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domingo, 29 de março de 2020

Hackathon Mundo Biomédico 3.0 – Ideias para combater o COVID-19


Estão abertas candidaturas ao Hackathon Mundo Biomédico, que terminam dia 20 de maio. Esta é já a 3ª edição, e após a abertura das inscrições no início de Março, a organização sentiu essa necessidade, e direciona neste momento esta competição para a luta contra o COVID 19. Assim, este ano o Hackathon Mundo Biomédico será uma edição inteiramente dedicada a encontrar soluções na luta contra o COVID 19, desde dispositivos médicos, segurança, têxtil, kits para testes, etc… contamos com a criatividade e inovação dos nossos alunos. Mãos à obra!

O Hackathon é dirigido aos estudantes de 2.º Ciclo ou Mestrado Integrado (ver regulamento para mais informações). As equipas devem ser compostas por pelo menos três elementos, que apenas podem concorrer por uma equipa ou projeto. A candidatura não requer qualquer tipo de pagamento, bem como a participação na iniciativa. Toda a competição é feita a partir de casa. A Pitch Competition realiza-se a 4 de junho on-line, a partir das 14h00, dia em que será conhecido o vencedor, que receberá um prémio monetário no valor de 350 euros.

A organização é da Faculdade de Ciências da Saúde na pessoa do Prof. Doutor Eduardo Cavaco e UBImedical pela Doutora Dina Pereira. 



sexta-feira, 27 de março de 2020

Coronavírus: pico do surto em Portugal “nunca será antes do mês de Maio”



Graça Freitas revelou ainda que o pico irá assemelhar-se mais a um planalto: “Quando chegarmos ao máximo dos casos da curva [epidémica] levaremos aí alguns dias, se calhar até semanas”.
A Direcção-Geral de Saúde estima que o pico do surto aconteça durante o mês de Maio, revelou Graça Freitas durante a conferência de imprensa desta sexta-feira, para dar conta dos últimos números do surto de covid-19.
Questionada quanto à evolução da curva epidémica, a directora-geral da saúde revelou que há tendência para retardar “um bocadinho a velocidade com que a curva está a subir” e que, à medida que isso acontece, também o pico do surto da doença é atrasado.
As primeiras previsões apontavam para que o pico acontecesse durante Abril, mas Graça Freitas dá agora o mês de Maio como crucial: “Com a evolução da nossa curva, o pico será diferido para mais tarde, nunca antes do mês de Maio.”
No entanto, salvaguarda, “nunca será um momento instantâneo no tempo”. Isto quer dizer que “pico” talvez não seja a melhor palavra para descrever o movimento da curva. Vai tratar-se antes de um “planalto”: “Quando chegarmos ao máximo dos casos da curva levaremos aí alguns dias, se calhar até semanas.”
As previsões dos matemáticos ao serviço das autoridades de saúde prevêem que o “pico” seja um fenómeno que se prolongue no tempo. “Não vamos chegar a um certo dia, atingir o pico e a partir daí começar a descer”, ilustrou a directora-geral da Saúde.
Na mesma conferência de imprensa, Graça Freitas afirmou que neste momento, a taxa de letalidade da covid-19 em Portugal é de 1,8% para todas as idades – um número inferior a outros países onde a taxa de letalidade já ultrapassou os 2%.
“É a história natural destes doentes”, afirma a directora-geral de Saúde. “Foram tratados com as melhores práticas, mas alguns não conseguiram sobreviver.”
“É a história natural destes doentes”, afirma a directora-geral de Saúde. “Foram tratados com as melhores práticas, mas alguns não conseguiram sobreviver.”
“Ainda temos poucos recuperados porque leva muito tempo até à recuperação”, completa Graça Freitas.
Esta sexta-feira, registaram-se 76 mortes em pacientes com covid-19 (mais 16 do que na quinta-feira) e 4268 casos confirmados de infecção em Portugal – um aumento de 20,4% no número de casos face aos dados do dia anterior.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Novo estudo volta a sugerir que coronavírus é intransmissível de mães para filhos



Um novo estudo de casos na China volta a sugerir que o coronavírus que causa a doença covid-19 é intransmissível das grávidas para os recém-nascidos. Publicado na revista científica Frontiers in Pediatrics, é o segundo estudo do género realizado na China que confirma que as mães infectadas com o novo coronavírus não infectam os seus filhos durante a gravidez.

