

Na Turquia, uma mulher de 22 anos recebeu em Agosto de 2011 um útero de uma dadora morta há dois anos e conseguiu engravidar passados cerca de oito meses. No entanto, após oito semanas de gestação os médicos interromperam a gravidez porque a ecografia não mostrava os batimentos cardíacos do embrião. A primeira tentativa de transplante, realizada em 2000 na Arábia Saudita, com uma dadora viva, fracassou passados três meses – o útero teve de ser removido, devido à formação de um coágulo sanguíneo.

Agora, os médicos tentam outras fórmulas para o sucesso. “Este é um novo tipo de cirurgia”, disse à AP um dos especialistas, Mats Brannstrom, director do departamento de obstetrícia e ginecologia da Universidade de Gotemburgo, que está a liderar a experiência. “Não temos nenhum livro para ler”, acrescentou.

Segundo o médico, as pacientes estão bem de saúde e algumas até já tiveram menstruação, seis semanas após o transplante, um sinal de que os úteros estão saudáveis e a funcionar correctamente. Uma das nove mulheres contraiu uma infecção no útero e teve pequenos episódios de rejeição, mas nada de preocupante, segundo Brannstrom. Já saíram todas do hospital.

Segundo a AP, a identidade das mulheres envolvidas na experiência não foi revelada. Os transplantes começaram em Setembro de 2012 e as doadoras são familiares das pacientes – mães, nalguns casos. Inicialmente estavam previstos dez transplantes, mas uma mulher não pôde avançar para a operação por razões médicas, de acordo com o porta-voz da universidade, Krister Svahn.

Fertilização será in vitro
Nos transplantes, os médicos não ligaram os úteros às trompas de Falópio das receptoras, pelo que estas não conseguirão engravidar naturalmente. Mas todas elas têm ovários funcionais. Antes das operações, foram-lhes retirados alguns óvulos para fertilização in vitro. Os embriões foram congelados e os médicos pretendem, dentro de alguns meses, implantá-los nos úteros, permitindo a evolução da gestação de forma natural.

Para evitar que o corpo rejeite o novo órgão, as mulheres terão de tomar fármacos que enfraquecem o sistema imunitário. Depois de, no máximo, duas gravidezes bem sucedidas, os úteros serão removidos e a medicação – que pode provocar subida da tensão arterial, inchaço ou diabetes e aumentar o risco de alguns tipos de cancro – será interrompida.

Em Fevereiro, Mats Brannstrom e a sua equipa vão fazer o primeiroworkshop sobre o tema e pretendem publicar um artigo científico sobre a experiência que realizaram. Mas esta levantou já algumas preocupações éticas – alguns especialistas mostraram reservas sobre o facto de estarem a ser usados doadores vivos num procedimento experimental que não tem como objectivo salvar vidas.

Na Grã-Bretanha, por exemplo, estão em curso experiências que visam efectuar transplantes de úteros em pacientes nas mesmas condições, mas com doadoras mortas ou em vias de morrer. Brannstrom justifica a opção por doadoras vivas com o facto de só assim ser possível garantir que os úteros estavam funcionais e não tinham qualquer problema, como infecções vírus do papiloma humano (HPV).

Antes de testar o método em mulheres, os especialistas da Universidade de Gotemburgo testaram-no em animais, nomeadamente ratos, ovelhas e macacos. No caso dos primatas, a reprodução não se concretizou. Brannstrom admite que os transplantes em humanos podem não resultar em gravidezes bem sucedidas mas está optimista. “Isto é uma investigação”, afirmou. “Pode permitir [às mulheres] ter filhos, mas não há garantias… o que é certo é que elas estão a dar uma contribuição para a ciência.”


Fonte: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/experiencia-pioneira-na-suecia-permite-transplante-de-utero-a-nove-mulheres-1619615

Por: Elisabete Alves, m5941

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Deseja apaixonar-se por um robô? Só tem de esperar 15 anos

O especialista em inteligência artificial Ray Kurzweil, conhecido por outras previsões futuristas, não tem dúvidas: no prazo de 15 anos os robôs serão capazes de fazer tudo o que os humanos fazem. E melhor, em muitos casos.



Por volta de 2029, os computadores serão capazes de compreender a nossa linguagem, aprender pela experiência, partilhar piadas, contar histórias, manter uma conversa e até seduzir. Ou seja, podem desenvolver capacidades ao nível das pessoas mais inteligentes ou até suplantar os seus criadores.