O novo estudo envolveu quatro grávidas com covid-19 que deram à luz num hospital de Wuhan, cidade onde foi detectado em Dezembro o novo coronavírus, responsável por infecções respiratórias como pneumonia. Nenhum dos quatro recém-nascidos teve sintomas de covid-19, como febre ou tosse, apesar de, por precaução, terem sido isolados em unidades de cuidados neonatais intensivos.

Os bebés continuam saudáveis e as mães estão curadas. Três das quatro grávidas tiveram um parto por cesariana. Um dos recém-nascidos teve um pequeno problema respiratório, mas apenas durante três dias, tendo sido ventilado mecanicamente. O mesmo bebé e um outro tiveram erupções cutâneas que desapareceram posteriormente. Os cientistas desconhecem se existe alguma ligação entre este sintoma e a infecção por covid-19 das mães.

Os investigadores advertem que mais estudos com recém-nascidos serão necessários, uma vez que a sensibilidade aos testes de diagnóstico do coronavírus é de cerca de 71%. Para este efeito, os cientistas estão a recolher amostras de placenta, líquido amniótico, sangue e fluido gástrico.

Um estudo anterior, que acompanhou nove grávidas com covid-19 que fizeram um parto por cesariana, concluiu que o coronavírus não se transmite aos bebés durante a gestação. Se o parto por cesariana é mais benéfico do que o vaginal, não se sabe, é preciso mais investigação, assinalam os autores do novo trabalho, divulgado em comunicado pela editora da Frontiers in Pediatrics.

Nos surtos de outros coronavírus, como os associados à síndrome respiratória aguda grave (SARS) e à síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS), os cientistas não encontraram indícios de transmissão viral entre mãe e filho durante a gravidez. Contudo, a SARS e a MERS estão ligadas a abortos espontâneos e à mortalidade materna.

Na madrugada desta terça-feira, nasceu o primeiro bebé de uma mulher infectada pelo novo coronavírus em Portugal. O parto aconteceu no Hospital de São João, no Porto, e mãe e filho estão bem de saúde, segundo apurou o PÚBLICO. Por enquanto, aguardam-se os testes para se saber se o bebé tem ou não covid-19. 

A covid-19, que já causou um morto em Portugal, um homem de 80 anos que tinha problemas de saúde associados, foi declarada como pandemia pela Organização Mundial da Saúde. Os idosos e ou doentes com patologias crónicas são um grupo de risco acrescido à infecção do novo coronavírus.



segunda-feira, 23 de março de 2020

Hackathon Mundo Biomédico 3.0


domingo, 22 de março de 2020

Primeira reunião da estrutura que acompanha estado de emergência é hoje. Saiba quem são

O Governo criou a Estrutura de Monitorização do Estado de Emergência, um grupo com representantes de ministérios e das forças e serviços de segurança que está reunido este Domingo pela primeira vez, em Lisboa. Esta estrutura tem como função fazer o acompanhamento e produzir informação regular sobre o estado de emergência e é coordenada pelo Ministério da Administração Interna, tutelado por Eduardo Cabrita. 
Segundo o ministério liderado por Cabrita na reunião desta tarde, com hora de início para as 17h, estão:
  • Secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres
  • Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias
  • Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, André Caldas
  • Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, Jorge Seguro Sanches
  • Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Mário Belo Morgado
  • Secretário de Estado da Administração Pública, José Couto
  • Secretário de Estado da Saúde, António Sales
  • Secretária de Estado do Ambiente, Inês dos Santos Costa
  • Secretário de Estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto
  • Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Nuno Russo.
Na reunião de hoje estão também o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Tiago Antunes, e o secretário de Estado da Segurança Social, Gabriel Bastos.
Estão também presentes representantes das Forças e Serviços de Segurança (GNR, PSP e SEF). 

sábado, 21 de março de 2020

O coronavírus que chegou a Espanha não é igual ao que saiu de Wuhan



Uma equipa de investigação espanhola conseguiu sequenciar o genoma do novo coronavírus que contagiou três pessoas em Valência, detectando mutações relativamente ao que foi sequenciado em Wuhan, na China. Isto indicia que o vírus que provoca a Covid-19 pode ter sofrido mutações à medida que se foi espalhando pelo mundo.
Investigadores espanhóis da Universidade de Valência e da Fundação para o Fomento da Investigação Sanitária e Biomédica da Comunidade Valenciana conseguiram identificar os primeiros genomas completos do vírus que provoca a Covid-19 a partir de amostras retiradas de pessoas infectadas em Valência, cidade onde se verificou a primeira morte em Espanha relacionada com a pandemia.
Deste modo, foi possível confirmar que o genoma identificado em Espanha diverge do que foi identificado por cientistas chineses e divulgado a 14 de Janeiro passado, como avança o jornal El Confidencial.
A investigação sugere, assim, que o vírus sofreu mutações à medida que se foi espalhando pelo mundo.
“O genoma do vírus está em contínua mutação e é isso, justamente, que nos permite seguir a sua trajectória em diferentes países e rotas de transmissão”, refere ao El Confidencial o professor de Genética Fernando González que esteve envolvido na pesquisa.
A sequenciação dos genomas do vírus a partir das amostras retiradas aos três pacientes difere “em seis mutações”, num caso, e “em nove”, nos outros dois, relativamente ao “vírus originalmente sequenciado em Wuhan”, explica González, frisando que isto “é normal” porque “quase todos os vírus que foram sequenciados, até ao momento, apresentam algumas diferenças com o primeiro”.
O que foi isolado no Brasil é o que “tem mais mutações” relativamente ao primeiro, respectivamente 16, esclarece o cientista.
Vários laboratórios em todo o mundo estão a construir uma base de dados global com as informações sobre os diversos genomas sequenciados, uma forma de poder analisar melhor as vias de transmissão e de detectar as diferentes linhagens do coronavírus. Em Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge já conseguiu também sequenciar o genoma do coronavírus associado aos dois primeiros casos de Covid-19 que foram detectados no nosso país.
A capacidade de mutação do vírus é um factor que ainda está a ser estudado e cuja compreensão será essencial para desenvolver uma vacina contra ele.
A sequenciação do genoma feita em Espanha permitiu detectar que os contágios de Valência tiveram como origem Itália. “O problema, de momento, é que há disponíveis muito poucos genomas do vírus procedentes de Itália e suspeita-se que a origem lá não é única, mas que se estabeleceram, pelo menos, duas linhagens desde a China”, salienta González.
Já se tinha avançado que a versão que proliferou por Wuhan tinha tido duas mutações, uma variante L mais agressiva e mais letal e que foi mais prontamente detectada pelas autoridades, e uma variante S que provoca sintomas mais leves e que, portanto, passou um pouco indetectada, mesmo que continuasse contagiosa.
Há estudos que avançam que 86% dos casos podem ter passado indetectados precisamente por terem a variante S.
Os investigadores espanhóis acreditam que o vírus que percorre o país vizinho é, basicamente, o mesmo. Mas para ter a certeza é preciso sequenciar o genoma de outras amostras para tirar conclusões."