Quem o diz é o novo director de engenharia do Google e especialista em inteligência artificial, Ray Kurzweil, conhecido por ter feito previsões que viriam a concretizar-se. Em 1990 afirmou que um computador seria capaz de bater um campeão de xadrez até 1998 – e realmente o Deep Blue, um computador desenvolvido pela IBM, bateu o campeão de xadrez Garry Kasparov em 1996.

Também quando a Internet era apenas uma pequena rede utilizada por um grupo restrito de académicos, antecipou que rapidamente seria possível que o mundo estivesse interconectado.

Agora, numa entrevista ao The Observer, Kurzweil afirma que dentro de 15 anos os robôs nos ultrapassarão, ou pelo menos serão capazes de ter um comportamento tão inteligente quanto os humanos. Na sua visão haverá um momento no futuro, que está aí ao virar da esquina, em que humanos e robôs convergirão.

As comparações com o filme Her, actualmente nas salas de cinema, realizado pelo americano Spike Jonze, que tem como protagonista Joaquin Phoenix, são inevitáveis. É que no filme o personagem interpretado por Joaquin Phoenix acaba por manter uma relação amorosa com Samantha – um programa de inteligência artificial que simula a personalidade de uma mulher.

No filme Samantha não tem corpo. É apenas uma voz (da actriz Scarlett Johansson). Mas segundo Kurzweil a simulação de um corpo, ou a presença virtual de um corpo, será um facto facilmente concretizável nos próximos tempos.

Um ponto em comum no filme, do ponto de vista tecnológico, com as afirmações de Kurzweil, é que Samantha evolui muito mais rapidamente do que os humanos à medida que vai comunicando com eles.

Noutras entrevistas recentes, Ray Kurzweil, de 66 anos, que é o guru do futuro preferido do multimilionário Bill Gates ou do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, já havia dito que daqui a 15 anos haverá uma explosão de inteligência artificial. Estas previsões acontecem na altura em que se ficou a saber que o Google está a montar o maior laboratório de inteligência artificial do planeta.

Fonte: http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/deseja-apaixonarse-por-um-robo-so-tem-de-esperar-15-anos-1625926

Por: Nânci Abreu, m5903

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Um fato robótico para que paraplégicos possam dar uns passos

Lançado um novo modelo de fato biónico que permite a quem tenha paralisia dos membros inferiores pôr-se de pé e andar de forma quase independente. “Sinto as costas a moverem-se como se fosse eu a andar”, relata a portuguesa Maria Freitas, que usa o aparelho desde o final do ano passado.


In "Público" 07-02-2014






Maria Freitas estava há mais de quatro anos sentada numa cadeira de rodas, sem conseguir andar, quando usou pela primeira vez um exosqueleto robótico. Foi em Setembro de 2013, na clínica de reabilitação inglesa Prime Physio, em Melbourne, perto da cidade de Cambridge. “Foi uma sensação inexplicável, uma alegria interior, uma coisa espantosa”, conta-nos, emocionada, esta madeirense de 43 anos, que, na altura de um acidente de mota, já estava a trabalhar em Inglaterra.

Desenvolvido por uma empresa norte-americana, o exosqueleto Ekso Bionics permite que doentes com vários níveis de paralisia nos membros inferiores, causada por acidente ou doença, possam levantar-se e andar. Ajusta-se ao corpo de cada doente com tiras de velcro, que podem ser colocadas e retiradas pelo próprio, mas a sua utilização deverá ser sempre vigiada. Os 23 quilos do fato biónico são totalmente suportados pelo robô e não pelo doente. Pode ser usado por doentes com 1,50 a 1,90 metros de altura e 100 quilos, no máximo. E o preço inicial recomendado em Portugal é de 120 mil euros, informa Allison Sojka, directora de marketing da Ekso Bionics.

Um dos requisitos é que os doentes tenham alguma força nos membros superiores: o dispositivo, que apoia o tronco e os membros inferiores, é alimentado por baterias (com uma duração de cerca de duas horas), mas o doente terá de se apoiar em canadianas ou num andarilho.

Porém, Tom Shaw, com uma lesão da medula espinal que o deixou paralisado quase até aos ombros e sem função motora nas mãos, consegue mesmo assim usar o aparelho. “Tenho umas luvas especiais que permitem agarrar-me ao andarilho e tenho força suficiente nos ombros para o guiar”, relata ao PÚBLICO o britânico de 31 anos, que também faz terapia na clínica Prime Physio.

São já mais de 100 as pessoas que utilizaram o fato biónico nesta clínica britânica, com um total de 100.000 passos dados, refere o director da Prime Physio, o fisioterapeuta Andrew Galbraith, que começou a ter formação com o Ekso no final de 2011. Cerca de um ano depois, disponibilizou-o na sua clínica.