sexta-feira, 20 de março de 2020

China e EUA anunciam testes em humanos para vacina da Covid-19


A vacina foi desenvolvida por uma equipa de investigação liderada pela epidemiologista Chen Wei, da Academia Militar de Inestigação Médica. Segundo Chen Wei, a vacina cumpre os requisitos internacionais e as regulações locais e está preparada para uma “produção de grande escala, segura e efetiva”. Várias instituições chinesas anunciaram esta terça-feira o lançamento de ensaios clínicos em abril, para testar a eficácia de várias vacinas contra o vírus.
De acordo com o Ministério da Educação do país, está em desenvolvimento uma vacina baseada nos vetores da gripe que está em fase de testes em animais e cujos ensaios clínicos arrancarão em abril com a participação das universidades de Pequim, Tsinghua e Xiamen, bem como outras instituições de investigação, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.
Nos Estados Unidos, chegam também notícias do início dos testes em humanos de uma nova vacina, bem como na Alemanha, onde ainda não se iniciaram testes, mas já há um laboratório “que está a trabalhar numa tecnologia promissora para desenvolver uma vacina contra o coronavírus”, de acordo com Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
Na segunda-feira, a Comissão Europeia anunciou que vai disponibilizar até 80 milhões de euros ao laboratório alemão que está a trabalhar numa potencial vacina. O organismo europeu tem esperanças, mas avisa que, segundo o semanário Expresso, não chegaria ao mercado antes do outono.
Até ao momento, pelo menos 3.326 pessoas morreram de Covid-19 na China entre as 80.881 contagiadas registadas desde o início da epidemia. Foi neste país que o surto começou, em dezembro, chegando a mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Cientistas brasileiros já trabalham numa candidata à vacina contra novo coronavírus



Pesquisadores do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) estão desenvolvendo uma vacina contra o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave, o Sars-CoV-2.

Por meio de uma estratégia diferente das adotadas por indústrias farmacêuticas e grupos de pesquisa em diversos países, os cientistas brasileiros esperam acelerar o desenvolvimento e conseguir chegar, nos próximos meses, a uma candidata a vacina contra o novo coronavírus que possa ser testada em animais.

“Acreditamos que a estratégia que estamos empregando para participar desse esforço mundial para desenvolver uma candidata à vacina contra a covid-19 é muito promissora e poderá induzir uma resposta imunológica melhor do que a de outras propostas que têm surgido, baseadas fundamentalmente em vacinas de mRNA”, disse à Agência Fapesp Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Incor e coordenador do projeto, apoiado pela Fapesp.

Utilizada no desenvolvimento da primeira vacina experimental contra o Sars-CoV-2, anunciada no fim de fevereiro nos Estados Unidos, a plataforma tecnológica de mRNA se baseia na inserção na vacina de moléculas sintéticas de RNA mensageiro (mRNA) – que contêm as instruções para produção de alguma proteína reconhecível pelo sistema imunológico.

A ideia é que o sistema imunológico reconheça essas proteínas artificiais para posteriormente identificar e combater o coronavírus real. Já a plataforma que será utilizada pelos pesquisadores do Incor é fundamentada no uso de partículas semelhantes a vírus (VLPs, na sigla em inglês de virus like particles).

Estruturas multiproteicas, as VLPs possuem características semelhantes às de um vírus e, por isso, são facilmente reconhecidas pelas células do sistema imune. Porém, não têm material genético do vírus, o que impossibilita a replicação. Por isso, são seguras para o desenvolvimento de vacinas.

“Em geral, as vacinas tradicionais, baseadas em vírus atenuados ou inativados, como a do influenza [causador da gripe], têm demonstrado excelente imunogenicidade, e o conhecimento das características delas serve de parâmetro para o desenvolvimento bem-sucedido de novas plataformas vacinais”, afirmou Gustavo Cabral, pesquisador responsável pelo projeto.

“Mas, neste momento, em que estamos lidando com um vírus pouco conhecido, por questões de segurança é preciso evitar inserir material genético no corpo humano para evitar eventos adversos, como multiplicação viral e possivelmente reversão genética da virulência. Por isso, as formas alternativas para o desenvolvimento da vacina anticovid-19 devem priorizar, além da eficiência, a segurança”, ressaltou Cabral.

A fim de permitir que sejam reconhecidas pelo sistema imunológico e gerem uma resposta contra o coronavírus, as VLPs são inoculadas juntamente com antígenos – substâncias que, ao serem introduzidas no corpo humano fazem com que o sistema imune produza anticorpos.

Dessa forma, é possível unir as características de adjuvante dos VLPs com a especificidade do antígeno. Além disso, as VLPs, por serem componentes biológicos naturais e seguros, são facilmente degradadas, explicou Cabral.

“Com essa estratégia é possível direcionar o sistema imunológico para reconhecer as VLPs conjugadas a antígenos como uma ameaça e desencadear a resposta imune de forma eficaz e segura”, disse.

Plataforma de antígenos:

O pesquisador fez nos últimos cinco anos pós-doutorados nas universidades de Oxford, na Inglaterra, e de Berna, na Suíça, onde desenvolveu candidatas a vacinas utilizando VLPs contra doenças, como a causada pelo vírus zika.

Por meio de um projeto apoiado pela Fapesp, Cabral retornou ao Brasil onde iniciou, no Laboratório de Imunologia do Incor, no começo de fevereiro, um estudo voltado a desenvolver vacinas contra Streptococcus pyogenes – causador da febre reumática e da cardiopatia reumática crônica – e chikungunya utilizando VLPs.

Com a pandemia da covid-19, o projeto foi redirecionado para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus.

“O objetivo é desenvolver uma plataforma de entrega de antígenos para células do sistema imune de forma extremamente fácil e rápida e que possa servir para desenvolver vacina não só contra a covid-19, mas também para outras doenças emergentes”, ressaltou Cabral.


Os antígenos do novo coronavírus estão sendo produzidos a partir da identificação de regiões da estrutura do vírus que interagem com as células e permitem a entrada dele, as chamadas proteínas spike.

Essas proteínas, que são protuberâncias pontiagudas ao redor do envelope viral, resultam no formato de coroa, que conferiu o nome corona a esse grupo de vírus.

Após a identificação dessas proteínas spike, são extraídos fragmentos delas que são conjugadas às VLPs.

Por meio de testes com o plasma sanguíneo de pacientes infectados pelo novo coronavírus é possível verificar quais fragmentos induzem uma resposta protetora e, dessa forma, servem como potenciais candidatos a antígenos.

“Já estamos sintetizando esses antígenos e vamos testá-los em soro de pacientes infectados”, afirmou Cabral.

Após a realização dos testes em camundongos e comprovada a eficácia da vacina, os pesquisadores pretendem estabelecer colaborações com outras instituições de pesquisa para acelerar o desenvolvimento.

“Após comprovarmos que a vacina neutraliza o vírus, vamos procurar associações no Brasil e no exterior para encurtarmos o caminho e desenvolver o mais rápido possível uma candidata à vacina contra a covid-19”, disse Kalil.

O pesquisador é coordenador do Instituto de Investigação em Imunologia, sediado no Incor – um dos INCTs apoiados pela Fapesp no Estado de São Paulo


terça-feira, 17 de março de 2020

Toxina presente no veneno de escorpião usada no tratamento do cancro cerebral

Sob o mote “Do escorpião à imunoterapia”, uma equipa de cientistas norte-americanos reaproveitou uma toxina presente no veneno deste animal para desenvolver a primeira terapia com células T do tipo CAR para tratar tumores cerebrais.