A nível mundial, Tom Shaw, Marianna Rooprai e Carly Taylor são os doentes com as lesões medulares mais graves (por se situarem na quarta vértebra cervical) a utilizar o robô Ekso. Fazem-no sob a vigilância de Andrew Galbraith. Tom Shaw, que vai à clínica fazer terapia de reabilitação duas vezes por semana, usa o exosqueleto uma ou duas vezes por mês. “Sinto-me extremamente afortunado por poder ter esta oportunidade.”

O aparelho foi concebido para que os doentes possam caminhar mesmo que não consigam comandar os seus movimentos – sensores incorporados dão informação sobre a posição do corpo e o robô ajusta-se ao movimento que se pretende fazer.

“Pomos o corpo direito como se fôssemos andar, inclinamo-nos um bocadinho para o lado e damos o primeiro passo”, explica Maria Freitas, sobre a forma como utiliza o fato biónico. Nas primeiras sessões com o Ekso, não era só o fato robótico que detectava o movimento do corpo dela, era também o seu cérebro que queria comandar o movimento das pernas. No entanto, desde o acidente de mota, em 2009, que o cérebro de Maria Freitas não consegue comunicar com as pernas.

Embora o robô controle totalmente os seus movimentos, ela sente a reacção de outros músculos: “O corpo sente o movimento. Sinto as costas a moverem-se como se fosse eu a andar.”

Ao dosear a força exercida pelo Ekso Bionics, o terapeuta incentiva o doente a investir mais ou menos esforço, consoante os objectivos para a sessão de terapia. Pode mudar-se o padrão de locomoção, a velocidade e o comprimento dos passos, consoante os progressos do doente. O robô também ajuda a reaprender a andar: como dar cada passo, como mudar o peso do corpo de uma perna para a outra para preparar o próximo passo e qual a posição ideal do corpo para se manter em equilíbrio.


O novo modelo
Existindo desde 2005, inicialmente com o nome Berkeley Exoworks, a Ekso Bionics tencionava criar exosqueletos robóticos que melhorassem o desempenho físico, por exemplo para transportar cargas pesadas em terrenos irregulares, com degraus ou inclinados. Daí ter sido financiada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver um portador de carga universal destinado a humanos (Human Universal Load Carrier), que posteriormente foi melhorado para fins militares.

Baseando-se nesta tecnologia, a Ekso Bionics comercializou o seu primeiro fato biónico para uso em clínicas de reabilitação em Fevereiro de 2012, e abriu a sua primeira loja em Cambridge em Junho desse ano.

Nos últimos dois anos, a Ekso criou quatro modelos que foram sendo aperfeiçoados mediante os resultados no tratamento dos doentes – cada aparelho recolhe informações em cada sessão terapêutica. “Mostra não só a velocidade a que avança a tecnologia, mas também o ritmo a que a comunidade clínica está a adoptar [o Ekso] nos seus programas de reabilitação”, refere, num comunicado de imprensa, Nathan Harding, presidente da Ekso Bionics.

O Ekso GT, o modelo mais recente, lançado no final de 2013, introduz avanços mecânicos e no software que controla o aparelho. “As melhorias mecânicas do Ekso GT incluem o ajustamento [do robô] a cada doente de uma forma mais fácil e rápida; a flexibilidade na ligação e na rotação da anca para que os doentes com melhores capacidades motoras tenham mais liberdade [de movimentos]; e o ajustamento do pé para uma marcha mais estável”, esclarece ao Allison Sojka.

A rapidez com que se veste o robô Ekso e a facilidade com que se ajusta entre doentes são algumas vantagens referidas por Jorge Jacinto, médico no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão (CMRA), quando o compara com o aparelho de marcha suspensa Lokomat utilizado na sua instituição. “O Lokomat é mais volumoso e mais trabalhoso de colocar.”

Os fatos biónicos Ekso são especialmente concebidos para uso em clínicas, onde o terapeuta controla remotamente o aparelho. “Contudo, há já alguns indivíduos que possuem fatos Ekso e que os usam como um aparelho de exercício físico. A marcha pode ser acompanhada por terapeutas nas clínicas ou terapeutas que tenham sido contratados a título particular”, diz Allison Sojka.

Entre os doentes que já recorreram aos serviços da clínica onde trabalha e que actualmente utilizam o Ekso Bionics no seu dia-a-dia, Andrew Galbraith menciona dois: Claire Lomas, a primeira mulher com lesões medulares a completar uma maratona usando um exosqueleto, e Mark Pollock, um atleta cego e paraplégico que usa regularmente o robô.