Alguns tratamentos contra o cancro do sangue foram revolucionados graças às terapias CAR-T, que modificam as células T dos pacientes para atingir as proteínas ligadas ao cancro. Mas, até agora, estes tratamentos não conseguiram demonstrar muito potencial contra tumores sólidos, como o glioblastoma agressivo do cancro cerebral.
Agora, uma equipa de cientistas norte-americanos da City of Hope desenvolveu um novo recetor de antígeno quimérico (CAR) com células T (CAR-T) usando clorotoxina (CLTX), um composto presente no veneno de escorpião, de modo a direcionar as células T para as células tumorais cerebrais.
Os investigadores já iniciaram o primeiro ensaio clínico em humanos e os avanços foram recentemente publicados na Science Translational Medicine.
O direcionamento para o glioblastoma é muito complicado devido à diversidade dos tumores. Para que o CAR-T funcione, os CARs na superfície das células T têm de ser capazes de se agarrar a tumores com variações genéticas diferentes.
Neste estudo, os cientistas usaram células tumorais obtidas a partir de amostras de um grupo de pacientes com glioblastoma, com o objetivo de comparar a ligação de CLTX à expressão de antígenos atualmente sob investigação como alvos para células CAR-T, incluindo IL13Rα2, HER2 e EGFR.
Desta forma, descobriram que a clorotoxina se ligava a uma proporção maior de tumores e células de pacientes dentro destes tumores.
Além disso, a equipa chegou à conclusão que as células CLTX-CAR_T reconheciam e eliminavam grandes populações de células de glioblastoma sem afetar as células não-tumorais no cérebro e em outros órgãos.
Em ensaios pré-clínicos e em modelos animais, estas células foram muito eficazes na morte seletiva de células de glioblastoma humano.
Citada pelo ABC, a autora do estudo, Christine Brown, disse que esta “é uma estratégia de direcionamento completamente nova para a terapia CAR-T que incorpora uma estrutura de reconhecimento diferente das já existentes”.
O escorpião usa componentes de toxinas do seu veneno para atacar e matar as suas presas. Da mesma forma, esta equipa usou a clorotoxina para direcionar as células T para atacar as células tumorais. “Na verdade, não estamos a injetar uma toxina, mas a explorar as propriedades de ligação do CLTX no design do CAR”, rematou o cientista Michael Barish.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Novas lentes de contacto de alta tecnologia ajudam a corrigir daltonismo


"As novas lentes de contacto podem ajudar pessoas com daltonismo a restaurar deficiência de contraste e a melhorar a perceção das cores."







Um ser humano saudável consegue distinguir cerca de um milhão de cores. Um novo tipo de lente de contacto, desenvolvido por investigadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, pode ajudar a restaurar parte dessa faixa em pessoas com daltonismo, cuja perceção da cor é limitada em algumas partes do cérebro.

A investigação, publicada recentemente a The Optical Society, envolveu a incorporação de dispositivos óticos superfinos – chamados metassuperfícies – em lentes de contacto para corrigir o daltonismo.

A tecnologia de filtragem está relacionada com as estranhas propriedades óticas das metassuperfícies, minúsculas variações na superfície destinadas a alterar a maneira como a luz reflete ou passa para um material. “As nossas lentes de contacto usam metassuperfícies baseadas em elipses de ouro de tamanho nano-métrico para criar uma forma personalizada, compacta e durável de solucionar essas deficiências.”

O uso de uma metassuperfície em vez de um agente de filtragem facilita muito o ajuste das propriedades do material para atender às necessidades individuais.

Para se ter uma ideia do efeito destas lentes de contacto inovadoras, na primeira imagem acima vê-se uma árvore tal como a maioria da população a vê. A segunda árvore corresponde à visão de alguém com daltonismo, e a terceira árvore corresponde à imagem corrigida por uma lente gravada em metassuperfície.

Estas lentes podem ser uma solução conveniente e confortável para pessoas que sofrem diariamente com esta condição. “Os óculos baseados neste conceito de correção estão disponíveis comercialmente, mas são significativamente mais volumosos”, explicou Sharon Karepov, membro da equipa, citada pelo ScienceAlert.

O elemento ótico é ultrafino e pode ser incorporado a qualquer lente de contacto rígida. Esta inovação adiciona novas opções interessantes ao mercado da terapia para daltonismo, e pode também ser personalizada para atender a uma variedade de deficiências visuais.

Antes de chegarem ao mercado, as lentes de contacto precisam de passar por alguns testes clínicos. Para já, os cientistas afirmam que as simulações de laboratório sugerem que as distinções de cores podem ser 10 vezes melhores com estas lentes de contacto.


“É como se tivesse uma mão outra vez.” Cientistas desenvolvem prótese controlada pela mente

"Foi dado mais um passo no desenvolvimento de próteses controladas pela mente humana. Desta vez, cientistas norte-americanos criaram um membro biónico que é movimentado intuitivamente e em tempo real."






Uma equipa de cientistas da Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, captou sinais fracos e latentes dos nervos de pacientes amputados e amplificaram-nos, o que permitiu a movimentação intuitiva e em tempo real de uma mão robótica. O artigo científico foi publicado  na semana passada na Science Translational Medicine.
Num primeiro momento, os cientistas concentraram-se nas terminações nervosas dos pacientes e separaram os feixes de nervos espessos em fibras mais pequenas – permitindo assim um controlo mais preciso – e amplificaram os sinais que atravessam esses mesmos nervos.
Paul Cederna, professor de cirurgia plástica da universidade norte-americana, explicou que este “é o maior avanço no controlo motor de pessoas com amputações em muitos anos”. “Desenvolvemos uma técnica para permitir o controlo individual dos dispositivos protéticos com os dedos, usando os nervos no membro residual do paciente. Com isso, conseguimos fornecer alguns dos mais avançados controlos protéticos que o mundo já viu.”
“Os participantes conseguiram, logo na primeira tentativa, controlar a prótese naturalmente. Não houve necessidade de aprenderem a usá-la. Toda a aprendizagem ficou a cargo dos nossos algoritmos”, adiantou a professora de engenharia Cindy Chestek. Nos testes, a interface funcionou durante 300 dias sem necessidade de recalibração.
Uma das principais dificuldades que os cientistas enfrentam neste campo das próteses controladas pela mente é a captação de um sinal nervoso suficientemente forte e estável para alimentar o membro biónico.
Para pessoas com amputações, não havia, até agora, uma solução que substituísse o membro em falta, porque os sinais nervosos que carregam são muito fracos.
Esta equipa realizou pequenos excertos musculares em torno das terminações nervosas nos braços dos participantes. Estas “interfaces nervosas periféricas regenerativas” (RPNIs) oferecem aos nervos cortados novos tecidos aos quais se podem “agarrar”.
Além de este fenómeno impedir o crescimento de massas nervosas (neuromas), que causam dor nos membros, também amplifica os sinais nervosos, adianta o TheScientist.
Os investigadores colocaram elétrodos nos excertos musculares de dois pacientes, e estes dispositivos foram capazes de registar sinais nervosos e passá-los, em tempo real, para uma mão protética.
“Nas abordagens anteriores, conseguimos obter 5 microvolts ou 50 microvolts – sinais muito fracos. Agora, conseguimos os primeiros sinais de milivolts.”
Os participantes deste estudo ainda não pode levar o novo braço para casa, mas no laboratório conseguiram pegar em blocos com uma pinça, mover o polegar num movimento contínuo, levantar objetos esféricos e até jogar uma versão adaptada do famoso “pedra, papel ou tesoura” – desta vez chamada “pedra, papel ou alicate”.
“É como se você tivesse uma mão outra vez”, disse  Joe Hamilton, participante do estudo, que perdeu o braço num acidente que envolveu fogo de artifício, em 2013. “Consigo fazer qualquer coisa com esta mão. Isto traz de volta uma sensação de normalidade.”

domingo, 15 de março de 2020

"Descoberta célula que poderá tratar todos os tipos de cancro"



Célula cancerígena vista ao microscópio


Um grupo de investigadores da Universidade de Cardiff, no País de Gales, encontrou um novo tipo da "Célula T" - responsável pela defesa do organismo contra ameaças desconhecidas, como vírus e bactérias - que poderá atacar e destruir a grande maioria dos vários tipos de cancro.

As descobertas foram publicadas na revista científica Nature Immunology e ainda não foram testados em doentes. Contudo, os investigadores acreditam que, embora o trabalho ainda esteja num estágio inicial, esta descoberta tem “um enorme potencial”, refere a BBC.

Os cientistas encontraram uma célula no sangue das pessoas que pode avaliar se existe uma ameaça a ser eliminada. Esta nova célula imune suporta um recetor que age como um gancho, que se agarra à maioria dos cancros ao mesmo tempo que ignora as células saudáveis.