A maior parte dos que utilizam o fato biónico tem lesões da medula espinal, completas ou incompletas. “Para doentes com lesões da medula espinal incompletas, o Ekso é uma ferramenta que permite melhorar a função de marcha, que conduz ao caminhar sem um exosqueleto”, esclarece Andrew Galbraith. Acrescenta ainda que, nos casos de lesões medulares completas, se pretende melhorar as funções motoras próximo da zona da lesão, manter uma boa postura, reduzir os espasmos e, principalmente, obter um efeito psicológico.

“Foi realmente espantoso estar à mesma altura da minha família e da minha namorada”, diz Tom Shaw, ao recordar o primeiro momento em que vestiu o Ekso Bionics. “Foi provavelmente o momento mais feliz que tive desde o acidente.”

O Lokomat também é usado no treino e na reeducação da marcha, sendo articulado nas ancas, nos joelhos e tornozelos. “É um exosqueleto, mas está fixo a um sistema de suspensão [sobre uma passadeira rolante]. Retira uma parte do peso do doente consoante aquilo que ele já é capaz de suportar”, explica Jorge Jacinto, responsável por um dos serviços de reabilitação de adultos do CMRA.

“[No CMRA,] para uma percentagem significativa dos pacientes com lesão medular, o Lokomat faz parte do programa de reabilitação em alguma fase desse processo”, garante Jorge Jacinto. É usado não só nos doentes que ainda não conseguem caminhar nem manter-se de pé, mas também para corrigir alguns defeitos na locomoção de quem voltou a andar, como o coxear ou uma postura incorrecta.


Outras vantagens para a saúde
A marcha com os exosqueletos em geral ou mesmo a possibilidade de estar de pé pretende prevenir outras complicações de saúde, como problemas nos intestinos e na bexiga, doenças do coração ou osteoporose. “Para nós, paraplégicos, é bom estarmos de pé”, diz Maria Freitas. “Tenho um suporte para estar de pé, para não estar sempre na cadeira de rodas, porque faz bem aos músculos da barriga esticar-me um bocado. Também alivia as dores que tenho nas costas”, explica.

“Estão a realizar-se estudos sobre o impacto dos aparelhos Ekso em complicações relacionadas com a vida em cadeira de rodas. Vão incidir sobretudo no impacto no sistema digestivo, na dor neuropática [devido a fibras nervosas disfuncionais], em úlceras de pressão [aparecem quando se passa muito tempo na mesma posição] e na densidade óssea”, refere Allison Sojka.

Além disso, estar de pé e andar, mesmo que artificialmente, é importante para a auto-estima. “Não há esperança de que volte a andar, os principais benefícios são psicológicos. É extremamente moralizante”, diz Tom Shaw, paralisado há dois anos, depois de ter sido empurrado para dentro de uma piscina. Antes do acidente, fazia trabalho humanitário. Aprendeu a falar português quando esteve no Brasil, na Guiné-Bissau e em Moçambique. Agora continua a trabalhar para organizações não-governamentais, em casa, e faz traduções de português para inglês.

No CMRA, Jorge Jacinto explica o que fazem: “Desde o início, tentamos colocar o doente de pé, transferir o peso do corpo de um lado para o outro. Isto é fundamental para dar motivação.” Só lamenta que o Lokomat seja fixo e a utilização restrita ao ginásio.

Para compensar esta limitação, no CMRA “os doentes que já têm capacidade de andar não treinam só no ginásio, vão para o corredor e para a rua testar diferentes tipos de piso e degraus”, diz Jorge Jacinto. “Tentamos adequar o treino à vida real.”

Além de um aparelho Lokomat, para treino dos membros inferiores, no CMRA há também três aparelhos Armeo, para a reabilitação dos membros superiores (dois para adultos e um para crianças). Entre os modelos Lokomat, existe ainda um modelo pediátrico, embora não esteja disponível no CMRA.

Actualmente, a Ekso Bionics já vendeu os seus exoesqueletos para cerca de 40 centros de reabilitação e hospitais em todo o mundo, sobretudo na América do Norte e Europa, incluindo três em Espanha. “Têm um [robô Ekso] num centro de referência, o Instituto Guttman, em Barcelona”, refere Jorge Jacinto.


Fonte: Jornal "Público"
Link: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/um-fato-robotico-para-que-paraplegicos-dar-uns-passos-1622638#/0

Publicado por: Ana Sofia Dutra, E7633