Andrew Sewell, responsável pelo estudo, afirma que é “altamente incomum” encontrar uma célula com potencialidades terapêuticas assim tão vastas no combate ao cancro e que esta descoberta aumenta a perspetiva de criar uma “terapia universal”.

“A nossa descoberta aumenta a perspetiva para os tratamentos contra o cancro. Este tipo de célula pode ser capaz de destruir muitos tipos diferentes de cancro. Antes, ninguém achava que isto fosse possível. Esta foi uma descoberta acidental, ninguém sabia que esta célula existia”, contou Sewell ao The Telegraph.

A equipa de investigadores descobriu que este novo tipo de célula T pode encontrar e matar uma grande diversidade de células cancerígenas, incluindo as presentes no cancro do pulmão, pele, sangue, mama, osso, próstata, ovário, rim e colo do útero.

Embora o processo como a célula ataca outras células ainda não seja compreendido, os cientistas acreditam que o recetor das células T interage com uma molécula, chamada de MR1, que existe na superfície de todas as células do corpo humano.

“Somos os primeiros a descrever uma célula T que se encontra com a MR1 nas células cancerígenas. Isto nunca foi feito antes”, afirmou Gary Dolton, participante da investigação, em entrevista à BBC.

Células T e a imunoterapia 

As terapias das células T contra o cancro já existem e o desenvolvimento da imunoterapia contra a doença foi um dos mais importantes avanços neste campo. Os tratamentos, conhecidos como CAR-T ou TCR-T, envolvem a retirada de células imunes de um doente, que posteriormente são alteradas para que possam prender-se às moléculas que ficam na superfície das células cancerígenas.

No entanto, os tratamentos até agora realizados apenas são úteis em algumas formas de leucemia e não resultam nos tumores sólidos, que são a maioria dos cancros.

Os investigadores da Universidade de Cardiff acreditam que o recetor que encontraram nas células T pode conduzir a um tratamento para todos os tipos de cancro.

A ideia dos investigadores consiste em retirar uma amostra de sangue de um doente com cancro e extrair as células T para, posteriormente, serem geneticamente modificadas e reprogramadas para produzir o recetor com função de deter o cancro. As células alteradas seriam cultivadas em grandes quantidades em laboratório e recolocadas no doente.

Seguem-se os testes em seres humanos 

Contudo, os investigadores afirmam que esta pesquisa foi apenas testada em animais e que são necessários mais testes para confirmar se o tratamento pode ser aplicado em humanos.

Quando injetaram novas células num rato portador de cancro e com um sistema imunológico humano, os cientistas encontraram resultados “encorajadores para a eliminação do cancro”.

Os resultados mostraram ainda que as células T dos doentes com cancro de pele, modificadas para expor o novo recetor, podem destruir as células cancerígenas do próprio paciente e também as células cancerígenas de outros doentes.

Andrew Sewell afirmou que existem “pessoas certas” interessadas em desenvolver o potencial desta nova terapia e acredita que os progressos podem chegar “muito rapidamente”, cita The Telegraph.

No caso de o tratamento passar nos protocolos de segurança laboratoriais, a equipa pretende começar já em novembro os testes em humanos com doenças terminais.

Apesar dos elogios de vários quadrantes, alguns investigadores acreditam ser demasiado cedo para afirmar que estamos perante uma terapia que pode funcionar em todos os tipos de cancro.

Lúcia Mori e Gennaro De Libero, da Universidade de Basileia, na Suíça, afirmam estar muito entusiasmados com as “funções imunológicas deste novo tipo de células T e com o seu potencial”, mas acreditam ser “muito cedo para dizer que funciona em todos os tipos de cancro”, cita a BBC.

Também o professor de imunologia da Universidade de Manchester, Daniel Davis, afirma que “é uma pesquisa muito interessante. No entanto, é ainda muito básica e não está próxima dos medicamentos atuais”.

O investigadores da Universidade de Cardiff pretendem agora perceber se as células são comuns no organismo humano, uma vez que estas “podem ser muito raras, mas também pode dar-se o caso de a maioria dos seres humanos terem esses recetores sem estarem ativados”.